Processo Seletivo 2012
Ciências Econômicas
Relações Internacionais
Portaria 40 do MEC
Fórum de Executivos
Aula Inaugural
Revista
Instalações
Pós/MBA/Extensão
Notícias
Ouvidoria
Artigos
Links
Fórum FAAP
Fórum FAAP - Ribeirão Preto
Tour Virtual

 

 

9ª Semana de RI focaliza os principais temas da Agenda Internacional

De 9 a 13 de março a Faculdade de Economia realizou a tradicional Semana de Relações Internacionais, que em sua nona edição teve por tema geral Temas da Agenda Internacional. A organização da Semana, a exemplo de edições anteriores, envolveu, alunos e professores, além dos integrantes da Coordenação dos Cursos e da Direção da Faculdade.

Com a criação do curso de RI no período noturno e graças à acentuada integração dos cursos de RI e de Ciências Econômicas, por decisão da direção da Faculdade, as semanas acadêmicas passam, a partir de 2009, a ter a participação de todos os alunos matriculados. Assim, tanto na Semana de RI, realizada no primeiro semestre do ano, como na Semana da Economia, realizada no segundo semestre, participam os alunos dos dois cursos da Faculdade, o que, sem dúvida, agrega ainda mais valor à sua formação acadêmica.

Outra novidade da edição deste ano é que além de palestras nos períodos na manhã e da noite, houve uma programação complementar no período da tarde, com o objetivo de estimular um envolvimento mais ativo dos alunos, em especial dos que recém ingressaram na Faculdade, com a vida acadêmica e as diversas oportunidades de participação que a FAAP lhes oferece.

A sessão de abertura no período matutino abordou um tema que é considerado dos mais preocupantes da atualidade, o da relação entre Isael e Palestina. Com o título Faixa de Gaza: os dois lados da moeda, o painel contou com a presença de dois gabaritados expositores: os professores Samuel Feldberg, das Faculdades Integradas Rio Branco, e Ali El-Khatib, da FACAMP.

Em sua exposição, o professor Feldberg procurou mostrar que os recentes conflitos na Faixa de Gaza ocorreram por absoluta incapacidade de se chegar a um acordo, uma vez esgotadas todas as tentativas de negociação. Entre os motivos dessa incapacidade, um dos principais reside na insistência do Hamas de não reconhecer a existência do Estado de Israel. Enquanto a representação do Hamas – e essa posição radical – continuar sendo reconhecida pelo governo da Palestina, Israel não deverá alterar sua posição de não negociar qualquer acordo oficial.   O professor El-Khatib, por seu turno, procurou mostrar que a manutenção do clima de conflito na região de Gaza deve-se ao desinteresse de Israel de explorar todas as possibilidades de obtenção de uma paz justa, o que se verifica desde a criação do Estado de Israel em 1848, e se repete com as sucessivas recusas do país de atender as resoluções das Nações Unidas. O professor El-Khatib concluiu sua exposição afirmando não ser possível obter uma paz justa enquanto houver gente vivendo em regiões ocupadas, muitas delas na condição de refugiados, e enquanto Israel continuar se preocupando em ter um exército extremamente poderoso, tanto na preparação de seus efetivos como na sofisticação de seus equipamentos.

Evidentemente, dada a complexidade do tema e a acentuada polêmica em torno do mesmo, os participantes do painel foram obrigados a responder a um enorme número de perguntas da platéia, muitas das quais revelando profundo grau de conhecimento sobre os detalhes do conflito de Gaza.

Na parte da tarde, os integrantes do Diretório Acadêmico Roberto Simonsen, do staff do V Fórum FAAP de Discussão Estudantil e da Federação Nacional dos Estudantes de Relações Internacionais (FENERI) organizaram uma série de atividades sob a denominação de FAAP Tour. Além de conhecerem os diferentes departamentos da FAAP e os serviços por eles oferecidos, os alunos participantes fizeram uma visita às instalações da Academia, da Atlética, da Biblioteca, da Central de Estágios, da Junior FAAP, do Museu de Arte Brasileira, da FENERI, do Teatro FAAP e, ao final, puderam participar de um bate papo com diversos professores da Faculdade de Economia.

Abrindo a programação da Semana de RI no período noturno, o professor da Universidad del Salvador de Buenos Aires e secretário acadêmico do Consejo Argentino para las Relaciones Internacionales (CARI), Federico Merke, ministrou a palestra Poder, governança e desenvolvimento: o lugar do Brasil na sociedade internacional sul-americana.

Depois de abordar, na primeira parte de sua exposição, aspectos de ordem conceitual envolvendo questões como balanço de poder e governança, durante a qual apontou a ruptura de uma visão consensual de como organizar o sistema internacional, Federico Merke analisou o papel do Brasil no mundo e no contexto de uma sociedade internacional sul-americana. A rigor, Merke focalizou um assunto que se torna cada vez mais perceptível para quem tem tido a oportunidade de viajar pelos países da América do Sul, ou seja, o fato de o Brasil ser encarado como uma potência regional, o que acarreta, de imediato,  consequências positivas e negativas. Entre as positivas, destaca-se o fato de ser reconhecido regional e internacionalmente como uma liderança cada vez mais consolidada, o que lhe confere uma influência muito maior do que a de qualquer de seus vizinhos nos principais fóruns internacionais. Entre as negativas, o fato de ser visto como uma nação imperialista por seus principais vizinhos, assim como a constatação de que o Brasil não conseguiu apoio recentemente para os postos pleiteados por seus representantes em diversos organismos multilaterais. Em síntese, Federico Merke deixou para a reflexão dos alunos e professores presentes à sua palestra uma questão que foi levantada meses atrás pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na cerimônia comemorativa aos dez anos do centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), qual seja, em termos de política externa, o que, afinal, o Brasil quer ser: o maior entre os menores ou o menor entre os maiores?

A manhã do segundo dia da Semana de RI apresentou uma palestra que despertou enorme interesse por parte de alunos e professores desde o momento em que a programação se tornou conhecida. Numa iniciativa em parceria com a Associação Comercial de São Paulo e contando com o apoio das Fundações Liberdade e Cidadania, Teotônio Vilela e Astrojildo Pereira, o neurocientista, consultor político Drew Westen, que é professor da Emory University, em Atlanta, Geórgia, ministrou a palestra O papel da emoção no destino das Nações. Baseada no livro O cérebro político, que acaba de ser lançado em português (UniAnchieta Editora), a palestra de Drew Westen é repleta de exemplos da última disputa presidencial norte-americana e aponta erros e acertos verificados nas campanhas dos dois candidatos.

Seu argumento central é de que na política, quando razão e emoção colidem, a emoção invariavelmente ganha. Isto ocorre porque a emoção é responsável por valores, imagens, analogias, sentimentos morais e discursos envolventes, que são fatores fundamentais para a tomada de decisão dos eleitores e sobre os quais a lógica exerce papel apenas de suporte. Após afirmar que enquanto os democratas são bons argumentadores, os republicanos são mestres em emoção Drew Westen procurou demonstrar, com base nos seus conhecimentos da evolução do cérebro passional e numa excursão por 50 anos de eleições presidenciais americanas, as razões pelas quais as campanhas são bem ou mal sucedidas.

A evidência aponta, segundo Drew Westen, que três fatores determinam o voto, nesta ordem: os sentimentos em relação aos partidos e seus princípios; os sentimentos em relação aos candidatos; e, para os indecisos, os sentimentos em relação às posições políticas dos candidatos.

Constata-se claramente uma diferença nessa realidade apontada por Westen em relação ao Brasil, uma vez que em nosso país a sequência é diferente, com os eleitores fazendo suas escolhas levando em conta primeiro os candidatos, visto que a estrutura partidária é frágil, não existe fidelidade partidária e tem sido recorrente em nossa história recente a troca de partido por parte de muitos de nossos políticos, alguns dos quais por diversas vezes.

Drew Westen citou ainda os princípios que devem ser observados nas campanhas para que uma mensagem seja efetiva: 1º - se você não senti-lo, não o use; 2º - molde mensagens de impacto emocional; 3º - coloque sua mensagem no nível certo; 4º - apele para o cérebro inteiro.

Ao final de sua fala, o palestrante autografou dezenas de exemplares de seu livro, em cuja capa há a seguinte declaração do presidente Bill Clinton: “Este é o mais interessante e informativo livro sobre política que já li em muitos anos... Se você quer saber por que os candidatos ganham ou perdem eleições e o que os eleitores procuram em um líder – se você é um eleitor ou candidato interessado em um cargo público – tem de ler este livro.”

No período da tarde, a programação contemplou o depoimento da tripulação do veleiro Ambersail, que ancorou no Iate Clube de Santos no dia 7 de março, em passagem pelo Brasil na sua viagem de volta ao mundo, como parte das 700 atividades culturais que estão sendo realizadas em 2009, em comemoração aos mil anos de existência da Lituânia.

Os alunos que se dispuseram a ficar na FAAP no período da tarde foram brindados com uma excelente apresentação, intitulada A Odisséia do Milênio: um único nome – Lituânia, que foi coordenada pelo engenheiro formado pela FAAP e atual cônsul honorário da Lituânia em São Paulo, Francisco Ricardo Blaguevitch. Os velejadores Simonas Stepanovicius, Raimundas Daubaras e Mantas Zalatorius se alternaram num relato que contemplou o planejamento da viagem e os principais momentos desse empreendimento que contou com a colaboração de cerca de 150 pessoas em regime de voluntariado. O Ambersail deixou o porto de Klaipéda, no Mar Báltico em 5 de outubro de 2008 e tem seu regresso previsto para o dia 6 de julho, dia que marca as comemorações da coroação do Rei Mindaugas da Lituânia.

Antes de o grupo iniciar a viagem, o presidente lituano, Valdas Adamkus (que esteve na FAAP ministrando palestra em 2008), fez questão de entregar a cada velejador uma carta destinada às comunidades lituanas espalhadas em todo o mundo. Dirigindo-se aos seus compatriotas, cada mensagem é, na verdade, um convite para que, juntos, todos celebrem o “Milênio da Lituânia”. Simbolicamente, a bandeira da presidência da Lituânia, entregue pelo próprio presidente ao grupo de navegadores como sinal de solidariedade e apoio à missão, contribui para projetar o país no cenário internacional e cultural.

A rota do Ambersail inclui 11 etapas, com tripulações diferentes. Durante as primeiras, já realizadas, o nome da Lituânia foi levado a quatro continentes do mundo, com visitas às comunidades lituanas da Alemanha, Ilhas Canárias, República da África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Argentina.

A sessão noturna do segundo dia da Semana de RI teve por tema a China e, tratando do tema, tivemos dois interessantes depoimentos. O primeiro, do professor José Roberto Araújo de Cunha Jr., atual presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo e que passou os últimos seis meses de 2008 como professor convidado na Universidade de Economia e Negócios Internacionais (UIBE) em Beijing. O segundo, de Paulo Farkas Bitelman, aluno formado na terceira turma do curso de RI da FAAP e que, pouco tempo depois, teve a oportunidade de morar na China por um período de três anos.

Em seu relato, Cunha Jr. falou de sua experiência na UIBE, uma instituição criada em 1951 e que conta atualmente com 13.000 mil alunos, 2.600 dos quais estrangeiros, sendo que 80% do total dos alunos vive nas dependências da própria universidade. Apesar do tempo reduzido, procurou abordar aspectos da história, da cultura, da educação e da política local, evitando se limitar apenas aos aspectos econômicos, fartamente divulgados pelos diferentes meios de comunicação.

Paulo Farkas Bitelman, por sua vez, iniciou sua exposição exibindo um filme de cerca de dez minutos que ele mesmo produziu e que ilustra magnificamente o seu dia-a-dia na China. A seguir, falou de sua experiência como jovem executivo encarregado de abrir uma empresa num país estrangeiro de enorme importância no cenário econômico internacional, realçando oportunidades e dificuldades encontradas na realização de negócios.

Chamou a atenção dos presentes o fato de ambos os palestrantes terem destacado a imperiosa necessidade de se ter um prévio conhecimento da cultura chinesa não só para facilitar a convivência, mas, sobretudo, para viabilizar a realização de negócios.

O terceiro dia da Semana de RI esteve voltado, nos períodos matutino e noturno, à crise financeira internacional. Na parte da manhã, Renato Baumann, economista que desde 1995 dirige o escritório brasileiro da CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, tratou do tema O impacto da crise na América Latina, mostrando que a crise que assola a economia mundial tem um efeito particularmente perverso sobre a maior parte dos países latino-americanos uma vez que os atinge após um período de crescimento acelerado, durante o qual, paralelamente ao aumento do produto (PIB), verificou-se também, em muitos desses países, significativa elevação do gasto público.

Apesar desse impacto negativo, Baumann afirmou que em comparação com outras épocas, a América Latina e o Caribe encontram-se em situação mais satisfatória para enfrentar os efeitos da crise, o que não evita a revisão das previsões da taxa de crescimento para 2009.

Na segunda parte de sua exposição, Renato Baumann procurou indicar algumas das principais ações que vem sendo adotadas pelos países da região, quase todas elas sinalizando para políticas econômicas de orientação keynesiana, o que se traduz em política monetária ativa, maior intervenção governamental na economia e esforços localizados no sentido de evitar a expansão acentuada do desemprego. Concluindo sua exposição, Baumann apontou algumas lições que podem ser extraídas da atual crise e chamou atenção para a necessidade de se ter uma visão de longo prazo, escapando da tentação de se fixar em ações de curto prazo, suficientes apenas para ações pontuais semelhantes à de bombeiros procurando eliminar focos de incêndio.

Na sessão da noite, o professor Tharcísio Bierrenbach de Souza Santos, coordenador da FAAP-MBA, fez a palestra A crise internacional e as regras de sobrevivência. Sua apresentação foi subdividida em três partes: os antecedentes e a crise financeira internacional; os reflexos sobre o Brasil; as regras de sobrevivência na crise.

Na primeira, fez um relato detalhado de como a crise foi se formando e, para tanto, mostrou uma série de indicadores das economias britânica e norte-americana, sintetizadas por ele na expressão “ondas sucessivas de choque”. Em seguida, o professor Tharcísio explicou o funcionamento dos fatores de avaliação de crédito nos Estados Unidos (gráfico 2), para, em seguida, mostrar o conceito de subprime e seu impacto no mundo real, uma vez que de 2001 a 2006 as hipotecas subprime passaram  de 8,8 para 20,1% do total das hipotecas emitidas no país.

Dando prosseguimento à palestra, o professor Tharcísio indicou os principais pontos do sistema de securitização, uma das bases do funcionamento do sistema financeiro nos Estados Unidos. Esse sistema, adotado a partir do New Deal em 1933, tem como protagonistas as securitizadoras Fannie Mae (1933) e Freddie Mac (1971), responsáveis pelas garantias para hipotecas securitizadas.

Na etapa seguinte, o professor Tharcísio mostrou o aguçamento da crise e seu rápido processo de disseminação no segundo semestre do ano passado, ilustrando com a redução dos valores de diversos bancos e a redução do valor das ações de empresas brasileiras na Bolsa de Valores.

Na penúltima parte de sua palestra, o professor Tharcisio apresentou um resumo macroeconômico da situação atual, destacando:

  • A crise financeira internacional deverá se prolongar pelo menos até o final de 2009.
  • Vários setores produtivos da economia brasileira estão enfrentando, durante o exercício, as consequências do desaquecimento econômico nos países desenvolvidos.
  • O País poderá aproveitar a oportunidade para como uma alternativa diferenciada entre as economias emergentes, apresentando um desempenho melhor no segundo semestre de 2009.
  • As medidas monetárias e fiscais, que até agora se revelaram bastante acertadas, requerem um esforço fiscal, de redução das despesas de custeio corrente por parte do Governo.

Finalizando sua palestra, o professor Tharcísio ousou indicar seis regras de sobrevivência para as empresas na crise:

  • Privilegiar a liquidez – as empresas não quebram por prejuízo, mas por falta de caixa.
  • Controle do endividamento – spreads bancários em alta Þ encarecimento generalizado do crédito.
  • Eficiência na gestão de compras – cuidados com o repasse do incremento no câmbio aos preços de insumos.
  • Margens comprimidas na precificação – ganhar pouco para ganhar sempre.
  • Fidelização do consumidor – manter e ampliar a base de clientes é essencial: serviços diferenciados são um meio para isso.
  • Flexibilidade – rapidez para converter oportunidades criadas pela crise em expansão e consolidação de negócios.

Na parte da tarde os organizadores do V Fórum FAAP de Discussão Estudantil, simulação de assembléias e reuniões de organismos internacionais que será realizada de 30 de abril a 3 de maio coma participação de 394 estudantes de ensino médio de diversas escolas do País, promoveram um simulado de uma reunião do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com o objetivo de mostrar como funciona esse tipo de evento, estimulando assim a participação de alunos recém ingressados na Faculdade e que poderão iniciar sua participação no Fórum FAAP, atuando como voluntários, primeiro passo de uma carreira que poderá levá-los a diretores de comitês ou secretários-gerais em edições futuras.

Se o terceiro dia da Semana de RI foi voltado para a crise financeira internacional, o quarto dia foi voltado à política internacional tendo por pano de fundo a chegada de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

Na sessão matutina, o professor e cientista político Oliveiros Ferreira ministrou a palestra O governo Barack Obama e os desafios da política externa norte-americana. Do alto de sua vasta e reconhecida experiência, Oliveiros Ferreira iniciou sua palestra fazendo um mapeamento dos principais desafios a serem enfrentados por Barack Obama em todo o mundo, incluindo o Iraque, o Afeganistão, a Coréia do Norte, além de Irã, Israel e outros considerados de menor importância. Na fase final de sua fala, Oliveiros Ferreira destacou a importância da crise econômico-financeira atual, identificando na mesma um papel chave não apenas para o sucesso ou fracasso da política externa norte-americana, mas também como algo que exigirá uma ampla reflexão sobre a globalização e, em última instância, das próprias relações internacionais. Concluindo sua exposição, Oliveiros Ferreira reconheceu a importância da chegada de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos e disse acreditar ser ele a única pessoa no mundo capaz de garantir a estabilidade internacional, o que dependerá, evidentemente, de uma postura muito menos isolacionista do que a de seu antecessor.

Na sessão noturna, a professora Cristina Pecequilo, atualmente vinculada à UNESP, proferiu a palestra Obama e Hillary: reformando a hegemonia. No começo de sua exposição, a professora mencionou o fato de que o presidente Obama chega ao poder no momento em que estamos completando duas décadas do fim da Guerra Fria e em que os Estados Unidos atravessam, além de uma crise econômica, também uma crise política e social, o que exige uma ofensiva inicial capaz de cumprir as promessas de campanha. Essa ofensiva inclui: a recuperação econômica, as questões relacionadas aos direitos civis e aos direitos humanos (tortura, Guantanamo), a retirada das tropas do Iraque, a revisão da missão no Afeganistão, a postura multilateral, o smart power, a valorização de parceiros e a flexibilização das políticas em Cuba.

Em seguida, Cristina Pecequilo explicou aquilo que ela chama de refundação: a liderança hegemônica multipolar e/ou a nova hegemonia, o que exige um esforço de recriação que combine uma atualização estrutural que engloba o exercício do poder hegemônico (base social e raízes do poder; conteúdo da liderança) e um novo sistema internacional (novos equilíbrios de poder, tensões periféricas, organizações internacionais, processos de negociação, democratização das relações internacionais).

Na parte final de sua fala, Cristina Pecequilo procurou fazer algumas especulações a respeito das possíveis consequências dessas estratégias de Obama e Hillary para o Brasil.

Na parte da tarde, ocorreu a projeção do filme Promessas de um novo mundo, seguida de um debate coordenado pelos professores Guilherme Casarões e João Grinspum Ferraz. Produzido em 2001, o, filme apresenta, de um lado, crianças palestinas; de outro, israelenses. São filhas da guerra e vivem num mundo onde o ódio é parte do dia-a-dia. Mas o que acontece quando meninos e meninas separados por diferenças religiosas, étnicas e políticas ousam se encontrar com o “inimigo”? Sem mocinhos nem vilões, este documentário é um emocionante registro de como vivem e o que pensam essas crianças – uma procura por respostas para a pergunta: há chance de paz no Oriente Médio?

A manhã do último dia da Semana de RI abordou um tema de extraordinária importância na agenda internacional, uma vez que encontramo-nos num momento decisivo para o estabelecimento das normas gerais do protocolo que substituirá o de Kyoto a partir de 2014. Para tratar deste tema, a Comissão Organizadora convidou Fabio Feldmann, sem qualquer favor um dos maiores especialistas no assunto.

Fabio Feldmann iniciou sua palestra intitulada Desafios da sustentabilidade no contexto global explicando como se deu a evolução da consciência ambiental desde a década de 1970 até os dias de hoje. Nessa fase, além de explicar conceitos essenciais para a compreensão dos principais problemas climáticos, como o efeito estufa mostrado na figura 1, o palestrante citou também os momentos mais marcantes dessa trajetória como o surgimento de ONGs importantes (Greenpeace, Anistia Internacional, SOS Mata Atlântica, WWF, The Nature Conservancy), a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, a criação do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima em 1988, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - RIO 92, a Agenda 21, o Protocolo de Kyoto de 1997, a Cúpula do Milênio e o Global Compact em 2000, a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, Joanesburgo (Rio+10) em 2002, a Avaliação Ecossistêmica do Milênio em 2005, o Relatório Stern em 2006 e, por fim, o Relatório do IPCC de 2007.

A última sessão da Semana de RI foi sobre o setor de bioenergia, com apresentação do presidente da UDOP – União dos Produtores de Bioenergia, José Carlos Toledo,. O palestrante começou fazendo um panorama do grupo e do que representa a energia no mundo, ou seja, o consumo de energia per capita no mundo é o que distingue os países desenvolvidos dos em desenvolvimento. Quanto mais avançada for uma sociedade, maior é o consumo de energia, tendo em vista que os aparelhos que dão comodidade à vida cotidiana são movidos a energia, como ar-condicionado, computadores, geladeiras etc.

Tendo em vista o preço do petróleo nos últimos anos e as preocupações com o aquecimento global, a busca por novas fontes de energia cresceu muito nos últimos anos. É nesse cenário que se insere o setor de bioenergia, principalmente com o etanol, que vem se desenvolvendo nos últimos trinta anos e no qual o Brasil é um dos líderes mundiais. Tal posição se deve à competitividade que a cana-de-açúcar possui frente aos outros concorrentes, quer em termos de produtividade por hectare, quer de custo de produção (gráfico 5).

As perspectivas apresentadas para o consumo de etanol misturado à gasolina em diversos países apontam para um aumento do consumo mundial desta commodity, tendo os Estados Unidos como o maior mercado. Contudo, hoje o maior cliente do Brasil é a Europa, responsável por 33% das nossas exportações. O mercado asiático, entretanto, é considerado muito promissor.

A expansão das exportações, no entanto, enfrenta uma série de barreiras nos diferentes mercados. Como exemplo, José Carlos Toledo citou: nos Estados Unidos, a tarifa de importação e os subsídios para a agricultura; na Coreia do Sul e no Japão, problemas técnicos de distribuição e confiança nos produtos brasileiros; e na União Européia, as cláusulas sócio-ambientais.

Por fim, foi discutido o impacto da atual crise financeira no setor. O palestrante afirmou que a situação econômica atual levou algumas usinas produtoras a enfrentar problemas financeiros, o que pode conduzir a um processo de consolidação do setor. Contudo, ele defendeu que as perspectivas futuras são muito promissoras, tanto para o etanol quanto para o açúcar, fazendo com que a demanda por bons profissionais continue aquecida.

Além dos alunos e professores da Faculdade de Economia, graças aos esforços dos integrantes da FENERI, do D. A. Roberto Simonsen e do staff do Fórum FAAP, as diferentes sessões da Semana de RI foram assistidas também por alunos de outros cursos da FAAP, de outras instituições de ensino superior e, ainda, por estudantes de escolas de ensino médio que participarão do V Fórum FAAP de Discussão Estudantil.

Os componentes do painel que abriu a Semana de RI: professores Ali El Khatib, Gunther Rudzit, Samuel Feldberg e Pedro Brasil.


Professor Federico Merke, fazendo sua palestra na sessão de abertura da Semana de RI no período noturno, observado pelo coordenador do curso de Economia, professor José Maria Rodriguez Ramos.


Flagrante da palestra do professor Drew Westen, que focalizou a relação entre razão e emoção nos processos eleitorais, observado por Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo, e embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da FAAP.


Assim como na palestra de Drew Westen, os auditórios que foram palco das palestras da Semana de RI estiveram com sua capacidade plenamente ocupada.


Sob a coordenação do professor Antonio Sergio Bichir, assessor pedagógico da Faculdade de Economia, os palestrantes que falaram sobre suas experiências na China: à esquerda, o professor José Roberto de Araújo Cunha Jr., e, à direita, o empresário Paulo Farkas Bitelman.


Professor José Maria Rodriguez Ramos, coordenador do curso de Economia, professor Gunther Rudzit, coordenador do curso de RI, professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, o palestrante Renato Baumann, e professor Otto Nogami.


Palestra do professor Tharcísio Bierrenbach de Souza Santos, observado pelo professor José Geraldo Soares de Mello Jr.


Professores João Grinspum Ferraz, Denilde de Oliveira Holzhacker e Oliveiros Ferreira


Flagrante da palestra da professora Cristina Pecequilo.


O vice-diretor da Faculdade de Economia Luiz Alberto Machado, o embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia, e Fabio Feldmann, na sessão final da Semana de RI no período matutino.


José Carlos Toledo, presidente da UDOP, na palestra sobre o setor de bioenergia, que fechou a Semana de RI.


As integrantes da comissão organizadora da 9ª Semana de RI, Juliana Baeza, diretora de pesquisa da FENERI, Ana Carolina Friedman, secretária-geral administrativa do V Fórum FAAP de Discussão Estudantil, e Bruna Aguiar, presidente do Diretório Acadêmico Roberto Simonsen, recebendo a homenagem da Diretoria da Faculdade de Economia por sua extraordinária colaboração.