FAAP FAAP

A EXPOSIÇÃO

Apresentada anteriormente no Rio de Janeiro, onde despertou a atenção dos críticos e contou com grande sucesso de público, a exposição “TOYOTA – O Ritmo do Espaço” chega ao Museu de Arte Brasileira (MAB FAAP) a partir de 24 de junho.

Com curadoria de Denise Mattar, a exposição resgata o percurso do artista Yutaka Toyota com cerca de 80 obras, reunindo trabalhos dos anos 1960, uma recriação da instalação imersiva “Quarto Escuro”, presente na X Bienal de Arte de São Paulo, e obras premiadas no Panorama do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na década de 1970.

A mostra traz, ainda, obras pertencentes a acervos de instituições como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Palácio Itamaraty, Coleção Roberto Marinho, além de importantes coleções particulares. Dentro do núcleo histórico, tem destaque um ensaio fotográfico realizado por Alair Gomes sobre a obra do artista.

Os visitantes também terão a oportunidade de ver painéis das obras públicas de sua autoria, realizadas entre os anos 1980 e 2010, no Brasil e no Japão, e esculturas recentes, de grandes dimensões, concebidas pelo artista especialmente para a exposição.

A escolha do MAB FAAP para a apresentação da mostra em São Paulo reflete uma antiga parceria de Toyota com a Instituição, que tem em seu campus algumas obras monumentais do artista, integradas ao dia a dia dos alunos. Coincidentemente, ela chega à cidade no mês de comemoração pelos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil.

Percurso Artístico

Em 1969, Toyota apresentou na X Bienal de São Paulo uma das mais comentadas e premiadas participações da mostra: um conjunto de obras que convocava o espectador a interagir e uma instalação que hoje seria chamada de “imersiva”. Os trabalhos despertaram a atenção do público e da crítica, refletindo a permanência do artista por três anos na Itália, período no qual participou de algumas das mais emblemáticas exposições dos cinéticos, ao lado de Lucio Fontana, Bruno Munari, Vasarely e Le Parc.

Nascido no Japão em 1931, Toyota chegou ao Brasil no fim da década de 1950 e naturalizou-se brasileiro em 1971. Começou sua carreira como pintor, logo recebendo alguns dos mais importantes prêmios do circuito de arte brasileiro, como o do Salão Esso, em 1965, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que o levou à Itália. A partir daí, voltou-se para a escultura, e suas obras adquiriram características óticas, cinéticas e imersivas – partido que adota até hoje. Aos 86 anos, Toyota continua em pleno vigor criativo, sendo um dos raros escultores brasileiros a dominar a relação escala/espaço, essencial para a criação de obras ao ar livre. Não por acaso, ao longo dos anos, ele semeou mais de cem obras públicas entre o Brasil e o Japão.

Durante mais de sessenta anos, o artista criou milhares de obras entre desenhos, gravuras, pinturas, instalações, painéis escultóricos e esculturas de todos os tamanhos, desde pequenos múltiplos a imensos monumentos. Aos 15 anos, recebeu, em Yamagata, o primeiro prêmio de pintura no Salão de Jovens Artistas. Na ocasião, o crítico japonês Atsuo Imaizumi lhe disse: “mantenha sempre as mesmas ideias e perguntas interiores. Assim, encontrará sua verdadeira arte e produzirá obras verdadeiramente suas, obras originais”. E foi o que ele fez. O que interessa verdadeiramente para Toyota é a conexão entre o homem e o universo. Para ele, a cultura ocidental responde a essa questão por meio da física quântica, e a oriental por meio da espiritualidade. Ambos os significados estão no trabalho do artista.

Yutaka Toyota faz parte do grupo de artistas que, na década de 1960, decretou o fim da pintura de cavalete e da escultura figurativa, convidando o público a participar de novas experiências estéticas, interativas e sensoriais. Sua obra convoca dualidades: positivo-negativo, visível-invisível, sólido-evanescente, volume-leveza. As múltiplas possibilidades do reflexo são a matéria-prima da qual Toyota se utiliza para ”compreender o significado do espaço”.

Participação na X Bienal de Arte

Em 1969, Yutaka Toyota participou na X Bienal de São Paulo, ocupando três salas. Utilizando acrílico e luz negra com uma tinta especialmente desenvolvida para ele (que na época não existia aqui), o artista criou uma cabine pintada de preto, que chamou de “Quarto Escuro”. Quando o espectador entrava nesse ambiente, mergulhava em uma experiência ótica produzida por duas formas transparentes em movimento, uma esfera e um cubo sobre as quais era projetada uma luz negra criando efeitos cinéticos. Segundo Toyota, em reportagem da época: “o espaço situa o visitante no limite entre o positivo-negativo, entre o real-irreal, no momento aqui e agora”. No outro ambiente, “Espelho”, utilizou duas grandes madeiras côncavas, uma verde e outra vermelha, e um espelho esfumaçado. Ao entrar, o visitante via apenas um espelho e sua imagem refletida e acabava fazendo caras, bocas, caretas, etc. Entretanto, ao passar por trás, percebia que agora podia ver as pessoas que estavam à frente do espelho - o que indicava que também tinha sido visto. No espaço seguinte, havia uma esfera listrada, branca e preta, “Positiva e Negativa”, girando sobre uma superfície de aço inoxidável polido, criando formas que remetiam a um infinito movimento. Sua comunicação com o público era intensa, surpreendente, e o reconhecimento da crítica se fez por meio de muitas matérias positivas, reiterando a nova visão que sua obra trazia para a arte brasileira. Toyota recebeu também duas premiações: o Prêmio Itamaraty e o Prêmio Banco de Boston.

Uma recriação de “Quarto Escuro” e da obra “Positiva e Negativa”, pertencente ao Itamaraty, integram a exposição na FAAP.