Nossos Cursos
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Arte e Cultura
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FAAP Moda
21ª Edição
Participante
Amanda Navarro Guedes
Tema
Coleção “Mimetismo – Adaptação e Mistério”
Crescer não é um processo suave: exige imitar, copiar, adaptar. Envelhecemos, e, por necessidade, nos camuflamos, consequentemente deixando para trás o antigo. Seja para se encaixar em uma expectativa, em uma norma social, ou em uma imposição de outra natureza. Nos tornamos seres Miméticos, destinados a uma vida de transformação e renúncia do obsoleto.
Crescer não é um processo suave: exige imitar, copiar, adaptar. Envelhecemos, e, por necessidade, nos camuflamos, consequentemente deixando para trás o antigo. Seja para se encaixar em uma expectativa, em uma norma social, ou em uma imposição de outra natureza. Nos tornamos seres Miméticos, destinados a uma vida de transformação e renúncia do obsoleto.
Zilla, Teiú com que compartilhei minha infância, foi meu primeiro contato com essa evolução. Observei seu crescimento ao longo dos anos, enquanto, repetidamente, ele se desfazia da própria superfície. A pele, que, antes tinha aparência rígida, brilhante e contínua, se tornava frágil por meio de um processo natural, a Ecdise. Era destinada a enfraquecer, fragmentar e ser abandonada.
Enquanto pequena, Zilla me fez enxergar beleza e amor no que outras crianças eram incapazes de ver. Dele, Mimetizei a pele, de cor bonita, com toque diferente e gelado. Imitando seu olhar, me interessei pelos “Sistemas do Crescimento”, os fatos grotescos e viscerais pelos quais, tanto homem quanto animal, percorremos incessantemente.
Seu desenvolvimento foi rápido como o meu. Mesmo incapazes de alcançar as expectativas ao nosso redor, os anos passaram, e, inevitavelmente, crescemos. Não mais criança, essas chamadas esperanças e pressões ecoaram em mim cores diferentes das que me pertenciam, se tornando uma armadura sobre minha pele, protegendo, porém limitando. Assim como o lagarto que há poucos anos cabia em minhas palmas, aprendi a necessidade de me desfazer, deixando os restos gastos para que uma nova camada, momentaneamente sensível, floresça em um novo eu.
A coleção parte dessa lógica. O novo que cresce, e o antigo, a ser removido. Vestimos o tecido como uma segunda pele, cobrindo a forma ao mesmo tempo que cobrimos a mente. Ele tanto espelha os tons e texturas do interior, como o mascara, se camuflando ao seu redor. E, se assemelhando ao indivíduo, muda com o tempo.
Silhuetas tensionam a expansão e contenção, alternando entre a rigidez e vulnerabilidade. Estruturas pesadas coexistem com superfícies deslocadas e soltas, à medida que camadas e sobreposições revelam a permanência dos vestígios. Texturas constroem uma pele que não é fixa, mas instável. Ora servindo como proteção, ora se tornando prisão.
Conceito
· René Girard e a sua teoria mimética de que todo aprendizado humano se baseia na imitação.
· Zilla, que fez Amanda enxergar beleza e amor no que outras crianças eram incapazes de ver.
· O processo da ecdise, a mudança de pele dos répteis, relacionados aos fatos viscerais que o homem e animal percorrem incessantemente.
· O peso da pressão e expectativa, que se tornam uma “falsa armadura” acima da pele, e que deve ser desfeita para crescer.
Silhuetas e modelagem
· Silhuetas que contrastam expansão e compressão, alternando e misturando o rígido com o frágil.
· Estruturas pesadas que sobrepõem superfícies soltas e segmentadas.
· Camadas e sobreposições, exibindo vestígios de um processo contínuo.
Tecidos e materiais
· Meus tecidos apresentam diversas texturas e gramaturas, em sua maioria poliamidas recicladas, entre tecidos leves e corduras militares, que espelham as fases da ecdise, desde sua forma mais contínua, até fragilidade.
· Uso de tecidos sintéticos reciclados que servem de base para intervenções têxteis, criando formas e texturas com calor.
Técnicas e acabamentos
· As texturas aparecem através do calor, bordados de miçangas, pregas feitas à mão, faixas que se sobrepõe e amarrações.
· O bordado de miçangas se inspira diretamente no toque, temperatura e textura da pele de um lagarto teiú, sendo uma relação estabelecida desde criança.
· O calor, que edifica a movimentação e dia a dia dos lagartos, trouxe texturas e formas novas para os tecidos, transformando algo liso e calmo, em movimentações e vida, assim como na vida de animais ectotérmicos.
Paleta de cores
· Tons que lembram as fases da pele de Zilla, desde a opacidade e desconforto, pré ecdise, até a brilhante e viçosa do novo eu, pós ecdise.
· Cinza: Opacidade, desconforto
· Preto: Novo eu, mudança, adaptado
· Verde: Camuflagem, se mimetizando, tentando encaixar nas novas formas impostas
FAAP Moda
21ª Edição
Participante
Amanda Navarro Guedes
Tema
Coleção “Mimetismo – Adaptação e Mistério”
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