Sofia Morais Marinho

“Wabi-sabi é uma beleza das coisas imperfeitas, impermanentes e incompletas.” — Leonard Koren

Quem decide o que é belo? Nunca vimos o rosto de quem dita essa regra. Só sentimos o peso do seu veredito: isso serve, aquilo não; isso é elegante, aquilo é estranho.

FAAP Moda

21ª Edição

Participante

Sofia Morais Marinho

Tema

Coleção “In-Concreto”

SOFIA-MORAIS-MARINHO

Quem decide o que é belo? Nunca vimos o rosto de quem dita essa regra. Só sentimos o peso do seu veredito: isso serve, aquilo não; isso é elegante, aquilo é estranho.

E, no entanto, toda vez que olhamos para trás, percebemos o mesmo padrão: o que foi rejeitado ontem é reverenciado hoje. O erro de uma época vira a beleza da próxima. Isso não fala sobre o objeto. Fala sobre quem olha.

E, no entanto, toda vez que olhamos para trás, percebemos o mesmo padrão: o que foi rejeitado ontem é reverenciado hoje. O erro de uma época vira a beleza da próxima. Isso não fala sobre o objeto. Fala sobre quem olha.

“Ninguém nasceu belo. Alguém decidiu que era.”

Esta coleção nasce dessa desconfiança. Ela procura a beleza no lugar onde ninguém foi ensinado a procurar: na imperfeição, na rachadura, no gesto que não se encaixa. Existe um pensamento japonês para isso, o wabi-sabi, que entende que nada é acabado, nada é permanente, e que é exatamente ali, na marca do tempo, que mora o que é realmente belo. Por isso o corpo aqui não se expõe: ele se envolve, se enrola, desaparece dentro do próprio tecido. Porque às vezes é preciso esconder para revelar o que importa.

E se o corpo se esconde, a estrutura não. Cresci cercada por concreto sem nunca ter olhado para ele, Brasília inteira é feita disso, e eu só enxerguei depois de anos. Uma beleza que não pede desculpas por ser rígida, que expõe cada amarração, cada peso, sem vergonha da própria construção.

No meio desse embate mora a orquídea, a flor da minha mãe, sobrevivente há 83 milhões de anos, crescendo onde ninguém esperava que ela coubesse. Ela é o vermelho que insiste em interromper o cinza. Me vejo nela, ocupando espaços que não foram feitos para mim.

Esta é uma coleção que prefere esconder o corpo para poder mostrar o que ele carrega.

Conceito
· O wabi-sabi, pensamento japonês segundo o qual nada é acabado nem permanente, e é na marca do tempo que mora o que é belo; a coleção cita Leonard Koren.
· O concreto que Sofia só enxergou depois de anos: uma beleza que expõe cada amarração, cada peso, sem vergonha da própria construção.
· A orquídea, flor da mãe de Sofia, sobrevivente há 83 milhões de anos, que cresce onde ninguém esperava que ela coubesse.

Silhuetas e modelagem
· Peças robustas, largas e pesadas, que envolvem o corpo sem marcar a silhueta.
· Modelagem inspirada na alfaiataria desconstruída.

Tecidos e materiais
· Tecidos pesados e robustos que remetem à lã, em sua maioria de poliéster, e também liocel.
· Alfaiataria em algumas peças.
· Uso do direito e do avesso do tecido na mesma peça, que cria visuais diferentes em cada lado.

Técnicas e acabamentos
· Alfaiataria desconstruída.
· Trabalho com o direito e o avesso do tecido, que traz visuais diferentes para a mesma peça.

Paleta de cores
· Tons de cinza e preto, off-white e vermelho escuro.

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21ª Edição

Participante

Sofia Morais Marinho

Tema

Coleção “In-Concreto”

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