NOVA EXPOSIÇÃO DO MAB FAAP APRESENTA RETROSPECTIVA DO ARGENTINO TEC

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O MAB FAAP abre ao público em 24 de agosto a exposição Urbana com cerca de 40 obras do artista argentino Tec, conhecido, principalmente, por suas intervenções no asfalto e nas empenas da cidade de São Paulo, como o grande mural “Cabeça Urbana”, que pode ser visto por quem passa pelo Minhocão. A mostra é um balanço inédito da trajetória do artista, que reúne trabalhos que extrapolam a técnica tradicional – sobre tela, com uso de tinta acrílica – e ganham destaque em outras superfícies, como murais, fotografias, instalação, site-specific e vídeo.

As obras de Tec retratam muito do que o artista vê por São Paulo, cidade onde vive há mais de 10 anos. A rua é sua principal fonte de inspiração. “É evidente a influência da cidade em minhas obras. Tento traduzir a questão do urbanismo, o caos de uma megalópole, a tipografia espalhada pelas ruas, em desenhos figurativos exagerados, sem proporções”, explica ele, enfatizando que não cria uma mensagem por trás de cada obra, mas deixa a interpretação livre para o espectador. 

Com curadoria de Laura Rago, a exposição foi pensada a partir do livro “Tec – 2010/2020” (Martins Fontes), lançado em 2021, e que apresenta um recorte do percurso profissional do artista a partir do momento em que ele se instala na cidade de São Paulo, em 2011.

“Tec é um artista cuja trajetória é comprometida em reagir, em termos estéticos, comportamentais e ideológicos, às contradições impostas pela realidade, além de serem respostas às questões do nosso tempo. Ele capta a atenção e provoca a revisão da paisagem urbana, transformando a experiência de transitar pela cidade”, destaca a curadora. 

Para além das intervenções usando a metrópole como suporte, Tec se dedica à pintura — linguagem que o artista desenvolve em paralelo aos seus trabalhos nas ruas. 

Enquanto o grafite está muito presente nas pinturas de asfalto, nas telas, Tec une a velocidade da action painting ao rigor formal das camadas que se sobrepõem. Seu traço e o manejo da cor fogem ao conhecimento estabelecido e à aparência das coisas para instaurar, pelo ato criativo, uma nova interpretação do real. 

O público que for à exposição poderá apreciar dois murais inéditos. Um autoral, com sua interpretação sobre a cidade e suas questões urbanas; e outro no qual o artista reproduzirá os desenhos feitos por crianças de escolas públicas que serão levadas para visitar a mostra. 

Na exposição, será criada uma instalação interativa com vídeo-drone feita exclusivamente para a ocasião. 

Educativo – lugar de sentidos da exposição 

A mostra pretende colocar o Educativo como elemento articulador da exposição, com ativações internas e externas, com alunos de escolas públicas (EMEI) e estudantes da FAAP.

As crianças serão convidadas a fazer desenhos como parte da programação da visita ao museu. Esses trabalhos serão reproduzidos pelo artista, ao longo do período expositivo, em um grande mural criado especialmente para essa atividade, no Salão Cultural do MAB FAAP. 

“Faz parte do projeto Arte e Educação que aplicamos há mais de dez anos nas escolas periféricas, principalmente, com o objetivo de desenvolver o potencial artístico das crianças”, ressalta. Para ele, a oficina gera autoestima e um novo vínculo entre os pais e seus filhos, ao serem convidados a apreciar o desenho das crianças. “É levar a arte para quem não tem muito acesso”, afirma. 

Tec realiza há mais de dez anos uma atividade de desenvolvimento do potencial artístico de crianças de 4 a 10 anos da rede pública de ensino. Esse projeto foi aplicado em escolas públicas e ONGs, em diferentes cidades e países, tendo obtido entre os participantes resultados positivos no que concerne à percepção do próprio potencial criativo. “Realizamos uma oficina de artes com as crianças, na qual pedimos para que os pequenos desenhem livremente. Depois, com o resultado em mãos, os desenhos são reproduzidos em escala mural em alguma parede grande”, conta o artista. 

Um dos objetivos desta atividade feita no museu é contribuir para que se ampliem as discussões no tocante à inclusão de crianças da rede pública de ensino nos espaços institucionalizados e sensibilização dos agentes sociais e culturais. “Queremos reforçar a ideia de construção do conhecimento e aprendizagem por meio da educação com experiência no espaço museal”, conta Tec. 

Arte e Tecnologia 

O artista inovou e ampliou o cenário da arte urbana com seus desenhos gigantes pintados no asfalto das ladeiras de São Paulo, fazendo uso da perspectiva a distância, que também podem ser apreciadas a partir de vídeos produzidos por ele com o uso de drones. 

Suas produções no asfalto podem ser encontradas, por exemplo, em ruas nas zonas sul e oeste de São Paulo, onde ele já pintou, por exemplo, um esqueleto de lagartixa, um peixe, um rato e uma pipa. 

“Penso muito nas crianças quando faço essas pinturas. São desenhos que serão reconhecidos facilmente por elas, que estão no ecossistema da cidade, e acabam se tornando pontos de referência e fuga do cotidiano para aqueles que passam pela rua”, finaliza. 

“Urbana” tem patrocínio da Zissou, startup brasileira pioneira em trazer o conceito de bed in a box ao País, Magik JC, empresa presente no mercado imobiliário brasileiro desde 1972, e Coral Tintas, além de apoio cultural do Programa Shot de Arte, Assistravel e Choque Cultural.

Exposição Urbana

Período de visitação: de 24 de agosto a 9 de outubro de 2022 

Horário: Segundas, quartas, quintas e sextas das 10h às 18h – última entrada às 17h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h – última entrada às 17h30. Fechado todas as terças-feiras, mesmo quando feriado. 

Endereço: R. Alagoas, 903 – Higienópolis – SP 

Informações: (11) 3662-7198 

Entrada: Gratuita @mabfaap 


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O MAB FAAP abre ao público em 24 de agosto a exposição Urbana com cerca de 40 obras do artista argentino Tec, conhecido, principalmente, por suas intervenções no asfalto e nas empenas da cidade de São Paulo, como o grande mural “Cabeça Urbana”, que pode ser visto por quem passa pelo Minhocão. A mostra é um balanço inédito da trajetória do artista, que reúne trabalhos que extrapolam a técnica tradicional – sobre tela, com uso de tinta acrílica – e ganham destaque em outras superfícies, como murais, fotografias, instalação, site-specific e vídeo.

As obras de Tec retratam muito do que o artista vê por São Paulo, cidade onde vive há mais de 10 anos. A rua é sua principal fonte de inspiração. “É evidente a influência da cidade em minhas obras. Tento traduzir a questão do urbanismo, o caos de uma megalópole, a tipografia espalhada pelas ruas, em desenhos figurativos exagerados, sem proporções”, explica ele, enfatizando que não cria uma mensagem por trás de cada obra, mas deixa a interpretação livre para o espectador. 

Com curadoria de Laura Rago, a exposição foi pensada a partir do livro “Tec – 2010/2020” (Martins Fontes), lançado em 2021, e que apresenta um recorte do percurso profissional do artista a partir do momento em que ele se instala na cidade de São Paulo, em 2011.

“Tec é um artista cuja trajetória é comprometida em reagir, em termos estéticos, comportamentais e ideológicos, às contradições impostas pela realidade, além de serem respostas às questões do nosso tempo. Ele capta a atenção e provoca a revisão da paisagem urbana, transformando a experiência de transitar pela cidade”, destaca a curadora. 

Para além das intervenções usando a metrópole como suporte, Tec se dedica à pintura — linguagem que o artista desenvolve em paralelo aos seus trabalhos nas ruas. 

Enquanto o grafite está muito presente nas pinturas de asfalto, nas telas, Tec une a velocidade da action painting ao rigor formal das camadas que se sobrepõem. Seu traço e o manejo da cor fogem ao conhecimento estabelecido e à aparência das coisas para instaurar, pelo ato criativo, uma nova interpretação do real. 

O público que for à exposição poderá apreciar dois murais inéditos. Um autoral, com sua interpretação sobre a cidade e suas questões urbanas; e outro no qual o artista reproduzirá os desenhos feitos por crianças de escolas públicas que serão levadas para visitar a mostra. 

Na exposição, será criada uma instalação interativa com vídeo-drone feita exclusivamente para a ocasião. 

Educativo – lugar de sentidos da exposição 

A mostra pretende colocar o Educativo como elemento articulador da exposição, com ativações internas e externas, com alunos de escolas públicas (EMEI) e estudantes da FAAP.

As crianças serão convidadas a fazer desenhos como parte da programação da visita ao museu. Esses trabalhos serão reproduzidos pelo artista, ao longo do período expositivo, em um grande mural criado especialmente para essa atividade, no Salão Cultural do MAB FAAP. 

“Faz parte do projeto Arte e Educação que aplicamos há mais de dez anos nas escolas periféricas, principalmente, com o objetivo de desenvolver o potencial artístico das crianças”, ressalta. Para ele, a oficina gera autoestima e um novo vínculo entre os pais e seus filhos, ao serem convidados a apreciar o desenho das crianças. “É levar a arte para quem não tem muito acesso”, afirma. 

Tec realiza há mais de dez anos uma atividade de desenvolvimento do potencial artístico de crianças de 4 a 10 anos da rede pública de ensino. Esse projeto foi aplicado em escolas públicas e ONGs, em diferentes cidades e países, tendo obtido entre os participantes resultados positivos no que concerne à percepção do próprio potencial criativo. “Realizamos uma oficina de artes com as crianças, na qual pedimos para que os pequenos desenhem livremente. Depois, com o resultado em mãos, os desenhos são reproduzidos em escala mural em alguma parede grande”, conta o artista. 

Um dos objetivos desta atividade feita no museu é contribuir para que se ampliem as discussões no tocante à inclusão de crianças da rede pública de ensino nos espaços institucionalizados e sensibilização dos agentes sociais e culturais. “Queremos reforçar a ideia de construção do conhecimento e aprendizagem por meio da educação com experiência no espaço museal”, conta Tec. 

Arte e Tecnologia 

O artista inovou e ampliou o cenário da arte urbana com seus desenhos gigantes pintados no asfalto das ladeiras de São Paulo, fazendo uso da perspectiva a distância, que também podem ser apreciadas a partir de vídeos produzidos por ele com o uso de drones. 

Suas produções no asfalto podem ser encontradas, por exemplo, em ruas nas zonas sul e oeste de São Paulo, onde ele já pintou, por exemplo, um esqueleto de lagartixa, um peixe, um rato e uma pipa. 

“Penso muito nas crianças quando faço essas pinturas. São desenhos que serão reconhecidos facilmente por elas, que estão no ecossistema da cidade, e acabam se tornando pontos de referência e fuga do cotidiano para aqueles que passam pela rua”, finaliza. 

“Urbana” tem patrocínio da Zissou, startup brasileira pioneira em trazer o conceito de bed in a box ao País, Magik JC, empresa presente no mercado imobiliário brasileiro desde 1972, e Coral Tintas, além de apoio cultural do Programa Shot de Arte, Assistravel e Choque Cultural.

Exposição Urbana

Período de visitação: de 24 de agosto a 9 de outubro de 2022 

Horário: Segundas, quartas, quintas e sextas das 10h às 18h – última entrada às 17h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h – última entrada às 17h30. Fechado todas as terças-feiras, mesmo quando feriado. 

Endereço: R. Alagoas, 903 – Higienópolis – SP 

Informações: (11) 3662-7198 

Entrada: Gratuita @mabfaap 


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Com curadorias plurais e programação internacional, evento amplia a conversa sobre tecnologia e os desafios contemporâneos Por Edilamar Galvão Vivemos um tempo em que a palavra inovação se tornou onipresente. Ela aparece em discursos empresariais, campanhas institucionais, pitches de startups, políticas públicas e, claro, nas conversas sobre inteligência artificial, transformação digital e futuro do trabalho. Mas talvez valha a pena fazer uma pergunta menos óbvia: que tipo de inovação estamos celebrando? O São Paulo Innovation Week (SPIW), que acontece esta semana com mais de 500 palestrantes, é importante justamente porque amplia essa conversa. Distribuído entre a FAAP e a Mercado Livre Arena Pacaembu, com centenas de palestras e grandes nomes nacionais e internacionais, o evento não trata apenas de tecnologia como ferramenta ou de mercado como horizonte. Sua programação conecta tecnologia, ciência, educação, criatividade, cultura, empreendedorismo e impacto social. Nesse sentido, faz toda a diferença que parte dessa experiência aconteça na FAAP. Digo isso não apenas como professora e coordenadora de um dos cursos da instituição, mas como alguém que trabalha há muitos anos em um ambiente universitário onde a interdisciplinaridade não é um slogan recente, e sim parte da cultura institucional. Uma escola de arte entende que inovação também é linguagem. Uma escola de comunicação entende que inovação também é narrativa. Uma escola de negócios entende que inovação também é estratégia, transformação e capacidade de antecipar cenários. Num momento em que a tecnologia avança em velocidade impressionante — especialmente com a inteligência artificial reorganizando profissões, processos criativos e até nossas formas de interação — torna-se ainda mais importante criar espaços em que a pergunta não seja apenas o que podemos fazer?, mas também o que devemos fazer? Como isso transforma a experiência humana? Quem participa dessa transformação e quem fica à margem dela? Ao observar alguns nomes da programação, essa amplitude fica evidente. Steven Pinker, com sua longa reflexão sobre linguagem, cognição e natureza humana. Suzana Herculano-Houzel, cuja pesquisa sobre cérebro e inteligência amplia a conversa entre neurociência e tecnologia. Rebecca Goldstein, na interseção entre filosofia e literatura, trazendo para o debate questões sobre racionalidade, conhecimento e experiência humana. Daniel Goleman, que tornou central a discussão sobre inteligência emocional em um mundo progressivamente mediado por tecnologia. Ailton Krenak, com a perspectiva indispensável dos povos originários e sua poderosa provocação sobre outras formas de imaginar humanidade, desenvolvimento e o “futuro ancestral”. Spike Jonze, cineasta cuja obra já explorava, no território da ficção, questões hoje bastante concretas sobre afeto, mediação tecnológica e inteligência artificial. A presença e curadoria do físico e astrônomo Marcelo Gleiser conferem ao evento uma densidade intelectual particularmente relevante, ao inscrever o debate sobre inovação para além do fascínio tecnológico imediato e colocá-lo no terreno das grandes perguntas sobre conhecimento, consciência, humanidade e os futuros que estamos, coletivamente, construindo. De maneira geral, o SPIW nos lembra algo essencial: os especialistas em tecnologia são protagonistas incontornáveis da construção do futuro. Mas as questões que emergem dessa transformação — éticas, culturais, cognitivas e sociais — exigem um diálogo igualmente indispensável com outros campos do conhecimento. Porque inovação sem reflexão humanística corre o risco de produzir soluções tecnicamente “brilhantes”, mas culturalmente pobres e, muitas vezes, socialmente perigosas, como já advertiam Adorno e Horkheimer em Dialética do Esclarecimento. Talvez seja justamente esse um dos sentidos mais interessantes de ver a FAAP integrada a esse movimento: lembrar que tecnologia e humanidades não pertencem a universos opostos. Ao contrário. As perguntas mais complexas do nosso tempo nascem exatamente nessa interseção. Para nossos estudantes, isso representa acesso a debates contemporâneos de alto nível. Para os professores, oportunidade de atualização e provocação intelectual. Para a cidade, a chance de ocupar espaços de conhecimento como lugares vivos de encontro e imaginação. Assim, já na largada, a mensagem forte do SPIW é clara: inovação real exige repertório, crítica, sensibilidade e capacidade de formular boas perguntas. Edilamar Galvão é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com pós-doutorado no Diversitas — Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP. É coordenadora do curso de Jornalismo e do programa BCM — Business, Communication and Media, além de professora de Estética no curso de Artes Visuais da


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