| Os programas de humor também
agradam em cheio. Nessa mesma época, a TV Tupi apresentava,
todas as tardes, a novela "Lar Doce Lar". Às cinco
da tarde, um programa feminino, fechando com outra novela noturna
até chegar o momento do grande e inesquecível "Repórter
Esso".
A TV Excelsior começa a roubar os grandes
atores da Tupi e surge a primeira grande mudança significativa
na televisão brasileira. Os atores Tarcísio Meira
e Glória Menezes, que tinham acabado de fazer o filme "Cleópatra",
começam suas carreiras na televisão com a novela "2-5499
Ocupado": a primeira novela diária da televisão
brasileira. Gravada em vídeo-tape, foi trazida por Edson
Leite da Argentina, que na época era o diretor geral da Excelsior.
Foi uma tremenda revolução na TV. A concorrência
sentiu o golpe.
A televisão cria o Jornal Nacional, e o
seu grande marco é a transmissão ao vivo do primeiro
homem pisando na Lua: o Brasil parou para ver, via satélite,
Neil Armstrong dar seus pulinhos no símbolo dos namorados.
1970 e outro momento mágico vive a televisão
brasileira: a transmissão da Copa do México e, o que
é melhor, "Brasil Tricampeão" - Gerson,
Pelé, Rivelino, nossa, tudo isso na cara da gente!!! A festa
era total, num pool de emissoras os locutores se revezavam, transmitindo
cada um apenas um tempo de cada jogo do Brasil. Mas não podemos
esquecer da ditadura, que era cada vez mais presente em nosso país.
Assistir peças de teatro como "Roda Viva", de Chico
Buarque de Holanda, era, sem dúvida nenhuma, pedir para apanhar
da polícia.
Novelas de Janete Clair emocionaram o país,
entre elas "Selva de Pedra" (1972) e "Pecado Capital"
(1975) e o Jornal Nacional, com o apresentador Cid Moreira, se tornou
cada vez mais presente no nosso dia a dia. A Rede Globo de Televisão
começava a oferecer uma programação consistente
que pedia fidelidade ao seu telespectador e dava em troca o "Padrão
de Qualidade Globo", através do todo-poderoso Boni:
sem dúvida, o maior homem da televisão no Brasil,
que oriundo do rádio, produziu discos e trabalhou em agências
de publicidade. Sua especialidade era misturar todos os programas
e criar a melhor programação em forma de pirâmide
que a televisão brasileira já pôde ver.
Já se percebia uma variedade muito rica
de programas na televisão, e o jornalismo, sempre presente,
transmitia ao vivo uma das maiores tragédias ocorridas em
São Paulo, quando o Edifício Andraus fervia em chamas.
O Brasil parou para ver esse triste acontecimento. Assim caminhava
a televisão brasileira.
Mas também tivemos coisas mais amenas,
como "A Praça da Alegria" do saudoso Manoel da
Nóbrega, que cria, na época, um programa de televisão
que faz sucesso até hoje. Talvez seja o mais antigo da televisão
brasileira, que foi passado de pai para filho e, sem dúvida,
isso irá se repetir novamente.
E a "Família Trapo", com Zeloni,
Ronald Golias (um dos maiores humoristas que o Brasil já
conheceu) e Jô Soares, o mordomo da família. Jô
e Carlos Alberto de Nóbrega escreviam a maioria dos episódios
da "Família Trapo", que era apresentado todos os
sábados à noite , pela TV Record de São Paulo.
Na mesma época surgem os sitcoms (termo usado pelos americanos
para comédias de situação), tais como "I
love Lucy", um dos maiores sucessos aqui no Brasil, e outros
seriados como "Perdidos no Espaço", com o velho
e sempre atrapalhado Dr. Smith discutindo com o robô da família
Robinson. Por aqui a gente se delicia com "Shazam, Xerife &
Cia", com Paulo José e Flávio Migliaccio.
Mas, em televisão, "quem não
se comunica se trumbica .... eu vim aqui para confundir e não
para explicar..." O nosso querido velho guerreiro, o Chacrinha,
com seus programas de calouros, e toda sua técnica de conduzir
um programa de auditório e entretenimento, sem compromisso
com nada, apenas em fazer aquilo que se gosta, de uma maneira clara,
limpa e honesta, sempre com o seu Troféu Abacaxi!!! "Quem
vai querer..."
1980: a Philco lança o primeiro videogame
para a TV no país, o "Telejogo". A televisão
passa a ser para a criançada e, por que não, para
os adultos também. Surge uma nova maneira de diversão
(agora sob o comando do telespectador) e, em 1982, a Sharp lança
o primeiro vídeo-cassete. Pronto! A televisão brasileira
acabou!!! Todos nós só vamos ver filmes, acontece
o boom das locadoras de vídeos (abria uma a cada esquina).
Enfim o cinema chegava em casa, com direito a pipoca, o conforto
do lar doce lar e o melhor: sem intervalos comerciais. Uma nova
mania surgia na cidade: amigos reuniam-se para assistir vários
filmes nos finais de semana, as promoções das vídeo-locadoras
eram infinitas (leve três e pague dois), as fitas de vídeo
estavam concorrendo com os produtos em promoção nos
supermercados.
Agora então a televisão morreu de
vez... Mas Hebe Camargo seguia firme com seu programa e sua audiência
cativa nas noites de segunda-feira, com sua risada inconfundível
e sua simpatia proposital. A degustadora de cervejas não
perdia a oportunidade de virar um copo cheio do malte sem sequer
tomar fôlego. A inconfundível apresentadora sabia e
sabe, até hoje, como comandar um dos programas de maior sucesso
da televisão brasileira. Tanto que muitas acabam se espelhando
na sua forma de apresentar e conduzir entrevistas. Adriane Galisteu
é uma delas: a nova loirinha que já deu certo.
E no dia 28 de fevereiro de 1986, com uma inflação
de 250% ao ano e os gastos públicos fora de controle, o Brasil
decide enfrentar o Dragão!!! O Presidente José Sarney,
às nove horas e trinta minutos de uma sexta-feira, anuncia
aos brasileiros o fortíssimo pacote econômico que extinguia
três zeros da nova moeda, acabava com a correção
monetária e novamente a televisão estava presente
como fonte de informação.
A Rede Globo de Televisão também
investe nos festivais, e o cantor e compositor Guilherme Arantes
vence com a música "Planeta Água" e Tetê
Spínola aparece com a música "Escrito nas Estrelas".
O efeito "Dancing Days" (com Sônia
Braga e Antonio Fagundes) varre o país: as discotecas começavam
a fervilhar e "As Frenéticas" (obra de Nelson Motta)
dia sim outro também estavam na "Discoteca do Chacrinha":
era a hora de "abrir as asas, cair na gandaia e entrar na festa!!!",
como a música dizia.
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