A FAAP realizou na última quarta-feira, 27 de maio, o debate Ética no Marketing Esportivo: desafios entre regulação, publicidade e apostas. O evento integrou a prática extensionista Laboratório de Ética Publicitária, uma parceria entre a FAAP e o CONAR que ao longo do semestre reuniu alunos para discutir os limites éticos da comunicação no mercado esportivo contemporâneo.
O encontro reuniu profissionais de diferentes áreas: marketing esportivo, direito desportivo, autorregulamentação publicitária e setor de apostas.
Um dos eixos centrais da discussão foi a transformação que as casas de apostas esportivas provocaram no modelo de financiamento do futebol nacional. Os debatedores apontaram que o ciclo de crescimento acelerado já dá sinais de acomodação, reflexo tanto da regulamentação quanto da retração de marcas que não honraram contratos.
Caio Lacerda, CMO do Santos FC, trouxe a experiência concreta de como o clube atravessou esse cenário, optando por um patrocinador master após rigorosa análise jurídica e reputacional. Lacerda também explicou que o clube mantém termo assinado por funcionários e corpo diretivo proibindo apostas nas plataformas patrocinadoras e que, por questões de direito de imagem coletiva, os atletas não podem ser usados individualmente em campanhas dos patrocinadores.
Alexandre Câmara, Head de Patrocínios da Superbet, defendeu que as marcas sérias do setor já migraram de uma publicidade agressiva de conversão para uma construção de marca mais sustentável, com foco em reputação de longo prazo.
Do ponto de vista jurídico e regulatório, o debate evidenciou que regulação e ética não são a mesma coisa, e que as duas se alimentam mutuamente ao longo do tempo.
Ao encerrar o evento, o professor Eric Messa, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da FAAP, sintetizou: a ética não é um conjunto fixo de respostas, mas um processo contínuo de discussão coletiva. “Ética é um conjunto de valores que depende de ser não só ensinado, depende de ser discutido, depende de ser debatido em coletivo o tempo inteiro. É isso que estamos fazendo aqui”.
Entender onde termina o que a norma permite e começa o que a ética exige, saber dizer não a um cliente ou a uma campanha, compreender as implicações sociais de cada decisão de comunicação; tudo isso é parte essencial do repertório de quem quer atuar com responsabilidade num mercado cada vez mais complexo e regulado.