nº 9 - 2 semestre de 2001      


Luiz Felipe Pondé
Como resultado de sua viagem pelos Estados Unidos, Tocqueville publica sua monumental "Democracia na América"(1835), obra fundamental para pensarmos as raízes da sociedade atual "globalizada". Para alguns pode parecer estranho pensarmos que um francês de viés aristocrático do XIX poderia nos ensinar algo sobre nós mesmos. A imagem de Tocqueville andando pela América é quase a de um diletante, uma espécie de "Baudelaire das ciências sociais", mas suas observações sobre a emergente sociedade democrática americana são precisas, e de certo modo, assustadoras - como vimos na curtíssima seleção exemplificada acima. Poder-se-ia dizer que suas preocupações enquanto "liberal" pós-revolucionário que era se constituíam na tentativa de ver como uma democracia empiricamente verificável poderia harmonizar liberdade e igualdade sem que tal processo implicasse em uma espécie de totalitarismo da maioria. Tocqueville observa que o modelo americano é "irresistível" e que muito provavelmente se tornará hegemônico justamente por romper com a carga do grande contexto europeu que era o "Passado" - a "tradição" estéril. O homem americano, menos preocupado com o passado, é voltado para o futuro, para o veloz, o que de certo modo lhe dá uma certa "leveza". O rompimento com a hierarquia por nascimento cria a nova hierarquia pelo sucesso. Despreocupado com qualquer longa cadeia de raciocínio que resvale no abstrato (que implica no desperdício desta fundamental "commodity" que o tempo), o habitante da jovem democracia não perde tempo com idéias complicadas que não deixem ver sua transparente objetividade utilitarista . Nosso novo homem abre mão facilmente daquilo que denominaríamos, arcaicamente (ou aristocraticamente), "verdade" profunda do conhecimento por uma forma de saber (mais "ágil") que de fato cause uma alteração no real, alteração esta produtiva, no sentido de moldar o mundo a partir de nossas necessidades instrumentais: da verdade a ação útil. Tocqueville conta aqui uma espécie de história social da filosofia americana que surgirá uns 50 anos depois através de autores como John Dewey e William James, o pragmatismo ("pragma" em grego ático significa algo como "ação"). O pragmatismo é uma filosofia de alto teor relativista que abrindo mão da discussão acerca da "verdade" opta pela idéia de "ação real" sobre o mundo como critério da consistência cognitiva dos enunciados. Mas Tocqueville não está interessado na "sofisticação" intelectual produzida pela sociedade americana, mas na sua "filosofia banal" da ação útil. A paixão pela utilidade associada a impaciência cognitiva e a recusa do passado visto como inútil na equação de dominação da vida, gera uma prática noética que se constituirá na objetividade específica que Finkielkraut denomina "redução cognitiva" : Tocqueville identifica no novo homem uma vocação para pensar o conhecimento somente enquanto engenharia (termo meu), desqualificando qualquer outra forma de saber como colateral. Outro traço interessante no modo de se relacionar com o conhecimento é a tendência americana a preferir se "informar" com outros homens iguais a ele do que seguir o modo antigo de conhecer via o saber estabelecido "academicamente" no tempo: nasce assim aquilo que Tocqueville descreve como algo muito próximo ao que entendemos hoje como opinião pública. É mais importante conhecer e concordar com o que a maioria julga ser real do que conhecer ou concordar com algo que se distancie do que a maioria toma como verdadeiro. Na realidade, assim como Bacon afirmou, o conhecimento (a ciência moderna, na fala de Bacon) deve transformar a natureza a partir da satisfação das nossas necessidades. A jovem democracia americana realiza tal mandamento e radicaliza: desprezo pelo saber que não leve a cabo esta máxima do controle instrumental e que for lento em seus resultados. A hipótese de Tocqueville é que o modelo americano produzirá uma sociedade implicada com a construção do bem estar (o direito iluminista reduzido a engenharia da "felicidade", daí seu caráter irresistível) e que como na democracia americana a função cognitiva e noética está submetida ao modelo instrumental, o resultado deverá ser uma contínua redução do interesse pela complexidade (sendo a simplicidade definida pela função redutora da reflexão a instrumento), condenando este cidadão ao risco de ficar "menos inteligente", experimentando uma redução também de vocabulário e da capacidade (diria eu) hermenêutica. O jovem americano (que poderá vir a se transformar no bárbaro que derrota a civilização pisando nas luzes da cultura), apresenta, aos olhos de Tocqueville, um claro desinteresse intelectual e volitivo pelo que não seja experimentado em termos de satisfação de suas necessidades.

"Mas Deus, isso para mim é um exemplo típico do desastre cultural em que vivemos. A literatura sempre esteve ligada, na cultura que a criou, e mais profundamente desenvolveu, a ocidental, à idéia de resistência de simplificação do real . Sempre foi uma instância de resistência ao empobrecimento do espírito. Paulo Coelho , como sucesso na França representa a total decadência, pois além - e eu li o Alquimista, como curiosidade - de ser uma pura aglomeração de bobagens e clichês, é extremamente mal escrito, feito em uma linguagem para quem não tem absolutamente hábito de ler."
Alain Finkielkraut

Para Finkielkraut vivemos uma situação diretamente derivada da realização "infernal" das hipóteses de Tocqueville. Segundo ele, o Ocidente teria desde a Grécia iniciado a construção de um projeto de transformação do chamado homo sapiens natural naquilo que deveria ser um homo sapiens de fato inteligente, e esta transformação seria levada a cabo exatamente pela "vida com o pensamento" definida como uma formação (PAIDÉIA) realizada através da educação do homem para se tornar um ser racional - este é o lugar da filosofia na Républica. Todavia, ao contrário do que os mais apressados desconhecedores da obra de Platão pensam, o que está em jogo ali não é uma "fuga mundi" para o mundo da metafísica. Há em Platão um esgotamento das possibilidades da razão, esgotamento este que implica na múltipla herança de seu pensamento: resumidamente, ceticismo, racionalismo, metafísica e mística - além da reflexão política, é claro. O conflito entre tais "herdeiros" revela o alcance da reflexão de Platão no combate ao relativismo sofista . O que é patente no percurso platônico é a complexidade que se desdobra do seu olhar sobre o mundo (assim como do olhar sofista, que nada tem a ver com um certo "relativismo diet" contemporâneo). Na linha da reflexão desenvolvida por Finkielkraut, é exatamente essa "vida com o pensamento" que foi derrotada (a "derrota do pensamento" a qual fiz alusão acima). O projeto de vida com razão, que implicava na crescente complexidade do mundo investigado foi retomada, grosso modo, pelo iluministas franceses e ingleses, tendo como foco da crítica naquele momento toda a metafísica ocidental e o pensamento religioso político, filosófico e social (para não dizer psicológico) . Para os iluministas, o homem novo iria romper com as amarras do passado e construir a nova sociedade a partir dali, chegando a Cultura racional universal e progressista - chave da emancipação: a vida com o pensamento emanciparia o homo sapiens da sua condição instintual atávica vítima de crenças não racionais. Evidentemente tal projeto é um dos fatores que animam a revolução francesa. Do outro lado do Reno, alemães produziam a grande escola de pensamento conhecida como romantismo alemão, concentrada na demonstração do caráter irredutível do contexto em se tratando do ser humano. A razão não só é histórica (e não livre como pensavam os iluministas), como psico-socialmente (diria eu em linguagem atual) condicionada (trata-se do conceito de VOLKSGEIST). Os românticos criam a idéia contemporânea de "cultura regional", aquela cultura na qual o hábito de tomar cerveja e Machado de Assis são os dois, igualmente, exemplos de cultura brasileira. Não há hierarquia interna a cultura, nem externa, porque não se pode comparar culturas, logo, não se pode afirmar que Flaubert ou Balzac seriam superiores a Paulo Coelho, porque são apenas exemplos de culturas distintas - daí a incomensuralibidade na qual beberá a antropologia posterior. Os desdobramentos de tal reflexão são enormes, inclusive aquele que será um dos objetos de crítica de Finkielkraut: a "defesa" radical do valor da memória contra a História, "defesa" esta muito feita como conseqüência do pensamento benjaminiano e que implicaria na dispersão da História em tradições locais intransponíveis a uma síntese construtiva do passado como instância racional produtora de "esclarecimento". Não posso me deter nestes desdobramentos. Farei referência apenas àquele que discuto na disciplina em questão: para Finkielkraut não é o romantismo alemão em si o "zumbi" pós-moderno, aquele bárbaro que com patadas disfarçadas de discurso articulado derrota o projeto de encarar a complexidade do mundo. Este bárbaro é um misto da idéia iluminista de rompimento com o passado, mais a busca de emancipação pessoal, associado ao caráter crítico ao projeto da razão platônica/iluminista feita pelos românticos alemães, crítica essa que no romantismo está associada a um profundo e elaborado mergulho na tradição e na história. Associando a idéia do direito de julgar por si próprio, recusando o saber estabelecido (e por isso sem repertório), ao relativismo da incomensurabilidade que inviabiliza o juízo (reduzindo-o a vaga noção de "gosto"), o "zumbi" facilmente chega a enunciados do tipo "cada um é cada um", "esse Platão não está com nada", ou "esse tal de Freud não sabia nada" do alto dos seus 19 anos mergulhados em altíssima literatura. Tocqueville havia identificado a raiz de tal processo ao perceber a impaciência generalizada na democracia americana: a "redução cognitiva" é este resultado. Por estar submetido a um sistema - inclusive atuante na própria "intelligenzia" - que opera a partir do modelo redutor, é normal que o saber seja transformado em "modelo terapêutico": conceito que descreve a submissão do saber intelectual e acadêmico a um saber que está implicado antes de tudo com a economia da auto-estima. O que é melhor para uma mulher de 50 anos submetida a violenta competição das mais jovens, dentro de uma economia que estimula a circulação do afeto (justamente porque esta variação de parceiros gera riqueza, aumento da fantasia de realização do desejo e baixo comprometimento), pensar que existe uma valquíria imortalmente bela e forte dentro de si, ou uma ser perdido no seu desejo mortal, como uma Emma Bovary ou uma Ana Karenina? É óbvio que um descendente do "marinheiro" de Tocqueville optará pela auto-ajuda: o fato evidente que a vida humana é insuportável para a maioria das pessoas, e que, como diz Sloterdijk, "na reta final, ontologicamente, somos todos perdedores" , precisa ser escamoteado para aliviar o sofrimento. É inegável o impasse humano, "somos mortais", e nossos projetos fracassam, sendo o horror do envelhecimento uma prova de tal fato, não pretendo subestimar isso. A crítica de Finkielkraut, com quem concordo, é que a universidade não é o lugar de trabalhar a auto-estima, é o lugar de trabalhar a cognição e a noesis, o saber sem implicação com o bem estar. Por exemplo, é óbvio que politicamente é um absurdo a discriminação de homossexuais (devendo ser punida como crime), mas daí a afirmar categoricamente que existe algo chamado "escolha sexual" e que a homossexualidade (ou a heterossexualidade) é uma 'opção" livre é uma bobagem. Não há como afirmar isso diante de uma simples inspeção empírica na própria história de cada um, sendo o fenômeno sexual muito mais um processo que se instala a revelia do indivíduo. Mas, e não é por acaso que essa "neo-esquerda pedagógica" é produto da sociedade por onde Tocqueville passeava, o modelo terapêutico é útil se abrirmos mão do fato que a discussão acerca dos comportamentos sexuais é lenta e difícil (sabemos pouco sobre ela), para abraçarmos a idéia de que é mais útil ensinarmos teorias implicadas com as necessidades sociais e psicológicas dependentes do problema da auto-estima porque elas têm um efeito benigno no convívio social . O resultado é claro: ao longo do tempo altera-se o "saber estabelecido" transformando-o em formulas de sucesso pessoal. Daí o projeto ocidental de uma alienação alegre como descendente "freak" da emancipação iluminista. A loira de 50 anos, que se vangloria por saber "menos" acerca da vida do que a filha, é apenas a figura trágica dessa idiotia estabelecida em discurso. Para Finkielkraut é inevitável a derrocada da capacidade humana de ser inteligente se ficarmos presos na recusa do complexo e do "desagradável" enquanto indivíduos implicados na formação intelectual dos mais jovens. Quando atuamos sob redução cognitiva a serviço da economia da auto-estima, facilitando a condição humana, praticando uma reflexão "peter pan", aceleramos a derrota do pensamento, pisando nele com os pés.

"Destruir o passado é o programa de nossa época: apagar a capacidade humana de ser um animal consciente. Isso é muito sério. Não devemos lembrar, só lucrar, trabalhar demais para comprar demais. Nesse processo de erosão da memória coletiva perdemos a consciência."
Amos Oz

Todo dia pela manhã, antes do sol nascer, Amos Oz, que mora no deserto ao sul de Israel, passeia pela paisagem de pedras e areia a fim de aí se afastar do "ruído" de um mundo transformado em shopping center "brega". Segundo Oz, o deserto aumenta sua perspectiva: sendo produto da erosão geológica total, o vazio do deserto remete o homem e a mulher a sua condição de ser insustentável ontologicamente. Para Oz é necessário criarmos instrumentos para sobrevivermos ao processo de retardamento mental que o neocapitalismo tem como programa. O adulto infantilizado é o consumidor ideal: sem repertório crítico, porque destruído por uma formação para a "aeróbica da alegria", não elabora suas frustrações, transformando-se em um ser para o consumo. Oz não concorda com Tocqueville que isso seja um produto necessário da sociedade americana, mas unicamente da sua vertente radicalizada ultimamente como "vending-machine". O "zumbi" de Finkielkraut aqui se aproxima da criança alegre de 40 anos, diante da vitrine colorida e barulhenta que é o mundo atual. A infantilização cria o vácuo existencial necessário para ontologia do consumo - liturgia dessa pseudo-ciência chamada economia neoliberal. A abordagem do mundo feita pelo adulto retardado será necessariamente voltada a simplificação do mundo e a resistência a qualquer tentativa "cansativa" de complexidade, principalmente se não retro-alimentar seu narcisismo infantil. O projeto aqui é a juventude eterna: do cimento injetado nos seios a paralisação da musculatura da face como combate a ofensa que é a ruga, rapidamente chegamos a inviabilidade da atividade cognitiva e noética, que também é signo de envelhecimento, pois implica em lentidão e mal estar. Não é suficiente ser jovem fisicamente, é necessário ter "uma mente jovem": daí a necessidade de um retardamento alegre. O "velho" aqui, além do "quase-morto", que forçosamente nos recorda nossa finitude esteticamente feia, é o lugar do resistente indesejável a força "sem limites" do jovem. Equação ridícula, pois obviamente fadado a derrota. E mais: não há melhor modo de trair um jovem do que permiti-lo crer livremente naquilo que pensa. O projeto de juventude eterna é um dos maiores desastres sociais segundo Oz, pois inviabiliza o processo natural do amadurecimento, exilando a espécie humana do seu futuro.

"O fato é que a vida não tem sentido e somos todos perdedores na reta final".
Peter Sloterdijk

Evidentemente, o que vimos neste breve percurso que aqui apresentei é uma visão "pessimista" da nossa cultura. Todavia, e aqui é fundamental o recurso a experiência referida acima acerca da disciplina onde discuto esses temas, tal olhar parece realizar aquilo que o alemão Peter Sloterdijk considera a única forma possível hoje para se praticar o pensamento não infantil (Oz) e não reduzido (Finkielkraut), a saber, uma reflexão que estabeleça uma "intoxicação voluntária", ou seja, "um terrorismo filosófico". Como nos afirmam tanto Oz como Finkielkraut o "pessimismo" com relação a nossa sociedade infantil não implica desistência do pensamento mas seu fortalecimento. Na realidade, a experiência tem nos revelado que o modelo baseado tanto no relativismo cômico que desconhece sua própria história enquanto drama da razão tentando se sustentar, como na reflexão dependente da economia da auto-estima e na infantilização do adulto (formas tardias de "otimismo") é que interrompe a vocação do ser humano para a razão. Segundo Sloterdijk, o mundo pós-metafísico que nos legou a modernidade pós-nietzschiana/freudiana/marxiana é um cenário de "horror" e deste cenário a tendência natural é a fuga, mas fuga em direção a "condição de Alice". Horror porque o ser humano, apesar de mentir o tempo todo através de um self-marketing associado a uma engenharia de auto-estima, permanece uma vítima ontológica (social e psicológica) da sua derrota inevitável. O olhar "pessimista" aqui representa na realidade um exemplo deste "terrorismo filosófico" que fala Sloterdijk, na medida em que gerando uma visão distante do modelo Sandy/Cinderela, desperta nos alunos e alunas (com isso não quero deixar a impressão que penso que a concepção de mundo "aeróbica da alegria" seja exclusividade daqueles de 20 anos) uma perspectiva distante do torpor da "alegria narcísica", abrindo a possibilidade da experiência reflexiva dura como "algo novo" (com perdão da má palavra) e que aponta para o risco que eles/elas mesmos/mesmas correm ao se descobrirem vítimas de um modelo redutor de sua capacidade intelectual: o pavor de se reconhecer nos casos "clínicos" trabalhados por mim e pelos autores com os quais dialogo: o crente na lenda pessoal, o homem de meia idade ridículo afogado em sua "baba", a mulher de 50 anos sozinha e caída, o ignorante que acredita nas "histórias ao portador", enfim o bárbaro de Tocqueville. Outro exemplo concreto, e último, é o tema da dissolução da família trabalhado pelo sociólogo Manuel Castells. Falar-se em "crise" do casamento é uma banalidade. O término da banalidade se inicia quando ocorre a descoberta que os mecanismos que geram a dissolução estão em funcionamento em mim. Evidentemente que o que está em jogo não é uma defesa da família nem do casamento: não opero na ingenuidade dessa militância normativa. O que está em jogo é a percepção de que eu - enquanto indivíduo que acompanho a reflexão dura sobre as razões do desastre que é o casamento - provavelmente terei a mesma experiência de fracasso. Aquela atitude "antiga" de pensar que sou membro de uma geração que realmente "se resolveu" mediante recursos que diminuem os atritos (como não ter filhos - os "dinks", double income no kids -, baixa expectativa afetiva, comportamento diametralmente oposto aos país, alto investimento profissional - no caso das mulheres -, superação de comportamentos "machistas" - no caso dos homens - infidelidade racionalmente programada, etc) se dissolve: continuo buscando afeto incondicional, perenidade, compromisso, prole amada, mas opero a partir dos modos inventados pela contemporaneidade falsamente "resolvida", modos esses que inviabilizam estatisticamente a permanência do "contrato de amor", a saber, baixa tolerância, alta expectativa afetiva associada ao baixo comprometimento, alto investimento narcísico-profissional, preguiça para educar os filhos disfarçada em uma pseudo-pedagogia da liberdade infantil mas que na realidade compromete a relação, precariedade financeira, etc. A descoberta do provável fracasso afetivo é devastador: os liberados permanecem românticos, mas evidentemente reconhece-se que não há lugar para isso em uma cultura que se assume como narcísica. O resultado (esperado) é uma busca de reflexão que se afaste dos modelo de auto-estima exatamente porque esse é o equivalente da criança que quer a todo custo ser amada. Enfim, a equação "reflexão/bem-estar" é para iniciantes.

"(...) umas das atitudes necessárias para enfrentar o mundo no futuro é olhá-lo de modo oblíquo, indireto, como alguém que combate a Medusa , pois do contrário, quem olhar de frente será transformado em pedra".
Luiz Felipe Pondé

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Luiz Felipe Pondé
Professor de Filosofia e Sistemas de Comunicação
e Chefe do Departamento de Humanidades da FACOM / FAAP
Filósofo, pós-doutor em Epistemologia pela Universidade de Giessen, Alemanha
Autor do livro "Homem Insuficiente"