Chegadas e Partidas

Esse núcleo, localizado na entrada da mostra, apresenta objetos emblemáticos de patrimônio cultural, destacando artes e ofícios, festas, lazer e religiosidade, assim como lembranças e objetos de uso pessoal.

Inclui, ainda, referências relativas aos povos indígenas, aos conquistadores portugueses, aos escravos africanos, aos imigrantes estrangeiros, aos nacionais e aos seus descendentes.

Neste espaço, o visitante poderá informar-se sobre as ocupações e os modos de vida dos vários grupos que compõem a população paulistana, através de imagens e objetos associados a seu cotidiano. Essas informações são contextualizadas pela saga da viagem, pela emoção dos encontros e despedidas e pelas separações.

Roda da Fortuna

Este núcleo temático é expresso pelo conceito de "fortuna", em todos os seus sentidos (riqueza, destino, sucesso). Focaliza de forma dinâmica o choque entre opulência e miséria e, conseqüentemente, a exclusão em termos econômicos e humanos. O tema é apresentado em quatro segmentos.

A passagem do século XIX para o XX é identificada pelo conceito de energia. Esta idéia se refere tanto à eletricidade, que foi a força motriz da indústria, da renovação urbana e das condições de vida na cidade, quanto ao ouro verde, que provoca importantes movimentos de população e a acumulação de riqueza, então marcantes na vida paulistana. A Exposição do Palácio das Indústrias, realizada em 1917, exibiu os frutos do progresso alcançado pela economia paulista. Nesse mesmo ano, a cidade expõe suas tensões, registrando a primeira greve geral dos operários. A contrapelo desse imenso enriquecimento, perduram a pobreza da população e os problemas como as inundações periódicas dos rios que atravessam a cidade.

O segundo segmento faz a releitura crítica das referências e tradições nativas a partir de uma ótica cosmopolita e multicultural. Ao mesmo tempo, mostra as visões de São Paulo como uma cidade promissora, que se expande horizontal e verticalmente, e que foi preparada para o seu futuro promissor pelo Plano de Avenidas elaborado por Prestes Maia, em 1930: apesar da crise do café, não havia espaço para pessimismo em São Paulo, cidade-futuro.

Desde 1917, com a escolha do lema "Non ducor duco" para o brasão do município, o ufanismo bandeirante é fortalecido e reforçado nos anos 30 e 40. São Paulo foi considerada a cidade-progresso, que em 1954 comemorou de forma marcante o seu IV Centenário, adotando significativamente uma espiral ascendente como emblema.

Casa Televisual

Este módulo retrata os ambientes privados enquanto lugares de sociabilidade e os espaços domésticos, representados pelas tecnologias de comunicação e reprodução, como o território mínimo da vida paulistana.

Vídeos são projetados para mostrar variados arranjos domiciliares: indivíduos sozinhos, pessoas de diferentes idades, origens e classes sociais. Os assuntos são relações e conflitos de gênero e de gerações, a presença da mídia na vida privada, diferenças de padrões de consumo e de estilos de vida. Estes vídeos são muito fragmentados e focalizam pessoas conversando, trabalhando, escrevendo no computador, comendo, lendo, assistindo televisão e assim por diante.

Pretende-se que as imagens façam sentido em seu conjunto, por sua contigüidade, provocando reflexão sobre matizes da vida cotidiana, a reinvenção das identidades e os usos do espaço doméstico hoje em São Paulo.