Exposição Mulheres, Artistas e Brasileiras

De 24 de março a 8 de maio de 2011


Exposição homenageia o papel social e cultural alcançado pelas mulheres e apresenta obras de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, protagonistas da Semana de Arte Moderna de 1922 e do modernismo brasileiro. Obra “Abaporu” será destaque


O século XX foi determinante para a luta das mulheres brasileiras na busca de emancipação e de direitos iguais. A Semana de Arte Moderna de 1922 consagrou-se como movimento artístico-cultural que influenciou todas as manifestações artísticas da época. No caso específico das artes plásticas, apresentou uma nova linguagem visual que rompia com a ordem acadêmica do período. Ainda que paralelamente à instituição do direito ao voto pela Constituição de 1934 e às conquistas que estariam por vir, as mulheres encontraram na arte diversas maneiras de se manifestar e ter participação mais ativa na sociedade.


Para homenagear essas e todas as mulheres no mês em que se comemora mundialmente seu dia, cerca de 80 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, tapeçarias, esculturas e objetos produzidos ao longo do século XX, compõem a mostra Mulheres, Artistas e Brasileiras, que será aberta ao público no dia 24 de março, no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília.


A convite do Palácio do Planalto, a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) organizou a mostra, que tem patrocínio do Banco do Brasil e traça um panorama da produção artística realizada por artistas brasileiras encontrada a partir dos acervos de órgãos públicos, como o Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, e dos acervos do Museu de Arte Brasileira da FAAP, do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, do Museu de Arte de Brasília, do Museu Nacional de Belas Artes, do Museu Castro Maya e do Museu da República.


A exposição será dividida em oito blocos. O primeiro reunirá 29 pinturas e nele serão homenageadas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, principais representantes do modernismo brasileiro. Também poderá ser apreciada a tela de Djanira, retirada do gabinete da presidenta Dilma Rousseff especialmente para a exposição, e obras das artistas Zélia Salgado, Tomie Ohtake,

Leda Catunda, entre outras. O segundo bloco é composto por desenhos de artistas como Noêmia Mourão e Mira Schendel. O passeio pela mostra conduz ao espaço que concentra 14 esculturas e objetos criados por Regina Silveira, Mary Vieira e Maria Martins.

Na seção de gravuras são dispostas 18 obras de, entre outras, Renina Katz, Maria Bonomi, Anna

Letycia e Fayga Ostrower. Em fotografias, três artistas, dentre elas Rosângela Rennó, apresentam seus olhares. O espaço dedicado à tapeçaria reúne peças de Gilda Azevedo e Shirley Paes Leme, que culminam na seção dedicada às obras que abrangem a cultura popular brasileira. Estarão expostas pinturas de Dalva de Oliveira, Cidinha Pereira e Zica Bergami. O percurso pela trajetória artística das mulheres é encerrado com o símbolo do pensamento antropofágico do movimento modernista: o Abaporu, pintado a óleo sobre tela, de Tarsila do Amaral.


O nome Abaporu significa, em tupi, “homem que come gente”, uma referência à proposta modernista de “deglutir” a cultura estrangeira, fazendo uma releitura com base na realidade brasileira.


Desde 1995, o quadro pertence ao colecionador argentino e empresário Eduardo Constantini. Ele incorporou a obra ao acervo do Malba (Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires).


O curador José Luis Hernández Alfonso, do Museu de Arte Brasileira da FAAP, comenta que as artistas modernistas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral serão as principais homenageadas, por terem dado início à sólida e constante participação da mulher na arte brasileira. “A elas juntam-se Georgina de Albuquerque, exemplo da arte pré-modernista, Noêmia Mourão, Colette Pujol e Djanira, representantes da continuidade do primeiro modernismo. Também poderão ser apreciadas produções de Lygia Pape e Mira Schendel, expoentes da arte contemporânea internacional, assim como obras de Tomie Ohtake, Edith Behring e Renina Katz. Ainda será possível admirar criações de artistas de gerações mais recentes, dentre elas Geórgia Kyriakakis, Mariannita Luzzati, Leda Catunda e Rosângela Rennó”, explica Alfonso.


Tradição cultural


Inaugurado em 1961, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, com sede em São Paulo, completa 50 anos com 468 exposições realizadas desde a sua fundação. Sempre gratuitas, as mostras ressaltam tanto a arte e a cultura brasileira, como a arte internacional através de grandes exposições trazidas dos principais museus do mundo.


Desde 1995, a FAAP realiza exposições em Brasília em parceria com importantes instituições, como a Presidência da República, o Ministério das Relações Exteriores, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Escola Superior do Ministério Público (ESMPU) e o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).


Com a abordagem de temas que permeiam a história do Brasil, as mostras já discutiram o preconceito, a discriminação e a solidariedade, como em Todos Somos Um; manifestações artísticas através da arquitetura e do design brasileiros, em Vertentes; a história das Constituições, em As Constituições Brasileiras; a trajetória do cinema por meio de cartazes, em Brasil – O Cinema em Cartaz, entre outras. As exposições sempre são pensadas didaticamente, com o objetivo de atender a todos os públicos e proporcionar a compreensão e o conhecimento por meio da arte.


Exposição Mulheres, Artistas e Brasileiras


Data:
de 24 de março a 8 de maio de 2011
Horário: segunda a sexta, das 10h às 16h e das 18h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Local: Salão Oeste do Palácio do Planalto
Endereço: Praça dos Três Poderes – Brasília/DF
Agendamento de visitas: (61) 3033-2929



Entrada franca


A FAAP e o Palácio do Planalto oferecem também visitas educativas à exposição com transporte gratuito para escolas públicas.