Larissa Cardoso de Oliveira Dias

“Cada pincelada tenta alcançar aquilo que há de mais instável e precioso na paisagem, o instante.”

Antes de se tornar paisagem, o jardim já era mistério: um espaço onde a natureza se organiza e, ao mesmo tempo, escapa a qualquer ordem definitiva.

FAAP Moda

21ª Edição

Participante

Larissa Cardoso de Oliveira Dias

Tema

Coleção “Ateliê Botânico”

LARISSA-CARDOSO

Antes de se tornar paisagem, o jardim já era mistério: um espaço onde a natureza se organiza e, ao mesmo tempo, escapa a qualquer ordem definitiva.

Ao longo da história, a arte encontrou nesse território uma de suas fontes mais fecundas de inspiração, transformando flores, campos, céus e horizontes em vestígios de memória, luz e imaginação. Pouco a pouco, a pintura deixou de se limitar à fidelidade do visível para alcançar aquilo que pulsa além da aparência: a vibração da luz, o sopro do ar, a passagem do tempo, a subjetividade do olhar e, sobretudo, a intensidade do sentir.

Ao longo da história, a arte encontrou nesse território uma de suas fontes mais fecundas de inspiração, transformando flores, campos, céus e horizontes em vestígios de memória, luz e imaginação. Pouco a pouco, a pintura deixou de se limitar à fidelidade do visível para alcançar aquilo que pulsa além da aparência: a vibração da luz, o sopro do ar, a passagem do tempo, a subjetividade do olhar e, sobretudo, a intensidade do sentir.

“Incapazes de obedecer completamente à forma que as sustenta, elas carregam a memória do voo: já não pertencem mais ao pássaro, mas ainda guardam o gesto do ar.”

Artistas como Monet, Renoir, Cézanne, Max Slevogt, Emil Nolde, Dali, entre tantos outros, ampliaram a forma de enxergar o mundo natural. Em suas obras, a natureza não aparece apenas como cenário, mas como presença viva. Flores, águas, folhagens e horizontes tornam-se experiências visuais carregadas de cor, emoção e sonho, como se cada pincelada tentasse alcançar aquilo que há de mais instável e precioso na paisagem: o instante.

A coleção germina de uma contemplação sensível do jardim. Cada peça procura vestir aquilo que não se pode tocar: a atmosfera, a passagem da luz, o silêncio entre as folhas e o instante fugaz em que a natureza se transforma diante do olhar.

A luminosidade natural, os pigmentos que se encontram e se dissolvem sobre a tela e as pinceladas breves, quase intuitivas, tornam-se matéria para a construção de formas, texturas e movimentos. Tecidos fluidos, volumes de contornos orgânicos, bordados, sobreposições e superfícies táteis evocam reflexos que oscilam, solos que se transfiguram, pétalas levadas pelo vento e paisagens que parecem pulsar e respirar.

As plumas surgem como um dos elementos mais vibrantes da coleção. Incapazes de obedecer completamente à forma que as sustenta, elas carregam a memória do voo: já não pertencem mais ao pássaro, mas ainda guardam o gesto do ar. Representam a tentativa de capturar o leve, o frágil e o fugaz, aquilo que quase desaparece no momento em que é percebido.

Nessa narrativa, a cor branca dá início ao percurso. Ela surge como tela em preparação, como silêncio antes da primeira pincelada, como espaço aberto para todas as cores que ainda irão nascer. Aos poucos, leves misturas começam a se revelar. Tons pálidos, nuances suaves e saturações mais intensas atravessam a coleção como uma paisagem que desperta, amadurece e se transforma diante dos olhos.

Ao final, a coleção se encerra com a tela de minha autoria, transformada em peça e conduzida pelo corpo da modelo. A obra retrata uma cena de enfraquecimento do paisagismo: um ciclo que se encerra, uma estação que muda, uma natureza que já não se apresenta em plena abundância, mas ainda resiste.

Conceito
· A arte que, ao longo da história, transformou flores, campos, céus e horizontes em vestígios de memória, luz e imaginação.
· Pintores como Monet, Renoir, Cézanne, Max Slevogt e Emil Nolde, em cujas obras a natureza aparece como presença viva.
· A busca pelo instante: a vibração da luz, a passagem do tempo.

Silhuetas e modelagem
· Volumes de contornos orgânicos e sobreposições.
· Formas nascidas da luz natural e de pinceladas breves, quase intuitivas.
· Mistura de formas mais delimitadas com peças fluidas e vivas

Tecidos e materiais
· Tecidos fluidos e superfícies táteis, como pétalas levadas pelo vento.
· Plumas, um dos elementos mais vibrantes da coleção, que carregam a memória do voo.
· Uso de Seda, Tule e Musseline

Técnicas e acabamentos
· Bordados e sobreposições, como pigmentos que se dissolvem sobre a tela.
· No encerramento, uma tela pintada pela finalista vira peça, conduzida pelo corpo da modelo.
· Presença de três tipos diferentes de bordados a mão, matizado (com linha), aplicação (de pétalas e plumas) e pedraria.

Paleta de cores
· O branco abre o percurso, como tela em preparação e silêncio antes da primeira pincelada.
· Aos poucos surgem leves misturas, tons pálidos, nuances suaves e saturações mais intensas.
· Nuances de cores, ainda claras, continuam a narrativa, seguida por uma variação de tons de azul e finalizando com a mistura de todos os tons já apresentados.

[A cor atravessa a coleção como uma paisagem que desperta, amadurece e se transforma.]

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21ª Edição

Participante

Larissa Cardoso de Oliveira Dias

Tema

Coleção “Ateliê Botânico”

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