nš 10 - 2º semestre de 2002 
 

" Curiosamente nossa
vanguarda incluiu no
seu programa, a
pintura, a literatura,
a escultura, a
música e a
arquitetura, mas
esqueceu da
fotografia e do
cinema... "


F o t o g r a f i a e M o d e r n i d a d e: referências e experiências isoladas
Rubens Fernandes Junior

A história da fotografia no Brasil da primeira metade do século XX, apesar de já ter relacionado os profissionais atuantes mais expressivos e os marcos históricos - técnicos e estéticos -, que revolucionaram a linguagem fotográfica, podemos verificar que ainda existem lacunas para preencher e novas pesquisas poderão propiciar descobertas que trarão à luz uma leitura renovada da questão através das diferentes formas de produção e manipulação da imagem fotográfica. Este ensaio tem como objetivo a análise de alguns momentos já conhecidos, considerados as rupturas mais significativas que detonaram um olhar moderno sobre a produção técnica imagética do período.

A fotografia produzida nas primeiras décadas do século XX pode ser destacada através de alguns de seus principais nomes, cujas obras se inscrevem em qualquer ontologia do período. A reunião de alguns dos principais momentos contempla tanto a fotografia documental, arrojada e refinada, do profissional atuante no Brasil, quanto a produção que questiona a materialidade dos suportes e as diversas possibilidades de manipulação e construção da imagem fotográfica. Nesse período, evitou-se reforçar a visão de país exótico e generoso, grandioso e fácil, tão difundido no exterior através das imagens produzidas no século XIX, para mostrar uma nova identidade visual, assumida através do traço paradoxal do harmonioso e do dissonante. Ao mesmo tempo, podemos constatar que essa produção fotográfica sempre esteve em fina sintonia com o melhor da fotografia produzida nas grandes metrópoles, tanto as mais tradicionais, como as de vanguarda.

Alguns dos momentos que aqui destacaremos representam os diferentes aspectos da modernidade que chegaram à fotografia brasileira, mesmo que tardiamente. Em 1922, por ocasião da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo, diferentemente de todas as manifestações de vanguarda, ocorridas principalmente na Europa, a fotografia e o cinema não foram contemplados como linguagem e manifestação. Curiosamente nossa vanguarda incluiu no seu programa, a pintura, a literatura, a escultura, a música e a arquitetura, mas esqueceu da fotografia e do cinema, embora estas representassem as mais contemporâneas e revolucionárias possibilidades de expressão e linguagem naquele momento, sendo incluídas em todas as manifestações de rupturas das vanguardas européias, principalmente o Futurismo italiano e o Dadaísmo, movimentos mais próximos dos artistas brasileiros. Portanto, é notória a ausência de uma produção gerada pelas imagens técnicas, que trouxeram novas conceituações e novos questionamentos sobre como e porquê olhar o mundo visível.

Se uma das principais características da modernidade não é só incorporar as técnicas