A Exposição Arte Imperial conta com os auspícios do Senhor Fernando Henrique Cardoso, Presidente da República Federativa do Brasil e Sous le Haut Patronnage de Monsieur Jacques Chirac, Président de la République française. Foi a primeira vez que um Presidente da França deu um " Haut Patronage" para uma exposição no Brasil, e ainda por cima não sendo esta, uma exposição vinda através do Governo Federal.

ARTE IMPERIAL

Contando com a curadoria de Jean-- Paul Desroches, a exposição sobre a arte imperial apresenta 110 peças do Museu de Guimet, da França e mais 5 peças de Portugal. O curador encontrou nas vastas coleções do Museu Guimet, o necessário para ilustrar os grandes marcos da civilização chinesa, que vão do período Neolítico até os letrados dos Qing (1644-1911).

1º - Os oleiros do neolítico (5º - 2º milênio aC). O conjunto das peças apresentadas enfoca a cerâmica vermelha a partir da cultura Banpo (5 o milênio aC), que foi uma das primeiras, até a chegada do metal nas culturas Qijia e Siwa (2 o milênio aC). A perfeição das formas e a beleza da decoração dão testemunho da maestria do forno, do torno e do pincel, três ferramentas fundamentais da civilização chinesa.

2º - Os fundidores de bronze das dinastias reais (XVIII aC - III aC). A era do bronze nasce das experimentações do neolítico, principalmente em Qijia, durante a fase final, quando a cerâmica vermelha se aproxima dos primeiros espelhos em bronze. O domínio do metal oferece novos recursos ao homem. Quem domina essa técnica possui as armas e os utensílios que lhe permite afirmar o seu poder. Surgem então as três primeiras dinastias, os Xia (XVIII - XVI), os Shang (XVI - XI) e os Zhou (XI - III).

3º - Os construtores do império dos Han (206 aC - 220 dC). A China entra no período clássico, com um território vasto e unificado equivalente àquele do Império Romano da época, tanto ao nível da extensão territorial quanto da densidade demográfica. Foi um período de criação de uma infra-estrutura urbana e de aldeias rurais, em um contexto de equilíbrio agrário. Embora todos os monumentos dessa época tenham desaparecido, a China ainda possui alguns vestígios arquitetônicos deles. Percebe-se que as construções em madeira da Antigüidade foram substituídas por construções em alvenaria e lajes de pedra.

4º - Os moldadores de argila dos Tang (618-907). O Império se abre largamente às influências ocidentais e se estende ao longo da rota da seda: o eixo econômico mais importante do seu tempo. A Grande Muralha é abandonada em prol da cavalaria móvel. O cavalo, ornamento dos palácios e das tumbas, é cantado pelos poetas e se torna o motivo privilegiado dos pintores e dos moldadores. Os pequenos animais de sela da Mongólia são rapidamente substituídos pelos grandes cavalos de batalha da Ásia Central: fogosos, elegantes e paramentados. Eles se tornam pretexto para a criação de puras obras-primas das artes plásticas universais. Estas esculturas estão acompanhadas por cavalariços e por músicos vindos do Oeste. Trata-se de todo um mundo exótico, muito vivo e colorido, que toma posse dessa China dos Tang.

5º - Os ceramistas dos Song (960 - 1279). A invenção da cultura inundável do arroz, concomitante à criação de aglomerações urbanas verdadeiras, representa a solução. Surge uma classe urbana ao mesmo tempo letrada e hedonista. As pessoas se interessam pela cultura, ciências, tecnologia e artes. Imperadores como o famoso Huizong (1082 - 1125) dão o exemplo. Ao mesmo tempo poeta, pintor e calígrafo, ele coleciona bronzes e jades arcaicos, bem como cerâmicas. Como acontece ainda hoje no Japão, o chá e seu ritual chanoyu materializam todos esses refinamentos.

6º - As porcelanas dos Ming (1368 - 1644). A China dos Ming pode levantar a cabeça e levar seu brilho até a Europa e, em particular à Veneza, graças às famosas porcelanas azul-e-branco. Logo em seguida, os portugueses por sua vez se lançam aos mares. Contornando a África, Vasco da Gama chega à Índia em 1498. Jorge Álvares chega ao largo de Cantão, na China, no outono de 1513, e a primeira embaixada portuguesa conduzida por Tomé Pires chega a Pequim no início dos anos 1520. Porcelanas testemunham essa época marítima portuguesa. Algumas são apresentadas nesta exposição. Elas estão ao lado de obras mais antigas e de outras mais recentes, quase sempre de proveniência imperial. Todas participam da mesma técnica do azul cobalto pintado sobre objetos de porcelana e provêm do complexo de Jingdezhen. Nessa metrópole do sudeste da China são instaladas imensas fábricas, bem como numerosos ateliês privados que trabalham para o mercado interno e a exportação. Essa infra-estrutura, única na época, constitui um prelúdio à era industrial. Nela, a divisão do trabalho, confiada a operários especializados, explica a qualidade da produção.

7º - Os homens de letras dos Qing (1644 - 1911). Com a dinastia manchú dos Qing (1644 - 1911), o Império Chinês conhece a sua máxima extensão territorial. Três grandes reinados se sucedem entre os séculos XVII e XVIII, trazendo um século e meio de estabilidade favorável ao desenvolvimento das artes. O primeiro é o do Imperador Kangxi (1662 - 1722), depois seu filho Yongzheng consolida a autoridade que herdou (1723 - 1735) e o imperador seguinte Qianlong (1736 - 1795), que possibilita uma grande estabilidade que contribui para uma prosperidade geral.
O Império possui cerca de vinte mil funcionários recrutados por concurso. Essa elite tem a incumbência de dirigir as grandes cidades e os campos. Muitos desses homens talentosos vivem afastados dos seus familiares e dedicam-se aos estudos no interior de seus gabinetes, realizando trabalhos com tinta e pincel. Eles se cercam de objetos preciosos para meditar sobre o sentido da sua própria existência e a do mundo. Esse último item sugere um ambiente refinado, com mobiliário elegante e repleto de objetos delicados e carregado de valor simbólico.