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FAAP recebe mais uma vez os integrantes da Sociedade Consular

No dia 29 de outubro de 2009, na sede da Diretoria da FAAP, foi realizada a reunião-almoço da Sociedade Consular, com a presença de membros do corpo diplomático de diversos países que servem em São Paulo, do secretário de Relações Internacionais da cidade de São Paulo, Alfredo Cotait, dos integrantes da Diretoria Executiva da FAAP, do vice-diretor da Faculdade de Economia, Luiz Alberto Machado, e das alunas Juliana Baeza e Isabel Roth, do staff do XV Encontro de Estudantes e Profissionais de Relações Internacionais do Cone Sul, e Marianna Rodrigues, secretária-geral acadêmica do VI Fórum FAAP de Discussão Estudantil.

Em sua saudação de boas vindas, o diretor presidente da FAAP, Antonio Bias Bueno Guillon, lembrou ser este o décimo quarto ano consecutivo em que a FAAP tem a honra de receber os integrantes da Sociedade Consular. Ressaltou, ainda, que este privilégio se insere perfeitamente no esforço de internacionalização que vem sendo desenvolvido pela FAAP nos últimos anos, uma vez que muitos contatos iniciados nesses anos todos se traduziram na vinda de renomadas personalidades dos países representados por seus cônsules para palestras ou conferências, bem como em convênios de intercâmbio com universidades e instituições culturais, amplamente desfrutados por nossos alunos e professores.

Em seguida, o embaixador Synesio Sampaio Goes Filho, atualmente professor do curso de Relações Internacionais da FAAP, fez uma breve palestra aos presentes, aliando a elegância de um experimentado diplomata à facilidade de comunicação existente apenas nos bons professores.

Pautando-se no livro de sua autoria, Navegantes, bandeirantes, diplomatas: um ensaio sobre a formação das fronteiras do Brasil (São Paulo: Editora Martins Fontes), o embaixador Synesio individualizou nesses grupos sociais alguns protagonistas. Colombo, Vespúcio e Cabral, entre os navegantes. O genovês descobriu um continente, mas morreu, anos depois, certo de que havia chegado às Índias. A ele se vincula o Tratado de Tordesilhas, que estabeleceu a fronteira das 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Já o florentino, de família ilustre, foi mais um comerciante, um geógrafo, um escritor de best sellers, do que um navegador; mas foi o primeiro que viu que as terras descobertas faziam parte de um “Mundus Novus”, como se chama a mais famosa de suas cartas. O português descobriu sem querer (é uma das controvérsias mais versadas da História do Brasil) uma terra que já tinha, pois, fronteiras: chamou-a de Santa Cruz, mas o nome comercial e vulgar do lenho vermelho, nossa primeira exportação, foi o que ficou.

Entre os bandeirantes, contou histórias de Raposo Tavares, que fez uma das mais difíceis travessias já realizadas no mundo, a chamada “bandeira dos limites”. Saindo de São Paulo, em 1640, explorou a região do atual Extremo-Oeste e, pelo rio Madeira, chegou a Belém três anos depois. Navegou, por assim dizer, do Prata ao Amazonas, os rios que contornam a ilha-Brasil dos devaneios histórico-poéticos de Jaime Cortesão. Lembrou Fernão Dias Paes, um precursor das descobertas de ouro na região que se chamaria Minas Gerais, e, também, Pascoal Moreira Cabral, que descobriu ouro em Cuiabá e abriu com isso a conquista do então chamado Mato-Grosso do Rio Jauru. Todas essas jornadas são produtos do bandeirismo, que, de 1580 a 1740, criou na cidade de São Paulo uma sociedade de características próprias. Sua vocação, nas palavras de Sérgio Buarque de Holanda, “estava no caminho, que convida ao movimento, não na lavoura que cria indivíduos sedentários”. E esses caminhantes (a palavra é apropriada, pois os bandeirantes andavam a pé) ultrapassaram de muito a velha linha de Tordesilhas.

Os diplomatas foram os que legalizaram através de acordos as grandes ocupações ocorridas no período colonial. O primeiro nome lembrado foi o de Alexandre de Gusmão, principal redator do Tratado de Madri, que praticamente deu ao Brasil, em 1750, as fronteiras que tem hoje. No Império, citou Duarte da Ponte Ribeiro, diplomata que esteve presente em quase todos os acordos negociados já não mais com um país, a Espanha, mas com 10 vizinhos. Negociou-se, mas não foi possível assinar acordos com todos. Isso foi tarefa da República e o grande nome da chamada “política de limites” foi o do Barão do Rio Branco. Já era ele o advogado vencedor de dois conflitos de fronteira sujeitos a arbitramentos, com a Argentina e com a França. Ministro durante dez anos, fechou por completo, através de acordos perfeitos e incontroversos, a longa linha de mais de 16.000 km dos limites terrestre do Brasil. Ao morrer, em 1912, deixou um país livre dos problemas de fronteira, que até hoje constrangem nossos vizinhos.  

Falando em nome da Sociedade Consular, o cônsul-geral de San Marino e presidente da Sociedade Consular, Giuseppe Lantermo di Torre di Montelupo, agradeceu a presença de todos e, em especial, do secretário municipal de Relações Internacionais, Alfredo Cotait. Ressaltou ainda a hospitalidade da FAAP e fez um agradecimento ao embaixador Synesio, pela verdadeira aula de história do Brasil, apresentada de maneira concisa e extremamente acessível.

Ao final do evento, levando como lembrança, um exemplar do catálogo da exposição Os Gêmeos, em cartaz no Museu de Arte Brasileira da FAAP, os convidados se despediram de seus anfitriões faapianos manifestando sua certeza de estarem presentes novamente em 2010.

 

Fotos

Saudação do diretor-presidente da FAAP,
Antonio Bias Bueno Guillon.

 

Flagrante da palestra do embaixador Synesio Sampaio Goes Filho, que é atualmente professor do curso de Relações Internacionais da FAAP.

 

 Giuseppe Lantermo di Torre di Montelupo, presidente da Sociedade Consular e as alunas de RI da FAAP, Marianna Rodrigues, Isabel Roth e Juliana Baeza.

 

A cônsul geral do Uruguai, ministra Brígida Scaffo, o doutor Humberto Delboni Filho e o diretor cultural da FAAP, professor Victor Mirshawka.

 

O secretário municipal de Relações Internacionais, Alfredo Cotait, despede-se do diretor presidente da FAAP, Antonio Bias Bueno Guillon, com um caloroso abraço.