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Vice-ministra de Relações Exteriores da Lituânia visita a FAAP

Em visita oficial ao Brasil, a vice-ministra das Relações Exteriores da Lituânia, Asta Skaisgiryte Liauskiene, veio inaugurar a Câmara de Comércio Brasil-Lituânia, uma iniciativa que visa aumentar o comércio entre os dois países. E, em uma iniciativa de Francisco Ricardo Blagevitch, ex-aluno da FAAP e cônsul honorário da Lituânia em São Paulo, a diplomata lituana ministrou uma palestra aos alunos do curso de Relações Internacionais.

Acompanhada do embaixador lituano para o Brasil e Argentina, Vaclovas Salkauskas, assim como da conselheira Irena Skullerud, do presidente da Câmara de Comércio Brasil-Lituânia, do empresário Danilo Talanskas, além do próprio Francisco Blagevitch, a ministra foi recebida pelo diretor cultural da FAAP, professor Victor Mirshawka. Em uma agradável conversa informal, que misturou diálogos em inglês, russo e ucraniano, a comitiva foi recepcionada na sala da Diretoria Cultural, onde se discutiu a possibilidade de uma parceria entre a FAAP e uma instituição de ensino superior lituana assim como uma possível visita do professor Mirshawka àquele país.

Após esse encontro, a vice-ministra dirigiu-se ao Centro de Convenções, onde proferiu a palestra intitulada A economia da Lituânia e do leste europeu no cenário global. A diplomata, com um inglês perfeito, começou sua apresentação fazendo uma série de perguntas aos estudantes, sobre a localização da Lituânia e sobre seus vizinhos, quebrando o gelo inicial.

A palestrante explicou que tanto a língua falada na Lituânia, o lituano, quanto o letoniano da Letônia, são línguas indo-europeias, diferentes de quaisquer outras no continente europeu, e que o som de sua língua é muito próximo ao do sânscrito.

Em seguida, Asta Skaisgiryte Liauskiene passou a contar um pouco da história desse pequeno, mas muito interessante país europeu. Ela explicou que a Lituânia foi criada há 1.000 anos, e já teve um território muito maior do que hoje, quando formou um único Estado em junção com a Polônia, que durou de 1569 até 1795. Foi nessa época que adotou, pela primeira vez em toda a Europa, uma constituição escrita, um senador, em um processo muito democrático, mas que não conseguiu se sustentar por divergências entre as lideranças políticas dos dois povos.

Quando o seu território foi dividido, o que hoje é a Lituânia acabou ficando para o império russo, levando o povo lituano a ter que esperar muito tempo para conseguir recuperar sua independência, que veio somente após a Primeira Guerra Mundial. Mesmo assim, foi por pouco tempo, uma vez que após a Segunda Guerra Mundial, o país foi ocupado e anexado pela então União Soviética, e somente em 1990, foi que conseguiu novamente recuperar a sua soberania.

Após essa contextualização histórica, a ministra Liauskiene passou a descrever um pouco de como a Lituânia se vê. Em relação aos Estados Bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia), ela frisou que os três são muito próximos em suas políticas internas e externas, formando um mercado de nove milhões de pessoas.

Já com os países nórdicos (Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia), a aproximação econômica e diplomática também é muito forte, formando um mercado maior, pois juntos os sete países têm trinta e cinco milhões de pessoas. Assim, com esse conjunto de países a Lituânia tem suas relações mais próximas, mas não se esqueceu de explicar a entrada de seu país na União Europeia (UE) em 2003.

Essa decisão, segundo a ministra Liauskiene, veio naturalmente, uma vez que tanto a Lituânia quanto os outros países membros da UE têm causas históricas e valores em comum. Para a palestrante, dois fatores foram fundamentais para essa decisão, a democracia, como valor básico do povo lituano, e a economia de mercado, uma vez que 80% do comércio e dos investimentos estrangeiros já eram com os europeus ao longo de toda a década de 1990.

Além da entrada na União Europeia, a ministra explicou os motivos que levaram o país a aderir à OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar de defesa. Para a ministra Liauskiene, os dois objetivos que levaram à adesão em 2004 a essa organização foram a percepção de ameaça de alguns vizinhos, como a Rússia, além da visão de que a Lituânia tinha que contribuir para a segurança europeia, uma vez que compartilha dos mesmos valores e ideais com os outros países europeus.

Outro ponto abordado pela diplomata lituana foi a relação entre a União Europeia e o Mercosul. Ela reconhece que os dois lados estão negociando um acordo de livre comércio há muito tempo, mas que por ser um acordo muito vasto, que engloba muitos interesses, torna-se muito difícil concluí-lo. Tanto que ressaltou que a parte mais fácil, a política, já foi superada, restando a mais complicada, ou seja, a econômica.

A palestrante destacou que um acordo de livre comércio envolve vários interesses, como os dos produtores e dos consumidores. Ela fez uma comparação, dizendo que em um país, conseguir um denominador comum entre essas partes já é uma tarefa muito complicada, em uma negociação que envolve países muito diferentes tanto do lado europeu quanto dos sul-americanos, é muito mais difícil.

O último tema abordado na palestra foi a relação entre a Lituânia e o Brasil. A ministra Liauskiene destacou que após o seu país ter sido ocupado pela União Soviética em 1940, o Brasil foi um dos poucos países que não reconheceram de imediato a soberania soviética sobre o povo lituano. Foi somente em 1960, depois de muita pressão do governo do Kremlin, que Brasília acabou reconhecendo a ocupação.

Isso, para ela, foi um ato que os lituanos não esquecem, e é visto com muito carinho e agradecimento, não só pelo governo lituano, mas pelo seu povo também. Além disso, há mais de 250 mil descendentes do seu povo no Brasil, uma imigração que começou nos anos de 1926-27, e que se caracteriza até hoje pela forma generosa como os lituanos foram recebidos pelos brasileiros. E por tudo isso, espera que seu governo consiga abrir uma embaixada em Brasília, uma vez que o embaixador em Buenos Aires acumula as responsabilidades pelas relações entre seu país e os do Mercosul.

Com o fim da sua apresentação, e depois de ser muito aplaudida, a vice-ministra Asta Liauskiene passou a responder perguntas da plateia, quando os alunos a questionaram com diferentes temas.


Recepção na Diretoria Cultural da FAAP: (Da esquerda para a direita) Gunther Rudzit, coordenador do curso de Relações Internacionais, XXX XXX, XXX XXX, XXX XXX, Asta Skaisgiryte Liauskiene, vice-ministra de Relações Exteriores da Lituânia, Victor Mirshawka, diretor cultural da FAAP, XXX XXX, XXX XXX, Danilo Talanskas, , e Francisco Ricardo Blagevitch, engenheiro formado pela FAAP e cônsul honorário da Lituânia em São Paulo.


Flagrante da palestra da vice-ministra de Relações Exteriores da Lituânia, tendo a seu lado o coordenador do curso de RI, Gunther Rudzit, e o cônsul honorário da Lituânia em São Paulo, Francisco Ricardo Blagevitc.


Asta Skaisgiryte Liauskiene, vice-ministra de Relações Exteriores da Lituânia.