nš 10 - 2º semestre de 2002 
 

fotográfica, mais reconhecida, já que trazia com consistência um toque de humor capaz de desconcertar os clientes mais convencionais.

Além da produção de retratos realizados tanto no estúdio, quanto fora dele (é considerado um dos responsáveis pela moda dos retratos de formatura, inaugurando as poses clássicas dos bacharéis da Faculdade de Direito do Largo São Francisco). Valério produziu ainda uma série de trabalhos por encomenda, entre os quais podemos destacar uma tiragem de cartões postais de São Paulo (vistas da cidade e cenas das fazendas do interior do estado onde era forte a presença do imigrante italiano) e do Rio de Janeiro (vistas da capital federal), produzidos especialmente para divulgar o Brasil na Feira Internacional de Torino, Itália, em 1911, razão pela qual a série foi impressa em várias línguas. O Brasil teve um Pavilhão representativo no evento e mais uma vez seu trabalho obteve reconhecimento e premiação internacional.

Outra vertente interessantíssima de seu trabalho foi a criação de diversos panoramas da cidade de São Paulo e de fazendas do interior do estado, que produziu entre 1905 e 1922.

Na realidade, ele foi na época o introdutor desses panoramas, reproduzidos em grande formato. Em 1908, Valério Vieira foi premiado na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, com um panorâmico painel fotográfico da cidade de São Paulo, realizado por volta de 1904, medindo 11,0 X 1,43m e ganhou a medalha do "Grande Prêmio Centenário da Abertura dos Portos". Seu mais famoso panorama foi exibido na cidade do Rio de Janeiro em 1922, por ocasião do Centenário da Independência do Brasil, com aproximadamente 14m de extensão por 1,60m de altura. Esse painel, foi encomendado pela Prefeitura de São Paulo para representar a cidade na exposição do centenário e tornou-se a única peça sobrevivente, graças a uma camada de pintura a óleo que acabou protegendo a imagem, inicialmente fotográfica. Casualmente, o panorama foi reencontrado em 1972 e exibido no Masp, na exposição organizada por Pietro Maria Bardi por ocasião do cinqüentenário da Semana de Arte Moderna. Após a exposição a fotografia foi encaminhada ao recém criado Museu da Imagem e do Som, onde ficou esquecido por quase 25 anos até ser novamente reencontrado e, finalmente, em 1998 restaurado e exibido em maio do ano seguinte, por ocasião do IV Mês Internacional da Fotografia.

Outro fotógrafo das primeiras décadas do século XX que merece ser destacado é o alagoano Augusto Malta (1864-1957), que desenvolveu, na cidade do Rio de Janeiro, o mais sério e sistemático trabalho documental no espaço urbano. Nomeado pelo então prefeito Francisco Pereira Passos, tornou-se o primeiro fotógrafo oficial, já que foi contratado pela prefeitura para registrar as grandes


Cartão Postal, edição de 1911