Os efeitos da Alca,
considerando-se o papel das empresas estrangeiras
Renato Baumann e Francisco Galrão
Carneiro*
Resumo: A análise dos
efeitos de um processo de integração regional é tradicionalmente feita
a partir das estimativas de criação e desvio de comércio, com base
na redução das barreiras comerciais existentes. Neste trabalho mostramos
que a presença de subsidiárias de empresas estrangeiras – e a alta
probabilidade de vínculos comerciais dessas empresas com suas matrizes
– qualificam os resultados em termos dos impactos setoriais.
Palavras-chave: Alca, Impactos Setoriais, Papel das
Empresas Estrangeiras.
1. Introdução
Desde o trabalho de Viner (1950), a análise dos efeitos dos processos
de integração entre duas economias tem, tradicionalmente, se concentrado
em identificar os efeitos – sobre a balança comercial e a estrutura
produtiva dos países envolvidos – derivados da redução ou eliminação
das barreiras comerciais.
Os dois conceitos básicos propostos por Viner – criação de comércio
(surgimento de novas atividades no comércio entre os países envolvidos)
e desvio de comércio (redução de importações de itens ofertados por
terceiros países) – permanecem norteando a maior parte das análises.
Assim, pode-se dizer que um processo de integração pode ser considerado
benéfico do ponto de vista social quando o primeiro efeito supera o
segundo, num horizonte de tempo aceitável.
A avaliação ex-ante das conseqüências de um exercício de integração
tende, portanto, a identificar esses dois efeitos, a partir, basicamente,
da simulação dos efeitos derivados da redução ou eliminação das barreiras
comerciais entre os países participantes desse exercício.
Esse tipo de enfoque está baseado em alguns supostos, um dos quais o
de que o comércio internacional tem lugar entre empresas distintas,
nos diversos países. A produção de cada item é feita em uma planta produtiva,
em um dado país. Os ganhos obtidos passam a compor a renda nacional
do país em que cada empresa está sediada, e assim os países passam a
atuar em apoio a suas unidades mais competitivas, em contraposição às
unidades mais competitivas dos demais países (Markusen e Venables, 1995).
No entanto, a literatura sobre empresas transnacionais tem chamado a
atenção para alguns aspectos das relações entre matriz e subsidiárias
que qualificam a propriedade e atualidade de tal suposto. Isso tem dado
origem a todo um ramo da teoria de comércio internacional, associado
às transações intra-firmas. No entanto, sua relação com as análises
de processo de integração regional não tem sido devidamente explorada.
Neste trabalho, fazemos um esforço para aproximar esses dois campos
teóricos a partir da análise da orientação geográfica das principais
empresas exportadoras brasileiras, com inferências para os possíveis
efeitos da criação de uma área de livre comércio hemisférica. O argumento
é de que, se as empresas exportadoras de capital externo têm interação
comercial com suas matrizes, então há argumentos para qualificar os
resultados dos exercícios que procuram estimar a magnitude da criação
e desvio de comércio associados à Alca.
A hipótese básica do trabalho é verificar se as empresas de capital
estrangeiro com transações comerciais com o resto do mundo tendem a
concentrar suas exportações e importações no país de origem do capital,
mais que em outros países. Caso essa hipótese possa ser comprovada,
existiriam argumentos que fazem supor que as estimativas de criação
e desvio de comércio a partir da distribuição setorial das barreiras
comerciais deveriam ser qualificadas pelo papel desempenhado pelos agentes
econômicos atuantes em cada setor. A preocupação que norteia nossa análise
está ancorada no processo de negociações para a formação da Alca, mas
por tratarmos do caso das principais empresas exportadoras brasileiras
ela é também de utilidade geral para qualificar exercícios de simulação
de criação e desvio de comércio.
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* Renato Baumann é
funcionário da CEPAL e professor da Universidade de Brasilia.
Francisco Galrão Carneiro é professor da Universidade
Católica de Brasília.
As opiniões expressas aqui são de inteira responsabilidade
dos autores, não refletindo necessariamente a posição
das instituições mencionadas. Os autores agradecem à
SECEX o acesso à base de dados de empresas exportadoras e a Rogério
Boueri Miranda, Leandro Magalhães e Paulo Roberto da Silva Jr.
pela ajuda no processamento dos dados.
2. Racionalidade
A explicação teórica para os fluxos de comércio internacional a partir
da disponibilidade de fatores produtivos nos diversos países já há algum
tempo tem se mostrado insuficiente. Desde a década de 50 o reconhecimento
de que a maior parte do comércio internacional de bens consiste do intercâmbio
de produtos industrializados e ocorre entre países desenvolvidos deu
origem a proposições alternativas, que procuram explicar o comércio
desse tipo de produtos. As formulações a partir de um “ciclo do produto”
(Vernon, 1966) ou do hiato tecnológico entre países (Posner, 1961) são
dois dos exemplos mais expressivos.
Mais recentemente, o enfoque teórico que associa organização industrial
e teoria do comércio (a chamada “nova teoria de comércio”) foi um avanço
metodológico (Helpman e Krugman, 1985). Tal enfoque permitiu explorar
linhas explicativas para os resultados associados, por exemplo, a empresas
transnacionais e às relações comerciais entre matriz e subsidiárias,
ao considerar elementos como rendimentos crescentes de escala, concorrência
imperfeita e diferenciação de produtos.
A incorporação desses elementos – rendimentos crescentes de escala,
concorrência imperfeita e diferenciação de produtos – à análise permite,
por exemplo, conceber que haja especialização no comércio em produtos
que não correspondem à dotação relativa de fatores produtivos, do mesmo
modo que dão margem a processos produtivos complementares, entre plantas
produtivas situadas em países distintos, levando à intensificação de
transações intra-firma, à diferença do postulado pela teoria tradicional.
O argumento básico é de que, para certos tipos de produtos, a integração
vertical internacional dos processos produtivos pode ser uma pré-condição
para a eficiência produtiva.
Esse tipo de situação requer a identificação dos atributos que tornam
as transações internas à firma mais rentáveis do que as transações com
outras empresas. Com freqüência, os argumentos estão relacionados aos
requerimentos – no processo produtivo – de trabalhadores com alto grau
de especialização e/ou à hipótese de que a venda de produtos aos consumidores
externos demanda mais do que simplesmente o processamento industrial
do produto, envolvendo, adicionalmente, serviços de apoio técnico.
Resultado semelhante pode ser determinado, por exemplo, a partir dos
efeitos de barreiras à movimentação internacional dessa mão-de-obra
especializada, ou da existência de diferenças na legislação relativa
a patentes, licenciamento e outras formas de operação por parte de grandes
firmas
O aspecto relevante é que a existência de barreiras ou de requerimentos
desse tipo para o processo de produção ou comercialização eleva os custos
de uma empresa. A empresa precisa controlar, em outro país, próximo
aos consumidores, atividades que diferem do processo produtivo como
tal. Isso impõe a necessidade de lidar com esse tipo de serviço no país
de origem e no outro país, se a empresa pretende operar em ambos os
mercados. Assim, pode vir a ser relativamente mais barato e eficiente
para a grande empresa operar essas etapas internamente, sobretudo no
caso de atividades que são específicas à empresa Isso dá origem a transações
de tipo interno à firma, mesmo entre unidades localizadas em territórios
nacionais distintos.
Cabe ressaltar que esse tipo de procedimento não é universal, e se aplica
apenas (ou com mais intensidade) a alguns tipos de produtos. Em geral,
aqueles produtos e serviços que demandam mais intensamente mão-de-obra
altamente especializada. Assim, por exemplo, estudo recente da OCDE
indica que o percentual de transações intra-firma tende a ser elevado
(acima de 50% do total das transações internacionais das empresas) nas
indústrias farmacêutica, de computadores, de semi-condutores e de veículos
automotores. O mesmo estudo encontra percentuais inferiores a 10% para
as indústrias de aço e vestuário (OCDE, 1996).
A conclusão é de que – confirmando a racionalização apresentada acima
– as empresas das indústrias intensivas em conhecimentos científicos
e produção em larga escala dependem mais de insumos de alta tecnologia,
alta qualidade, alto grau de capacitação dos trabalhadores e peças e
componentes altamente especializados. Sua aquisição tem elevado valor
estratégico para as empresas, de modo que elas preferem manter controle
direto sobre a provisão desses insumos, por meio de investimento direto
e de transações internas à empresa.
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-
Exemplos de modelos
nessa linha são os de Markusen e Maskus (1999) e Baldwin (1988).
-
Por exemplo, no caso
de empresas que detêm o monopólio da patente da matéria-prima
ou dos componentes e do produto final (farmacêutica, produtos
de informática).
- Resultados semelhantes aos apresentados
em Bonturi e Fukasaku (1993). Algo nessa linha foi encontrado igualmente
para as relações comerciais entre empresas japonesas e
suas subsidiárias em Takeuchi (1990
3. Metodologia
3.1 - Dados
Empiricamente, os dados sobre transações intra-firma são disponíveis de
forma sistemática apenas para os Estados Unidos – a partir da publicação,
pelo Departamento de Comércio, dos dados de comércio das empresas norte-americanas
com suas subsidiárias – e para o Japão. As estimativas situam o comércio
intra-firma como correspondendo a entre 30 e 40% do comércio externo total
dos Estados Unidos.
No Brasil, apenas a partir do Censo do Capital Estrangeiro de 1995, feito
pelo Banco Central, foi possível ter alguma idéia da dimensão relativa
desse tipo de transações (em torno de 20%), embora não desagregada por
setor
Estudo recente realizado pela Secretaria da Receita Federal a partir de
amostra das seis maiores empresas exportadoras e sete maiores importadoras
brasileiras confirma em parte a concentração setorial das transações intra-firma:
os percentuais são mais elevados entre as primeiras na fabricação e montagem
de veículos automotores e no comércio atacadista, e entre as importadoras
na fabricação de produtos químicos e na fabricação de máquinas e equipamentos
(SRF, 2002).
A inexistência de informações detalhadas por setores ou empresas no caso
brasileiro é certamente uma dificuldade para pesquisas sobre comércio
intra-firma. Uma alternativa metodológica alternativa foi adotada por
Baumann (1995), e é esse o enfoque utilizado aqui. Dada a falta de informações
específicas, supomos que exista uma relação estreita entre a propriedade
do capital de uma empresa e os canais de comercialização de sua produção
no país de origem do capital. Assim, para uma empresa cujo capital é preponderantemente
originário de um país A, suas transações comerciais com esse país devem
ser, essencialmente, com a matriz da empresa e com os canais de comercialização
que a matriz utiliza em A, sendo as transações com terceiros, se existentes,
em grau muito reduzido. Este não é certamente o conceito de comércio intra-firma,
mas é a melhor aproximação empírica, em vista da disponibilidade de dados.
Para a análise, foi possível contar com tabulação especial fornecida pela
Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), com dados das mil maiores empresas
exportadoras do Brasil em 1995 e 2000. Cada firma foi identificada pela
sua inscrição junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), de
forma que empresas de um mesmo grupo, mas com CNPJs distintos, foram consideradas
separadamente. Como a dimensão relevante para análise é a propriedade
do capital das empresas, foi feita a identificação da propriedade de capital
para essas empresas, a partir de informações sobre o país de origem do
capital de cada empresa, com base nos sites das empresas na Internet e
em publicações especializadas.
As informações disponíveis constavam, portanto, da propriedade do capital,
dos valores das exportações em 2000 (discriminadas por país de destino
das vendas por produtos), das exportações e mercado de destino por empresas
e produtos para o ano de 1995, e das importações (por país de origem das
importações de cada produto) realizadas pelas mil maiores exportadoras
no ano de 2000. Essas empresas foram responsáveis por cerca de 84% do
total das exportações brasileiras nesse período.
Foram obtidos valores das exportações em 1995 para 459 empresas e valores
de importação em 2000 para 291 empresas. Do mesmo modo, foi necessário
identificar o setor de atuação das empresas, a partir da classificação
setorial dos principais produtos exportados por cada uma. O setor de atuação
de cada empresa foi definido a partir da Tabela de Códigos e Descrições
da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. Foi possível
identificar o setor de atuação de 768 das mil empresas.
Os dados relativos
ao patrimônio líquido das empresas (1995 e 2000) e às suas receitas líquidas
(para os mesmos anos) foram coletados da edição anual das “Mil Maiores
Empresas Brasileiras”, publicada pela Gazeta Mercantil. Foram obtidas
informações de 356 empresas quanto à sua receita líquida em 1995, e de
435 quanto à sua receita líquida em 2000. Em relação ao patrimônio líquido
das empresas, foram obtidas 318 informações para 1995 e 404 para o ano
de 2000.
A maior dificuldade na identificação dos valores de receita e patrimônio
líquido veio do fato de que aquela publicação agrega as várias empresas
com CNPJ diferente em uma só holding, enquanto os dados da SECEX
são desagregados por unidades produtivas. A solução encontrada foi dividir
os totais de receita líquida e patrimônio líquido entre as diversas empresas
de um mesmo grupo, nesses casos.
Considerando-se em forma conjunta todas as variáveis relevantes – exportações
por países de destino, receita líquida e patrimônio líquido em 1995 e
2000 –, foram selecionadas 182 empresas. Dessas, 139 são de capital nacional.
Assim, a análise de comportamento das empresas estrangeiras foi feita
a partir de amostra com 43 empresas.
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- O segundo
Censo do Capital Estrangeiro indicou que esse tipo de comércio
atingiu em 2000 US$ 21 bilhões, correspondendo a 38% do total
exportado. Do lado das importações o valor passou de US$
8,5 bilhões para US$ 18,2 bilhões no mesmo período,
representando respectivamente 17% e 33% do valor importado em 1995 e
2000.
- Como o Guia
Interinvest e “Mil Maiores Empresas Brasileiras”, publicada
pela Gazeta Mercantil. O critério básico foi classificar
como estrangeiras as empresas com controle externo de pelo menos 25%
do capital e/ou maior parte do capital votante.
- Exportações
e importações em valores.
A Tabela 1 resume as informações básicas para cada variável.
Tabela
1 - Totais de Informação por Variável
Variável |
N° de informações |
|
Exportações 2000 |
1.000 |
|
Exportações 1995 |
459 |
|
Importações 2000 |
291 |
|
Receita Líquida 2000 |
435 |
|
Receita Líquida 1995 |
356 |
|
Patrimônio Líquido 2000 |
318 |
|
Patrimônio Líquido 1995 |
404 |
|
Setores Econômicos |
768 |
|
Empresas com todas as informações (exportações por países de destino,
receita líquida e patrimônio líquido em 1995 e 2000) |
55 |
|
Empresas estrangeiras com todas as informações (exportações por países
de destino, receita líquida e patrimônio líquido em 1995 e 2000) |
43 |
3.2
– Estatísticas
Os gráficos 1 e 2 mostram
a distribuição das exportações e importações realizadas pelas mil maiores
empresas exportadoras, de acordo com o país de origem do capital controlador.
Gráfico
1 – Brasil – Mil Maiores Empresas Exportadoras em 2000:
Distribuição das Exportações por Origem de Capital
Gráfico
– 2 Brasil – Mil Maiores Empresas Exportadoras em 2000:
Distribuição das Importações por País de Origem do Capital
Embora
a maior parte das exportações da amostra seja realizada por empresas nacionais,
as empresas com capital originário dos EUA, Alemanha e Itália ocupam posição
de destaque neste quesito. De modo semelhante, observa-se forte concentração
no valor importado, sendo mais de ¾ das importações efetuadas por empresas
nacionais (mais da metade), norte-americanas e alemãs.
A
Tabela 2 mostra o número de empresas por país de origem do capital controlador.
Há uma forte concentração, entre as empresas estrangeiras do grupo das
maiores exportadoras, de empresas com capital originário dos Estados Unidos,
Alemanha e França (2/3 das 228 estrangeiras).
Tabela
2 - Número de Empresas por País
PAÍS |
N° de Empresas |
BRASIL |
660 |
| EUA
|
82 |
| ALEMANHA
|
43 |
| FRANÇA
|
22 |
| JAPÃO
|
19 |
| SUIÇA
|
18 |
| ITÁLIA
|
15 |
| CANADÁ
|
2 |
| BERMUDA
|
15 |
| REINO
UNIDO |
12 |
------------------------------------------------------------------------
- Não foi possível conseguir maiores informações
sobre aquelas empresas com capital registrado como de origem nas Bermudas.
Quando consideradas
as exportações por setor, observa-se razoável concentração: as quatro
principais atividades econômicas – Alimentos e Bebidas, Metalurgia, Veículos
e Minerais Metálicos – são responsáveis por mais da metade das vendas
ao exterior, e os doze maiores setores respondem por mais de 90% do total
exportado da amostra, como pode ser visto no Gráfico 3.
Do lado das importações da amostra, 2/3 delas foram realizadas por empresas
operando nos setores de veículos e autopeças, química e petroquímica,
eletrodomésticos e metalurgia.
Gráfico 3
– Brasil – Mil Maiores Empresas Exportadoras em 2000:
Distribuição das Exportações por Setor Econômico
Gráfico 4
– Brasil – Mil Maiores Empresas Exportadoras em 2000:
Distribuição das Importações por Setor Econômico

4. Análise
Empírica
Os resultados estimados para a análise dos determinantes do desempenho
exportador das empresas consideradas aparecem na Tabela 3. As variáveis
consideradas foram:
expinc – taxa de crescimento das exportações por empresa entre
1995 e 2000.
comext – taxa de inserção da empresa no comércio exterior (importações
da empresa em 2000 mais exportações da empresa em 2000 sobre a receita
da empresa em 2000).
impsal – proporção entre as importações da empresa em 2000 e sua
receita líquida naquele ano.
salinc – taxa de crescimento da receita líquida por empresa entre
1995 e 2000.
destsur – variável dummy que capta se mais do que 25% das
exportações da empresa em 2000 se destinaram a países do Mercosul.
destalca – variável dummy que capta se mais do que 45% das
exportações da empresa em 2000 se destinaram a países da Alca.
destnafta – variável dummy que capta se mais do que 54%
das exportações da empresa em 2000 se destinaram a países da Nafta.
Esses resultados sugerem que empresas com alto nível de inserção no comércio
exterior e que registraram algum crescimento nas vendas entre 1995 e 2000
também apresentaram crescimento das exportações. Esse crescimento parece
ter ocorrido preferencialmente em empresas com canais de exportação para
países do Mercosul, Nafta e da Alca, como sugerem os coeficientes positivos
das variáveis que indicam o destino preferencial das exportações dessas
empresas (destsur, destalca e destnafta).
O modelo estimado apresenta-se estatisticamente robusto, com um coeficiente
de determinação ajustado para o número de graus de liberdade de cerca
de 37%, uma estatística Durbin-Watson de 1,895 (sugerindo que não há evidência
de anormalidades nos resíduos e na forma funcional), e todas as variáveis
explicativas com seus respectivos coeficientes estatisticamente diferentes
de zero.
A amostra para essa estimação continha apenas 43 empresas do total de
182 presentes no banco de dados. O menor número de empresas se deveu,
principalmente, à falta de informações relativas às importações para várias
empresas nos anos de 1995 e 2000. Assim, como estamos trabalhando com
taxas de crescimento, a ausência de qualquer informação para qualquer
das variáveis em apenas um desses anos implica a exclusão da respectiva
empresa da amostra. Dessa forma, os resultados devem ser interpretados
com o devido cuidado, uma vez que estão baseados numa amostra de tamanho
reduzido.
O coeficiente da variável comext indica que um incremento de 1
ponto percentual na taxa de inserção no comércio exterior de uma determinada
empresa implica um acréscimo de cerca de 2,14 pontos percentuais em suas
exportações. Tal resultado é corroborado pelo coeficiente da variável
salinc, que representa o aumento observado nas vendas das empresas
entre 1995 e 2000. Seu coeficiente positivo indica que um incremento de
1 ponto percentual nas vendas traduz-se num incremento de cerca de 0,38
pontos percentuais nas exportações totais das empresas.
---------------------------------------------------------------------------------------------------
- Os níveis
de corte por blocos regionais foram determinados pelo procedimento descrito
acima.
- Ver seção
3.2.
Chama a atenção na Tabela 3 a indicação de que, se a proporção entre as
importações e a receita líquida da empresa cresce, a taxa de incremento
de suas exportações decresce, como sinaliza o coeficiente negativo da
variável impsal. Ou seja, para um incremento de 1 ponto percentual
na razão importações/receita líquida, há uma redução na taxa de incremento
das exportações em cerca de 1,70 ponto percentual. No entanto, o coeficiente
negativo para impsal não implica necessariamente a inexistência
de um círculo virtuoso entre importações e exportações: ele pode estar
refletindo apenas o fato de empresas que já possuem grande participação
no comércio exterior também apresentarem maior dificuldade em expandir
tal participação. Para que fosse possível testar a existência desse círculo
virtuoso, seriam necessários dados sobre importações em 1995.
No que diz respeito à relação entre propriedade de capital e destino das
exportações, nossas estimativas mostram alguns resultados interessantes.
Por exemplo, empresas que exportam preferencialmente para o Mercosul,
para o Nafta, ou para a Alca tenderam a se beneficiar do maior volume
de comércio gerado entre 1995 e 2000, em comparação com aquelas que exploraram,
preferencialmente, outros mercados.
Essa afirmação é corroborada pelos coeficientes positivos e estatisticamente
significativos das variáveis dummy destsul, destalca e destnafta,
que capturam o impacto do destino das exportações de uma determinada empresa
sobre a taxa de incremento de suas exportações totais. Assim, pode-se
dizer que as empresas que destinaram mais de 25% de suas exportações totais
para o Mercosul no ano de 2000 apresentaram uma taxa de incremento de
suas exportações cerca de 0,76 ponto percentual acima daquela registrada
pelas empresas que exportaram menos do que esse montante para o Mercosul.
Tabela 3 - Determinantes da Taxa de Incremento das Exportações
(1995 – 2000)
|
Variáveis Explicativas |
Coeficientes Estimados |
Constante
Comext
Impsal
Salinc
Destsul
Destalca
Destnafta |
-4,5524
(1,424)
2,1353
(0,503)
-1,6904
(0,397)
0,3834
(0,148)
0,7629
(0,495)
0,2447
(0,549)
1,1451
(0,484) |
N
R2
R2 Ajustado
Durbin-Watson |
43
0,4599
0,3699
1,8950 |
Nota: Os números entre
parênteses são os erros-padrões de cada coeficiente. Da
mesma forma, as empresas que comprometeram mais de 45% de suas exportações
com países da Alca apresentaram uma taxa de incremento de suas exportações
que foi cerca de 0,25 ponto percentual superior àquela registrada pelas
empresas que exportaram abaixo desse volume para a Alca.
Por fim, as estimativas indicam que empresas com percentagem de exportações
para países do Nafta superior a 54% obtiveram uma vantagem em termos de
incremento nas seus negócios externos de 1,15 ponto percentual em relação
às demais, refletindo o destacado dinamismo daquele mercado no período
considerado.
4.1 - O Caso das Empresas Norte-Americanas e Canadenses
As empresas norte-americanas
e canadenses da amostra exportaram um total de US$ 6,3 bilhões em 2000,
contra um total de US$ 2,9 bilhões em 1995, o que significa um crescimento
de 114,2% nas exportações de tais empresas no período, bem superior ao
crescimento das exportações totais da amostra, que foi de 20,7% (de US$
38,3 bilhões para US$ 46,3 bilhões).
É interessante notar que a participação
das exportações para os EUA e Canadá no total das exportações dessas empresas
decresceu. Em 1995 elas exportavam 27,6% do total para EUA ou Canadá,
enquanto que em 2000 essa proporção foi de 20,7%.
O Gráfico 5 mostra os outros principais países de destino das exportações
das empresas com capital norte-americano e canadense, enquanto o Gráfico
6 mostra a participação setorial dessas exportações, o Gráfico 7 ilustra
a distribuição geográfica dos países de origem das importações da amostra,
e o Gráfico 8 mostra a distribuição das importações por setor econômico
das empresas.
Gráfico 5
– Brasil – Maiores Exportadoras Canadenses e Norte-Americanas em 2000:
Destino das Exportações – Percentual por Países
Segundo
o Gráfico 5, houve em 2000 uma razoável dispersão
geográfica nas exportações dessas empresas: o agrupamento
de “outros mercados” absorveu 57% do valor exportado. Merece
destaque ainda o efeito Mercosul, com a Argentina sendo o mercado de destino
para 14% das exportações.
Em termos setoriais, segundo o Gráfico 6, 40% do valor total exportado
por essas empresas correspondeu àquelas situadas nos setores de
veículos e autopeças, metalurgia e mecânica.
Ao se considerar a origem geográfica das importações
(Gráfico 7), ainda o agrupamento “outros países”
aparece como principal origem, com 56% (semelhante às exportações),
mas o peso relativo dos EUA é o dobro do constatado nas vendas
externas. Esse resultado reforça a relevância da análise
do impacto potencial da Alca: as subsidiárias de empresas norte-americanas
e canadenses em operação no Brasil têm uma estrutura
geográfica razoavelmente diversificada para suas exportações,
mas dependem dos EUA para quase 40% de suas importações.
Gráfico
6 – Brasil – Maiores Exportadoras Canadenses e Norte-Americanas
em 2000:
Exportações – Percentual por Setores

Em termos
setoriais (Gráfico 8), 2/3 das importações dessas
subsidiárias são realizadas por empresas dos setores de
veículos e autopeças, química e petroquímica,
eletrodomésticos e metalurgia .
-------------------------------------------------------------------------------------------
- Note que há alguma semelhança com os setores nos quais
o estudo da OCDE mencionado anteriormente encontrou indicações
de transações mais intensas de tipo intra-firma.
Gráfico
7 – Brasil – Maiores Exportadoras Canadenses e Norte-Americanas
em 2000:
Importações por Países
As importações
realizadas por essas empresas em 2000 totalizaram US$ 3,6 bilhões,
dos quais 38,3% foram provenientes de seus países de origem. É
preciso destacar que, a despeito da proporção das importações
ter sido maior que a das exportações em 2000 (37,5% contra
20,7%), o seu comércio com os países de origem foi superavitário
em US$ 2,8 bilhões.
Gráfico
8 – Brasil – Maiores Exportadoras Canadenses e Norte-Americanas
em 2000:
Distribuição das Importações por Setor Econômico

4.2
Considerando os Blocos Regionais
Foram realizados quatro experimentos análogos, utilizando-se um
modelo probabilístico (Probit), para diferentes blocos comerciais.
Em cada modelo, a variável dependente foi construída a partir
da proporção das exportações de cada empresa
para um determinado destino. Se essa proporção excedesse
uma determinada linha de corte , a variável assumiria valor 1;
caso contrário, o valor seria 0.
Esses quatro modelos utilizaram-se das mesmas variáveis exógenas.
A variável expsal descreve a proporção entre as exportações
totais em 2000 e a receita líquida da empresa em 2000; exppat é
proporção entre as exportações totais em 2000
e o patrimônio líquido da empresa em 2000; expinc, a taxa
de crescimento das exportações por empresa entre 1995 e
2000; salinc, a taxa de crescimento da receita líquida por empresa
entre 1995 e 2000; e patinc, a taxa de crescimento do patrimônio
líquido por empresa entre 1995 e 2000.
Os resultados estimados aparecem na Tabela 6. O número de observações
utilizadas nas diversas estimações diferiu, em função
das características dos modelos estimados e do banco de dados.
Nos modelos (2a), (3a) e (4a), foram utilizadas 182 observações,
ou seja, todas as observações disponíveis que continham
as seguintes variáveis: exportações da empresa por
países de destino em 1995 e em 2000, receita líquida da
empresa em 1995 e em 2000 e patrimônio líquido da empresa
em 1995 e em 2000.
No modelo (1a), o número de observações utilizadas
foi de apenas 43. Isso porque das 182 observações utilizadas
nos modelos (2a), (3a) e (4a), 139 foram descartadas por tratarem-se de
empresas brasileiras, não fazendo sentido o exame de suas exportações
para o seu país de origem. Além disso, como todos os modelos
fazem uso de diversas variáveis que são taxas de variação
entre 1995 e 2000, a sua estimação para 1995 isoladamente
não foi possível.
Pela Tabela 6, nota-se que, em todos os modelos apresentados, obtivemos
o mesmo padrão. De uma forma geral, em todos os casos houve uma
associação positiva entre o volume exportado, a taxa de
crescimento da receita líquida e a taxa de crescimento das exportações.
Já a proporção entre as exportações
totais e a receita líquida, bem como a proporção
entre as exportações totais e o patrimônio líquido
da empresa, mostraram-se negativamente correlacionadas com a probabilidade
de exportar para o país de origem do capital ou para algum bloco
regional de comércio.
---------------------------------------------------------------------
- As linhas de corte – obtidas a partir de algoritmo específico
– foram as seguintes: a) país de origem do capital majoritário
da firma: 15%; países da ALCA: 33%; países do NAFTA: 39%;
países do Mercosul: 25%.
| Modelos ® |
Probit |
| Variáveis ¯ |
(1a) |
(2a) |
(3a) |
(4a) |
| Constante |
0.6423 (0.448) |
0.3021 (0.156) |
0.7280 (0.165) |
0.8716 (0.175) |
Expsal |
-0.0014 (0.001) |
-0.0012 (0.001) |
-0.0009 (.0005) |
-0.0003 (0.001) |
Exppat |
0.0000 (0.000) |
-0.0001 (0.000) |
0.0002 (.0001) |
-0.0002 (0.000) |
Expinc |
0.0997 (0.063) |
0.0303 (0.003) |
-0.0219 (0.010) |
0.0249 (0.003) |
Salinc |
0.1998 (0.140) |
0.0019 (0.000) |
0.0009 (.0005) |
0.0023 (0.000) |
Patinc |
0.0213 (0.160) |
-0.0228 (0.027) |
-.00007 (.0001) |
-0.0626 (0.044) |
| N |
43 |
182 |
|
182 |
| L.R. Chi-Square |
59.16 |
199.79 |
201.96 |
149.95 |
Notas: Os
números entre parênteses são os erros-padrões de cada coeficiente.
(1a) Variável dependente destino1 assume valor 1 se a proporção
das exportações de cada empresa para o país de origem de seu capital exceder
15% do total, caso contrário assume valor 0.
(2a) Variável dependente destino2 assume valor 1 se a proporção
das exportações de cada empresa para países da Alca exceder 33% do total,
caso contrário assume valor 0.
(3a) Variável dependente destino3 assume valor 1 se a proporção
das exportações de cada empresa para países do Mercosul exceder 25% do
total, caso contrário assume valor 0. (2a) Variável dependente destino4
assume valor 1 se a proporção das exportações de cada empresa para países
da Nafta exceder 39% do total, caso contrário assume valor 0.
A
despeito do fato de os coeficientes estimados apresentarem um baixo valor
absoluto, os coeficientes positivos associados às variáveis expinc
e salinc sugerem que empresas com aumento das vendas e das exportações
entre 1995 e 2000 canalizaram seus negócios para os países de origem de
seu capital, bem como para países da Alca, do Mercosul e do Nafta, acima
das proporções de referência.
Esses
resultados confirmam – para as subsidiárias norte-americanas e canadenses
– um padrão de relação entre tamanho e desempenho exportador semelhante
ao do conjunto das empresas. O atributo diferenciado é a interação com
o mercado do país de origem do capital. Com base nas empresas constantes
de nossa amostra, tentamos estimar equações semelhantes para as firmas
com matrizes européias e asiáticas. Os resultados econométricos, no entanto,
não se apresentaram robustos. Apesar disso, a análise crua dos dados de
exportações e importações dessas empresas sugere que o caso das firmas
canadenses e norte-americanas não é uma excentricidade. Pela Tabela 7,
por exemplo, pode-se constatar que o país de origem do capital continua
sendo o destino preferido do comércio exterior das subsidiárias européias
e asiáticas em operação no Brasil.
Isso reforça o apoio à nossa hipótese de que a análise dos agentes econômicos
pode levar a resultados de impactos comerciais por setor distintos daqueles
obtidos a partir de estimativas de criação e desvio de comércio com base
nas estruturas das barreiras às importações.
Tabela 7 – Destino das Exportações e Importações por Origem do Capital
– 1995 e 2000
PAÍSES |
PERCENTAGEM DAS EXPORTAÇÕES PARA O PAÍS DE ORIGEM |
PERCENTAGEM DAS EXPORTAÇÕES PARA O CONTINENTE DE ORIGEM |
NÚMERO DE EMPRESAS |
| ALEMANHA |
14,40 |
16,02 |
43 |
| FRANÇA |
4,60 |
26,70 |
23 |
| ITÁLIA |
16,31 |
22,65 |
16 |
| REINO UNIDO |
1,63 |
24,12 |
13 |
| TOTAL EUROPA |
|
21,15 |
95 |
| JAPÃO |
19,59 |
19,59 |
22 |
| CORÉIA |
38,72 |
38,72 |
5 |
| TOTAL LESTE ÁSIA |
|
24,27 |
27 |
| ESTADOS UNIDOS |
20,66 |
23,73 |
82 |
| |
|
|
|
| PAÍSES |
PERCENTAGEM DAS IMPORTAÇÕES DO PAÍS DE ORIGEM |
PERCENTAGEM DAS IMPORTAÇÕES DO CONTINENTE DE ORIGEM |
NÚMERO DE EMPRESAS |
| ALEMANHA |
38.7 |
44.5 |
27 |
| FRANÇA |
12.8 |
34.4 |
10 |
| ITÁLIA |
23.7 |
34.9 |
8 |
| REINO UNIDO |
6.1 |
27.8 |
7 |
| HOLANDA |
13.7 |
34.0 |
5 |
| SUÍÇA |
24.2 |
26.2 |
3 |
| SUÉCIA |
10.7 |
29.9 |
3 |
| TOTAL EUROPA |
|
36.0 |
63 |
| JAPÃO |
58.1 |
59.4 |
18 |
| CORÉIA |
52.9 |
61.5 |
2 |
| TOTAL ÁSIA |
43.0 |
52.2 |
20 |
| ESTADOS UNIDOS |
|
55.4 |
50 |
5. Conclusões
Os resultados encontrados neste trabalho indicam que as empresas exportadoras
de capital externo têm forte interação com suas matrizes.
As empresas que experimentaram um aumento das suas vendas e exportações
entre 1995 e 2000 canalizaram seus negócios, preponderantemente,
para os países de origem de seu capital.
Além disso, encontramos que, quanto maior o peso do comércio
exterior em relação à receita líquida, tanto
maior a probabilidade de que a empresa destine uma proporção
crescente de suas exportações para o país de origem
de seu capital. O mesmo efeito foi observado quando investigamos o impacto
do incremento da receita líquida e das exportações
totais sobre as exportações para o país de origem
do capital.
Assim, pode-se dizer, por exemplo, que empresas com capital preponderantemente
norte-americano ou canadense tendem a exportar mais para os EUA ou Canadá
respectivamente, na medida em que crescem suas vendas totais e suas exportações
totais, e quanto maior for a proporção do comércio
exterior na sua receita líquida.
Ao analisarmos a origem geográfica das importações
das empresas norte-americanas e canadenses, notamos que o peso relativo
dos EUA é o dobro do constatado nas vendas externas, e que as importações
são realizadas sobretudo por empresas dos setores de veículos
e autopeças, química e petroquímica e eletrodomésticos,
em relação aos quais há indicação (na
literatura sobre os países industrializados) de incidência
de comércio intra-firma.
Essas evidências reforçam a relevância da análise
do impacto potencial da Alca: as subsidiárias de empresas norte-americanas
e canadenses em operação no Brasil têm uma estrutura
geográfica razoavelmente diversificada para suas exportações,
mas dependem dos EUA para quase 40% de suas importações,
enquanto suas vendas naquele mercado dependem da estrutura de comercialização
de suas casas-matrizes.
Esse conjunto de resultados reforça, a nosso ver, o argumento central
deste trabalho: a existência de transações intra-firma
(que a literatura indica estarem mais concentradas nos setores que envolvem
mão-de-obra especializada) pode qualificar as estimativas de efeitos
associados a acordos de preferências comerciais, com uma distribuição
setorial desses efeitos distinta daquela obtida nas estimativas de criação
e desvio de comércio, a partir da estrutura de barreiras às
importações.
A título de ilustração, Carvalho e Parente (1999)
estimam os efeitos da Alca sobre as exportações e importações
brasileiras, a partir de modelo de equilíbrio parcial, com simulação
dos efeitos de uma eliminação das tarifas de importação.
Seus resultados indicam um aumento de 6,5% nas exportações
totais brasileiras, e de 20,6% nas importações totais.
Em comparação com os resultados obtidos aqui, chama a atenção
que, no caso das exportações, o impacto estimado por Carvalho/Parente
sobre as exportações da indústria química,
maquinaria e equipamentos elétricos e equipamento de transporte
seja inferior à média, da mesma forma que para as importações
da indústria química. O que os indicadores apresentados
neste trabalho sugerem é que, provavelmente, se forem levados em
consideração os efeitos intra-firma – mais intensos
exatamente em segmentos dessas indústrias –, é provável
que os resultados sejam distintos daqueles obtidos a partir da análise
apenas da estrutura de barreiras comerciais.
De uma forma mais geral, esse conjunto de resultados, ainda que incipiente,
parece confirmar resultados de pesquisas para países como os Estados
Unidos. Como relata Lipsey (1995), por exemplo, a existência de
networks comerciais entre as empresas multinacionais parece melhorar a
sua parcela de mercado de exportações, uma vez que as multinacionais
norte-americanas tendem a exportar mais para países onde suas matrizes
têm a maior concentração de seu capital, e menos para
países onde não há filiais.
Acreditamos que os resultados apresentados aqui sejam ilustrativos da
importância de se incorporar os tipos de agentes econômicos
na análise dos impactos de processos de integração
regional, e possam motivar novas análises nessa direção.
Referências
bibliográficas
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in 1992. NBER, Working Paper Series, No. 2656.
BAUMANN, R. An Appraisal of Intra-Firm Exports from Brazil, 1980-1990.
The Developing Economies, vol.33, No.1, March 1995.
BONTURI, M.; FUKASAKU, F. Globalisation and Intra-Firm Trade: An Empirical
Note. OECD Economic Studies, No. 2, Spring 1993.
CARVALHO, A; PARENTE, A. Impactos Comerciais da Área de Livre Comércio
das Américas, IPEA, Texto para Discussão No. 635,
1999.
HELPMAN, E.; KRUGMAN, P. Market Structure and Foreign Trade: Increasing
Returns, Imperfect Competition and the International Economy, MIT
Press, 1985.
KRUGMAN, P. New Theories of Trade among Industrial Countries. American
Economic Review, 73(2), May 1983, pages 343-47.
____________. Strategic Trade Policy and the New International Economics.
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LIPSEY, R.E. Trade and Production Networks of US MNCs and Exports by their
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MARKUSEN, J.R.; VENABLES, A.J. Multinational Firms and The New Trade Theory.
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MARKUSEN, J.R.; MASKUS, K.E. Multinational Firms: Reconciling Theory and
Evidence. NBER, Working Paper Series No. 7163.
OCDE. Globalisation of Industry – Overview and Sector Reports.
Paris, 1996.
POSNER, M. V. International Trade and Technical Change. Oxford Economic
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SRF. O Comércio Exterior do Brasil com os Países da ALCA
no Período de 1997 a 2000. Mimeo. Disponível em
www.fazenda.gov.br/receita/federal/ComercioExterior/Alca97a2000/default.htm
TAKEUCHI, K. Does Japanese Direct Foreign Investment Promote Japanese
Imports from Developing Countries?. World Bank, Working Papers
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VERNON, R. International Investment and International Trade in the Product
Cycle. Quarterly Journal of Economics, 1966.
VINER, J. The Customs Union Issue. New York: Carnegie Endowment
for International Peace, 1950.
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