Por Victor Grinberg
Existe uma crença popular, fundada em um suposto inconsciente coletivo, de que a relação professor-aluno-escola está cada vez mais complexa devido às transformações geracionais, digitais e contextuais do momento em que vivemos. De alguma forma, essa ideia manifesta-se na máxima, muito difundida, de que os estudantes não querem “nada com nada” e de que é difícil fazê-los vivenciar a vida fora das telas dos celulares.
Anualmente, essa percepção é colocada à prova quando abrimos nossas portas para 600 estudantes – do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio – que preenchem nossas salas e corredores como diplomatas, juízes, dirigentes esportivos, jornalistas e congêneres. Eles dão vida a uma das maiores e mais tradicionais simulações multilaterais (também conhecidas como Modelos ONU): o Fórum FAAP.
Embora muito se fale e se veja, em fotos e vídeos, sobre o quão valorosa é a vivência dessa metodologia de role-play com nuances de problem-based learning para os nossos delegados, pouco se fala sobre os organizadores. Tive o privilégio de ver o Fórum se transformar da sua 6ª edição, na qual entrei como delegado, até a 22ª, quando marco dez anos como coordenador do evento. Justamente por isso, sou um entusiasta da ideia de que o propósito constrói o resultado.
Com isso, quero dizer que, do lado da organização, tivemos 300 estudantes de todos os cursos de graduação da FAAP envolvidos diretamente na sustentação dessa atividade (e não uso a palavra “sustentação” de forma leviana). Para além do formato, o que faz a diferença é o zelo de cada um: do staff de primeira viagem que acolhe, com um sorriso e um ombro amigo, o adolescente ansioso; do diretor acadêmico que avalia com pulso firme e responsabilidade, lançando uma “crise” para depois celebrar os resultados com os jovens; e até do secretariado e das equipes de estrutura que, nos bastidores, preparam cada kit com cuidado e carinho, garantindo a fluidez para que nada esteja fora do lugar.
O mais incrível é que, perante essas expectativas de zelo, o resultado se torna ainda mais magnífico quando as particularidades de cada um nos ajudam a ir além. Nos treinamentos pré-evento, sempre menciono o “Jeito Disney” de encantar e busco despertar neles essa aspiração. A cada ano, surpreendo-me com a forma como alcançamos esse objetivo.
Seja a aluna de Moda que costura a calça rasgada de um delegado, o aluno de Design e Animação que preenche o espaço com origamis de dinossauro (arrancando risadas genuínas de colegas e espectadores), ou aquele aluno de Economia que descobre que a parte mais gratificante é ser monitor da “luta de cotonete”, transmitindo garra para os delegados superarem seus embates.
A vivacidade dos discentes não está perdida; ela apenas fica dormente à espera de um propósito em um mundo de ações vazias e corriqueiras. Quando confrontados com significados e expectativas, eles nunca decepcionam. Nunca me decepcionaram. Pelo contrário, cativam-me e tornam-me fã de cada um.
Viva o Fórum FAAP, mas, acima de tudo, viva quem o faz acontecer.