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Universidade socialmente responsável
A
exposição da universidade brasileira, iniciada pelo ministro
Paulo Renato, provocou uma aproximação entre a academia
e a sociedade
O
Provão é apenas uma parte no processo de modernização
da universidade brasileira. Os exames nacionais são eficazes para
controle de qualidade do ensino. São uma espécie de auditoria
externa que expõe a academia a um julgamento da sociedade. A fama
e a tradição que uma instituição de ensino
superior carrega são importantes, é claro, mas já
não são determinantes para medir a qualidade do ensino.
Esta exposição da universidade brasileira, iniciada pelo
ministro Paulo Renato, provocou uma aproximação entre a
academia e a sociedade. Os testes anuais do MEC viraram assunto de interesse
geral, debatido por alunos, pais de alunos, empresários, políticos
e imprensa. Este novo olhar sobre a escola vem provocando questionamentos
de várias ordens a quem se dedica ao ensino superior.
Sim, a Faap está incluída entre as melhores escolas do País,
mas isto basta? Não, não basta. É da Faap que saem,
desde 1947, quadros dirigentes para empresas de todo o País
e para a administração pública. Gente que vai decidir
sobre destinos de milhões de brasileiros. É sobre esta questão
que temos dedicado boa parte dos nosso esforços e talentos na Faap.
Nosso desafio é formar homens e mulheres que sintam que a realização
pessoal não se esgota com o sucesso profissional, mas envolve a
responsabilidade sobre a sociedade que o cerca. Canalizar o talento profissional
para ajudar o próximo é um caminho muito eficaz para a realização
pessoal.
Na reflexão sobre a responsabilidade social da universidade decidimos
ir além de ações pontuais - o que implica implantar
uma nova política de relacionamento com os alunos. Nós nos
convencemos de que tínhamos de chamar a atenção do
aluno para um horizonte além do seu computador e do conforto da
sala de aula. Sabíamos que era preciso inserir no cotidiano dos
estudantes a preocupação com os graves problemas sociais
do País, sem politizar a questão.
A Faap passou a agir diretamente sobre professores e alunos para estimulá-los
ao debate sobre temas sensíveis , como a pobreza, exclusão
e carências sociais. Incluiu a atividade social nas atividades curriculares
e extracurriculares. Foi gratificante ver a adesão entusiasmada
de professores e alunos ao programa de adesão social. Veio à
tona rapidamente uma série de iniciativas voluntárias dos
estudantes. Os alunos do curso de pós-graduação de
administração em marketing passaram a elaborar suas teses
e monografias tendo como tema o marketing social. A Faap adotou escolas
públicas na periferia onde os universitários dão
aulas às crianças, promovem cursos de capacitação
profissional, espetáculos de teatro e sessões de cinema.
Em São José do Rio Preto, os alunos desenvolvem um projeto
em que recrutam e treinam voluntários para atividades sociais.
Já prestam serviço a 15 ONGS. Em São José
dos Campos, uma das turmas da Faap montou um curso para o ingresso no
mercado de trabalho destinado às empregadas domésticas e
pintores. Já existem dezenas de novas idéias em andamento
para serem implantadas no próximo ano letivo.
Nós, na Faap, acreditamos que o Provão, a avaliação
dos livros didáticos e tantas outras medidas adotadas pelo MEC
são eficazes para a modernização da escola brasileira
e a qualidade do ensino. Achamos, entretanto, que o mais importante é
que estas ações acabaram provocando reações
positivas nas instituições de ensino atentas às inquietações
da sociedade. Estimula um novo tipo de ensino, mais aberto à realidade
e solidário com os carentes e desprotegidos. Enfim, estamos trabalhando
com afinco para que nossas faculdades formem gerações mais
competentes sob o ponto de vista profissional, mas, sobretudo, socialmente
responsáveis.
Celita Procópio de Carvalho
é presidente do Conselho Curador da Fundação
Armando Alvares Penteado (FAAP)
Fonte:
Novembro 2001
Fórum Mensal de Política, Economia e Idéias BRASIL
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