Manuela Gottinger Silva

“Quantas versões de você caminham ao mesmo tempo, silenciosamente?”

Entre o que se mostra e o que se esconde, existe um corpo em conflito. ‘Doppelgänger’ nasce desse encontro: não com o outro, mas com aquilo que em nós insiste em permanecer não dito.

FAAP Moda

21ª Edição

Participante

Manuela Gottinger Silva

Tema

Coleção “Doppelgänger, dentro de nós éramos muitos”

MANUELA-GOTTINGER-SILVA

Entre o que se mostra e o que se esconde, existe um corpo em conflito. ‘Doppelgänger’ nasce desse encontro: não com o outro, mas com aquilo que em nós insiste em permanecer não dito.

Quando o corpo acelera, quando o peso altera o espaço, quando a trajetória muda, o tempo deixa de ser sequência e vira desvio.

INTERTEMPO nasce dessa instabilidade.

Quando o corpo acelera, quando o peso altera o espaço, quando a trajetória muda, o tempo deixa de ser sequência e vira desvio.

INTERTEMPO nasce dessa instabilidade.

“O tempo parece contínuo até ser observado de perto.”

A coleção parte da ideia do duplo como espelho imperfeito, uma presença que não distorce, mas revela. Aquilo que foi evitado, silenciado ou adiado ganha forma, textura e movimento. Camadas que não escondem, apenas deslocam o olhar.

Inspirada na origem do termo na Alemanha do século XVIII, onde o duplo era presságio e ruptura, a coleção traduz esse imaginário em uma linguagem contemporânea. O corpo torna-se palco de versões simultâneas, coexistindo em tensão. Não há unidade estável, apenas equilíbrio momentâneo entre extremos.

Silhuetas duplicadas, assimetrias calculadas e sobreposições criam a sensação de deslocamento. Tecidos que se repetem em variações sutis — ora rígidos, ora fluidos — evocam a instabilidade do eu. O formal fragmentado encontra superfícies mais orgânicas, como se duas narrativas disputassem o mesmo espaço. O resultado não é conflito resolvido, mas conflito visível.

A paleta transita entre contrastes: luz e sombra não como opostos, mas como continuidade. Tons densos, quase opacos, são atravessados por interferências mais cruas, revelando fissuras. Nada é completamente fechado — tudo sugere uma possibilidade de abertura.

“Doppelgänger” não propõe uma resposta, mas uma pergunta vestida no corpo: quantas versões de você caminham ao mesmo tempo, silenciosamente?

No fim, o duplo não substitui. Ele insiste.

Conceito
· A origem do termo na Alemanha do século XVIII, a lenda alemã que consiste na crença de que cada pessoa possui um duplo idêntico, uma representação misteriosa de si mesma que simboliza a dualidade da identidade e, no folclore, pode anunciar a morte.
· Nenhuma unidade estável, apenas equilíbrio momentâneo entre extremos.

Silhuetas e modelagem
· Silhuetas duplicadas, assimetrias calculadas e sobreposições que criam a sensação de deslocamento.
· O formal fragmentado encontra superfícies mais orgânicas, como se duas narrativas disputassem o mesmo espaço.

Tecidos e materiais
· Tecidos que se repetem em variações sutis, ora rígidos, ora fluidos, e evocam a dualidade.
· Transparências que revelam, metais que representam correntes, bordados com miçangas, trançados e rendas aplicadas.

Técnicas e acabamentos
· Desfiados, cortes naturais das peças de couro, pregas irregulares e bordados que seguiram a fluidez das silhuetas traduzem o imperfeito natural do eu.

Paleta de cores
· Luz e sombra como continuidade. Claro e escuro.
· Tons densos, quase opacos, atravessados por inferências mais cruas, que revelam fissuras.
· Nada completamente fechado: tudo sugere uma possibilidade de abertura.

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Manuela Gottinger Silva

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Coleção “Doppelgänger, dentro de nós éramos muitos”

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