Processo Seletivo 2012
Ciências Econômicas
Relações Internacionais
Portaria 40 do MEC
Fórum de Executivos
Aula Inaugural
Revista
Instalações
Pós/MBA/Extensão
Notícias
Ouvidoria
Artigos
Links
Fórum FAAP
Fórum FAAP - Ribeirão Preto
Tour Virtual


 
|
|
|
|
|
|
|
 
 
 


RI-FAAP EM ISTAMBUL

Em 2008, um grupo de estudantes de Relações Internacionais teve a oportunidade única de participar das reuniões anuais do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, em Washington, DC, iniciando uma tradição que se repetiu em 2009, desta vez em Istambul, na Turquia, como únicos alunos de graduação no mundo a participarem do evento, que foi realizado no espetacular Istanbul Conference Center, uma obra prima em matéria de centro de convenções, construído no tempo recorde de um ano.

Em 2008, quando o primeiro grupo participou das reuniões, o mundo passava por um período em que três crises o afetavam: alimentos, finanças e energia. As três se encontravam intrinsecamente conectadas. A alta de alimentos se deveu, dentre outros fatores, ao aumento do preço do petróleo mundial e à utilização, nos últimos anos, de alimentos para a produção de bio-combustíveis.  A crise financeira levou a uma enorme diminuição do acesso a créditos internacionais, afetando, inicialmente, o mercado norte-americano e se disseminando rapidamente a todos os países, com um enorme impacto. A crise energética podia ser bem observada com o aumento substancial do preço do petróleo que, praticamente, dobrou no período de janeiro a julho de 2008, mas que se estabilizou recentemente num patamar de US$ 70.00 recentemente.

Em Washington, DC em 2008: Marcus Freitas, Karl Vieira,
Paula Barcha, Paul D. Wolfowitz (ex-presidente do Banco Mundial), Guilherme Ribeiro, Stefan Schimenes e Tomás Petti Martins

Um ano depois, nas reuniões de Istambul, tratou-se a respeito do impacto da crise financeira nos países, o que tem sido implementado para atenuá-la e os passos a serem seguidos para criar maior impermeabilidade dos países, tornando-os menos suscetíveis aos enormes impactos provocados.

Na foto: (atrás): Karl Vieira, Murilo Portugal (Vice Diretor Gerente do FMI), Guilherme Coelho; (frente) Fábio Fukuda, Guilherme Ribeiro e Áurea Agresta

Durante os três dias de seminários, os alunos, Áurea Agresta, Fábio Fukuda, Guilherme Coelho, Guilherme Ribeiro, Juliana Bechara, Karl Vieira e Nathália Elias, juntamente com o Professor Marcus Vinícius de Freitas, puderam ouvir dos mais renomados especialistas mundiais os desdobramentos da crise financeira. A apresentação de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel da Economia em 2001, foi particularmente relevante, quando ele abordou a necessidade de se buscarem mecanismos para transformar o desenvolvimento pós-crise em algo mais sustentável, com maior respeito ao meio ambiente.  Os seminários abrangeram cinco áreas de enfoque principal: a crise global, as respostas governamentais, o impacto da crise sobre a pobreza global, o futuro do sistema financeiro internacional e a situação dos países emergentes e da Ásia Central, que foram particularmente atingidos pelos efeitos da crise.

Nesta foto: Nathália Elias, Guilherme Coelho, Marcus Freitas, Joseph Stiglitz (Prêmio Nobel de Economia), Áurea Agresta, Guilherme Ribeiro, Juliana Bechara, Karl Vieira e Fábio Fukuda.

O que a crise tem evidenciado, de alguma forma, é uma mudança no balanço de poder entre os países desenvolvidos e as economias emergentes, levando-se a um questionamento da estrutura de poder das organizações econômicas mundiais, particularmente o Banco Mundial e o FMI, onde os países europeus se encontram super-representados atualmente, com uma participação superior à sua posição econômica.  Outro assunto colocado em pauta foi sobre possíveis substitutos aos Estados Unidos como principal força mundial de consumo e crescimento econômico e a possibilidade de a China assumir essa posição, o que parece improvável ante o elevadíssimo nível do consumo da sociedade norte-americana. Observou-se, ainda, que a crise, de certo modo, tem forçado a China a criar um mercado interno, anteriormente menos relevante em razão da sua vocação exclusivamente exportadora.
 
O FMI, no World Economic Outlook de 2009, analisou 88 crises bancárias nos últimos 40 (quarenta) anos, o que levou à conclusão de que esta crise financeira global deverá deixar cicatrizes profundas e duradouras, como redução no nível de produtividade, desemprego,  menores taxas de investimento e até mesmo desperdício do capital intelectual existente na sociedade. Observou-se, ainda, que após 10 (dez) anos de uma crise, o retorno à normalidade, isto é, o estágio pós-crise não é semelhante àquele em que se encontrava a economia anteriormente. A implicação óbvia é que a recuperação pós-crise sempre reflete uma desaceleração no crescimento econômico, com um enorme impacto sobre o desenvolvimento do país.

Um elemento ausente das discussões foi a questão da Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC), definitivamente colocada de lado, o que, de certo modo, poderá, ainda, instigar protecionismos. Afora estes aspectos, três grandes temas deverão constar da agenda internacional financeira nos próximos anos, como pano de fundo para evitarem-se futuras crises.

Em primeiro lugar, o argumento “too big to fail”, baseado no fato de que determinadas empresas são tão grandes e interconectadas que o governo de um país não pode permitir a sua falência, em razão do seu impacto desastroso sobre a economia.  Isto se tornou particularmente evidente quando do pedido de concordata do banco Lehman Brothers. Tais instituições financeiras, cujos números são maiores do que o produto interno de vários países, podem ter um impacto devastador sobre a economia mundial e isto deve ser melhor regulamentado no futuro próximo.

O aspecto do “moral hazard” (risco moral), no qual o comportamento de uma pessoa ou instituição, quando coberta por algum tipo de seguro para suas ações, não toma os cuidados necessários às suas ações, certamente constitui segundo item relevante da agenda. Este é um caso particularmente relevante na questão dos bônus de executivos de instituições financeiras, que, “gananciosamente”, buscam resultados não sólidos, somente para aumentar os seus ganhos remuneratórios, utilizando de instrumentos de seguro para transações menos transparentes. Em terceiro lugar, em muitos dos painéis se questionou a respeito da hegemonia econômica dos Estados Unidos e a questão do dólar como reserva internacional de valor.

Antes de iniciarem os seminários, no entanto, os alunos tiveram a oportunidade de reunir-se com o vice-diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Murilo Portugal, com quem aprenderam um pouco mais sobre a missão do FMI, obtendo uma prévia dos temas que seriam mais tarde tratados durante as reuniões. Além disso, os alunos foram inspirados por ele quanto às carreiras que poderiam seguir na área internacional.

 

Foto: Delicioso jantar típico no Kosebasi, gentileza dos
ex-alunos da SAIS

Além dessa conversa, houve ainda a oportunidade de algumas reuniões exclusivas, apelidadas de “Private Meetings” com personalidades como Jim O´Neill, economista chefe do Goldman Sachs e criador do acrônimo BRICs, professora Ngaire Woods, da Universidade de Oxford e um dos maiores nomes na área de Desenvolvimento, Jeff Kemps, responsável por Assuntos Governamentais da Merck Sharp & Dohme, em Istambul, além de delicioso jantar no restaurante Kosebasi, gentilmente oferecido por Efsane Askin, da Associação de Ex-Alunos da Escola de Estudos Avançados Internacionais da Johns Hopkins University (SAIS), da qual o professor Marcus Vinícius de Freitas é um dos representantes no Brasil.

Com Luciano Coutinho, Presidente do BNDES

Com a professora Ngaire Woods, discutiu-se a respeito da leniência que os agentes reguladores tiveram com as instituições privadas de crédito. Questionada sobre os motivos que levaram a tal situação, ela, brilhantemente, disse que a zona de conforto existente no relacionamento se devia ao fato de que as instituições financeiras emprestavam  recursos para a aquisição de imóveis e que isto era interessante à classe política, uma vez que a população teria maior satisfação com o governo pela possibilidade de adquirirem seus imóveis. Este sentimento generalizado levou a classe política e os reguladores a serem menos rigorosos na implementação de mecanismos para a contenção de excessos.

Professora Ngaire Woods, de Oxford University, ao centro.

A conversa com Jim O’Neill girou em torno do posicionamento do Brasil como um dos países do BRICs. Interpelado sobre interpretações inusitadas que foram dadas à sua criação do termo BRICs, ele enfatizou particularmente duas: 1) o fato de que, para ele, o Brasil é um importante “player” internacional, o país do presente, e não mais do futuro  - que é o caso, sim, da Índia, em razão das enormes distâncias sociais que aquele país ainda precisa percorrer; e 2) o S de BRICs nada tem qualquer relação com a África do Sul, que é uma economia ainda muito pequena e não pode ser comparada às do Brasil, Rússia, Índia e China. Para O’Neill, ainda, as autoridades chinesas apresentam relativo desinteresse nas instituições financeiras internacionais por estas se encontrarem demasiadamente centradas nos Estados Unidos e Europa, protagonistas agora menos relevantes da economia.

Professora Ngaire Woods, de Oxford University, ao centro.

Os alunos tiveram a oportunidade de participar de um painel a respeito de Economia Verde e de como a crise financeira internacional deveria ser utilizada para estimular investimentos neste segmento. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou, durante o seminário, de que o Brasil não pouparia esforços para assegurar que a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 sejam “verdes”, com o menor impacto ambiental possível.

Pode-se concluir que o programa de seminários das reuniões anuais do Banco Mundial e FMI melhoram a cada ano, em razão da riqueza e profundidade dos tópicos abordados. Para um estudante das relações internacionais, não pode haver melhor experiência do que aprender daqueles que são efetivos protagonistas da ordem internacional, oferecendo uma melhor compreensão, por parte do estudante, quanto ao seu papel futuro como um agente efetivo no cenário mundial. A FAAP inova ao preparar seus estudantes, desde cedo, para enfrentar os desafios e grandes questões de um mundo cada vez mais globalizado e interconectado.  Ao participarem das reuniões, melhor experiência não poderia haver do que associar aquilo que é ensinado em sala de aula com o que efetivamente movimenta o mundo. Assim, a FAAP está, de fato, deixando sua marca neste importante fórum mundial. Ao despedirem-se do vice-diretor gerente do FMI, Murilo Portugal, sua assistente, Norma Alvarado, bem refletiu esse aspecto, ao despedir-se de nosso grupo dizendo: “Vemo-nos no ano que vem em Washington, DC!” As malas já estão prontas para a próxima!

Participando no seminário