nº 9 - 2 semestre de 2001      


Edson Gardin
Os programas de humor também agradam em cheio. Nessa mesma época, a TV Tupi apresentava, todas as tardes, a novela "Lar Doce Lar". Às cinco da tarde, um programa feminino, fechando com outra novela noturna até chegar o momento do grande e inesquecível "Repórter Esso".

A TV Excelsior começa a roubar os grandes atores da Tupi e surge a primeira grande mudança significativa na televisão brasileira. Os atores Tarcísio Meira e Glória Menezes, que tinham acabado de fazer o filme "Cleópatra", começam suas carreiras na televisão com a novela "2-5499 Ocupado": a primeira novela diária da televisão brasileira. Gravada em vídeo-tape, foi trazida por Edson Leite da Argentina, que na época era o diretor geral da Excelsior. Foi uma tremenda revolução na TV. A concorrência sentiu o golpe.

A televisão cria o Jornal Nacional, e o seu grande marco é a transmissão ao vivo do primeiro homem pisando na Lua: o Brasil parou para ver, via satélite, Neil Armstrong dar seus pulinhos no símbolo dos namorados.

1970 e outro momento mágico vive a televisão brasileira: a transmissão da Copa do México e, o que é melhor, "Brasil Tricampeão" - Gerson, Pelé, Rivelino, nossa, tudo isso na cara da gente!!! A festa era total, num pool de emissoras os locutores se revezavam, transmitindo cada um apenas um tempo de cada jogo do Brasil. Mas não podemos esquecer da ditadura, que era cada vez mais presente em nosso país. Assistir peças de teatro como "Roda Viva", de Chico Buarque de Holanda, era, sem dúvida nenhuma, pedir para apanhar da polícia.

Novelas de Janete Clair emocionaram o país, entre elas "Selva de Pedra" (1972) e "Pecado Capital" (1975) e o Jornal Nacional, com o apresentador Cid Moreira, se tornou cada vez mais presente no nosso dia a dia. A Rede Globo de Televisão começava a oferecer uma programação consistente que pedia fidelidade ao seu telespectador e dava em troca o "Padrão de Qualidade Globo", através do todo-poderoso Boni: sem dúvida, o maior homem da televisão no Brasil, que oriundo do rádio, produziu discos e trabalhou em agências de publicidade. Sua especialidade era misturar todos os programas e criar a melhor programação em forma de pirâmide que a televisão brasileira já pôde ver.

Já se percebia uma variedade muito rica de programas na televisão, e o jornalismo, sempre presente, transmitia ao vivo uma das maiores tragédias ocorridas em São Paulo, quando o Edifício Andraus fervia em chamas. O Brasil parou para ver esse triste acontecimento. Assim caminhava a televisão brasileira.

Mas também tivemos coisas mais amenas, como "A Praça da Alegria" do saudoso Manoel da Nóbrega, que cria, na época, um programa de televisão que faz sucesso até hoje. Talvez seja o mais antigo da televisão brasileira, que foi passado de pai para filho e, sem dúvida, isso irá se repetir novamente.

E a "Família Trapo", com Zeloni, Ronald Golias (um dos maiores humoristas que o Brasil já conheceu) e Jô Soares, o mordomo da família. Jô e Carlos Alberto de Nóbrega escreviam a maioria dos episódios da "Família Trapo", que era apresentado todos os sábados à noite , pela TV Record de São Paulo. Na mesma época surgem os sitcoms (termo usado pelos americanos para comédias de situação), tais como "I love Lucy", um dos maiores sucessos aqui no Brasil, e outros seriados como "Perdidos no Espaço", com o velho e sempre atrapalhado Dr. Smith discutindo com o robô da família Robinson. Por aqui a gente se delicia com "Shazam, Xerife & Cia", com Paulo José e Flávio Migliaccio.

Mas, em televisão, "quem não se comunica se trumbica .... eu vim aqui para confundir e não para explicar..." O nosso querido velho guerreiro, o Chacrinha, com seus programas de calouros, e toda sua técnica de conduzir um programa de auditório e entretenimento, sem compromisso com nada, apenas em fazer aquilo que se gosta, de uma maneira clara, limpa e honesta, sempre com o seu Troféu Abacaxi!!! "Quem vai querer..."

1980: a Philco lança o primeiro videogame para a TV no país, o "Telejogo". A televisão passa a ser para a criançada e, por que não, para os adultos também. Surge uma nova maneira de diversão (agora sob o comando do telespectador) e, em 1982, a Sharp lança o primeiro vídeo-cassete. Pronto! A televisão brasileira acabou!!! Todos nós só vamos ver filmes, acontece o boom das locadoras de vídeos (abria uma a cada esquina). Enfim o cinema chegava em casa, com direito a pipoca, o conforto do lar doce lar e o melhor: sem intervalos comerciais. Uma nova mania surgia na cidade: amigos reuniam-se para assistir vários filmes nos finais de semana, as promoções das vídeo-locadoras eram infinitas (leve três e pague dois), as fitas de vídeo estavam concorrendo com os produtos em promoção nos supermercados.

Agora então a televisão morreu de vez... Mas Hebe Camargo seguia firme com seu programa e sua audiência cativa nas noites de segunda-feira, com sua risada inconfundível e sua simpatia proposital. A degustadora de cervejas não perdia a oportunidade de virar um copo cheio do malte sem sequer tomar fôlego. A inconfundível apresentadora sabia e sabe, até hoje, como comandar um dos programas de maior sucesso da televisão brasileira. Tanto que muitas acabam se espelhando na sua forma de apresentar e conduzir entrevistas. Adriane Galisteu é uma delas: a nova loirinha que já deu certo.

E no dia 28 de fevereiro de 1986, com uma inflação de 250% ao ano e os gastos públicos fora de controle, o Brasil decide enfrentar o Dragão!!! O Presidente José Sarney, às nove horas e trinta minutos de uma sexta-feira, anuncia aos brasileiros o fortíssimo pacote econômico que extinguia três zeros da nova moeda, acabava com a correção monetária e novamente a televisão estava presente como fonte de informação.

A Rede Globo de Televisão também investe nos festivais, e o cantor e compositor Guilherme Arantes vence com a música "Planeta Água" e Tetê Spínola aparece com a música "Escrito nas Estrelas".

O efeito "Dancing Days" (com Sônia Braga e Antonio Fagundes) varre o país: as discotecas começavam a fervilhar e "As Frenéticas" (obra de Nelson Motta) dia sim outro também estavam na "Discoteca do Chacrinha": era a hora de "abrir as asas, cair na gandaia e entrar na festa!!!", como a música dizia.

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