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Arte e Cultura
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FAAP Moda
21ª Edição
Participante
Daniel Cury Haddad
Tema
Coleção “Solos”
Com base nas mudanças climáticas, sociais e espirituais do mundo contemporâneo e por uma ótica de design, essa nova proposta de alfaiataria surge como resposta a tais mudanças, oferecendo ao usuário respostas práticas e subjetivas aos problemas que enfrenta nos dias de hoje.
Com base nas mudanças climáticas, sociais e espirituais do mundo contemporâneo e por uma ótica de design, essa nova proposta de alfaiataria surge como resposta a tais mudanças, oferecendo ao usuário respostas práticas e subjetivas aos problemas que enfrenta nos dias de hoje.
Em Solos, a roupa aparece como símbolo de proteção e sobrevivência, mas permeia o mundo espiritual, propondo soluções tanto para o mundo externo quanto o interno. Segundo o artista brasileiro Thiago Rocha Pitta, quanto mais nos reaproximamos da natureza mais precisamos nos revestir com roupas, equipamentos e proteção, ou seja, cultura. Tal noção me faz pensar que essa necessidade de nos cobrir com nossas próprias criações carrega não somente um peso funcional, mas também espiritual, uma noção de insegurança e incerteza mesmo diante de nosso primeiro habitat.
A partir daí, reimagino uma alfaiataria que nos acompanha em novos habitats, seja nas grandes cidades ou em movimento contínuo pelos espaços. Nesse novo cenário, a alfaiataria se adapta não só ao corpo físico, mas também à ideia de mobilidade e flexibilidade cotidiana, considerando que os espaços em que habitamos já não são mais fixos e constantes. O ato de vestir-se, portanto, ganha novas dimensões, trazendo consigo uma funcionalidade que responde tanto à nossa necessidade de proteção, quanto à fluidez dos tempos modernos. Em vez de moldes rígidos, as peças ganham volumes e texturas que se ajustam à mudança constante, refletindo a inquietação do mundo contemporâneo.
A alfaiataria sempre se ocupou em servir ao corpo do usuário com caimento, tecido e funcionalidade adequados a situação da época, porém esse usuário e essa época mudaram radicalmente nos últimos anos, e vão mudar ainda mais nos anos que estão por vir. Minha proposta de alfaiataria busca servir a um novo corpo e a novas circunstâncias, respeitando a essência do ofício, mas questionando códigos e símbolos reproduzidos nos dias hoje.
Conceito
· A coleção “Solos” parte de uma ótica de design para pensar em uma alfaiataria brasileira do futuro. Os códigos clássicos da alfaiataria são reinterpretados para criar uma roupa adaptada aos novos ambientes, climas, paisagens e cidades.
Silhuetas e modelagem
· Silhuetas amplas preservam as formas reconhecíveis da alfaiataria, mas subvertem suas formas de uso. Manga morcego, vista com construção de cós, sobreposições, pregas e aberturas na pala favorecem o movimento e a respirabilidade, enquanto amarrações permitem diferentes configurações das peças.
Tecidos e materiais
· Lã fria e tricoline de algodão se combinam a tecidos tecnológicos de poliamida, explorando leveza, respirabilidade e contraste. Estampas clássicas de camisaria são reinterpretadas em novas modelagens, trazendo novos significados para códigos clássicos
Técnicas e acabamentos
· Fitas reguláveis por ilhós permitem abrir, fechar e adaptar as peças ao corpo. Botões magnéticos agilizam o vestir e o despir. Nas bermudas, barras cortadas a fio recebem acabamento para evitar o desfiamento, preservando a ideia de uma adaptação aparentemente improvisada para tornar uma calça mais curta e respirável.
Paleta de cores
· Preto, branco e tons de cinza remetem à alfaiataria clássica, enquanto pontos de cor associados ao design industrial e às paisagens brasileiras introduzem um contraste harmônico e reconhecível.
FAAP Moda
21ª Edição
Participante
Daniel Cury Haddad
Tema
Coleção “Solos”
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