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de setembro de 1950: às 21 horas, Dr. Assis brindava dizendo:
"Vamos saudar a inauguração do mais subversivo
instrumento de comunicação deste século!"
"Câmera Um", programa feito
apenas com uma câmera e "ao vivo", contava histórias
de terror e suspense - eram peças de teatro do tipo grande
guigno. O nome vem do teatro francês que fazia esse tipo de
peça. Para a época, um programa com direção
avançada e ousada, pois baseava-se nos filmes de Hitchcock,
entre os quais "The rope" (no Brasil, "Festim diabólico").
A inovação apresentada pelo grande cineasta consistia
em dirigir o filme inteiro num único plano e, para eliminar
os cortes, paredes e móveis do cenário se moviam. Jacy
Campos, diretor do "Câmera Um", colheu glórias
pela sua audácia para a época.
Tudo (desde o momento de entrar no ar até
seu fechamento) era "ao vivo". Lenda ou fato, a atriz
Neide Alexandre, como garota propaganda, querendo demostrar a resistência
de um prato que o fabricante dizia ser inquebrável, jogou-o
no chão!!!!!! Dito e feito!!!! Espatifou-se e nem era possível
chamar "nossos comercias, por favor!!!"
A televisão era um espetáculo diário
com 12 a 14 horas ininterruptas, trabalhava-se sete dias por semana,
com muito improviso, pouca responsabilidade e todos os problemas
eram resolvidos com muita criatividade.
"
Que a televisão não seja sempre vista como a montra
condenada, a fenestra sinistra, mas tomada pelo que ela é
de Poesia." - " Santa Clara, Padroeira da Televisão",
de Caetano Veloso, no disco Circuladô - 1991.
1960 e a televisão brasileira já
estava a todo vapor: chegava o vídeo-tape, as novelas abraçavam
uma maior audiência, os seriados americanos chegavam sem parar
(quem não se lembra de "Papai sabe tudo"). Também
ia ao ar o "Grande Teatro", às segundas-feiras, com
um elenco de atores do TBC - Teatro Brasileiro de Comédia,
que incluía Sérgio Brito, Ítalo Rossi e Fernanda
Montenegro. A TV Tupi de São Paulo, juntamente com a TV Record,
apresentavam os melhores programas de entretenimento para um país
que vivia a própria ditadura, selvagem, agressiva e intimidadora.
Na certa, assistir televisão era para poucos, só em
preto e branco e, muitas vezes, na casa do vizinho - o televizinho:
aquele mais rico da rua que era invejado por todos, pois ele tinha
uma "TELEVISÃO".
Também nessa época surge a Jovem
Guarda, apresentada por um rapaz franzino, tímido, que a
TV Record transformaria no maior cantor brasileiro de todos os tempos.
"Essa garota é papo firme..." e tantos outros sucessos
levaram Roberto Carlos a ter uma das maiores audiências das
tardes de domingo. Hoje, Rede Globo e SBT brigam com a incapacidade
e o besteirol eletrônico para ver quem é o primeiro
(pior).
Ninguém da época dos pioneiros
imaginaria assistir atentados terroristas ao vivo na caixinha mágica
(apelido que ganhou nos últimos tempos), com imagens tão
impressionantes que só o cinema, até então,
tinha ousado criar.
"A
televisão é honesta : a cada 15 minutos ela interrompe
os programas para dizer: 'nós estamos aqui para vender extrato
de tomate e sabonete.' Não se deve cobrar dela uma função
educativa, porque a vocação dela é ser comercial".
Sílvio de Abreu
"Almoço com as estrelas", programa
de 1966 apresentado por Airton Rodrigues e Lolita Rodrigues, esteve
no ar por vários anos pela TV Tupi de São Paulo. Sua
receita era simples: os artistas mais famosos da época sempre
marcavam sua presença e, com isso, ganhou muitos pontos de
audiência. Assim como Hebe Camargo, que em 1963 iniciou uma
nova fase deixando a emissora e se dedicando ao casamento com Décio
Capuano.
Mas a TV Tupi já experimentava a
concorrência e a televisão carioca começava
a ganhar espaço também em São Paulo, com artistas
de primeira linha. O apresentador Flávio Cavalcanti fazia
quadros com Antônio Carlos Jobim (até então
um desconhecido maestro em início de carreira): ninguém
podia perder a "Noite de Gala".
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