Fórum FAAP de Desenvolvimento realiza sua terceira edição em Ribeirão Preto
O campus da FAAP de Ribeirão Preto foi palco, de 10 a 12 de setembro, de uma ampla reflexão sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de 90 estudantes de ensino médio de Ribeirão Preto puderam debater o segundo dos oito ODM, participando da terceira edição do Fórum FAAP de Desenvolvimento, uma simulação de assembléia das Nações Unidas em que os estudantes atuam como diplomatas defendendo as posições dos países para os quais foram previamente escolhidos. Para tanto, recebem antecipadamente orientação sobre as fontes de pesquisa mais indicadas, num guia de estudo que lhes é disponibilizado ao se inscreverem. Recebem também orientação de professores indicados por suas escolas para atuarem como conselheiros, acompanhando-os antes e durante a fase de simulação. Alunos dos cursos de Relações Internacionais e Economia da FAAP atuam na organização do evento e como diretores dos grupos de trabalho, como se fossem diretores de comitês nas reuniões da ONU ou de outras instituições multilaterais. Além do apoio das diretorias da FAAP e da Faculdade de Economia, esses alunos podem contar com a consultoria da UNIR Educacional, empresa especializada em projetos educacionais.
Na primeira edição do Fórum FAAP de Desenvolvimento, realizada em 2007, foram simulados os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a fim de que se tivesse uma visão geral desta iniciativa das Nações Unidas. Ficou definido, naquela ocasião, que nos anos seguintes o Fórum focalizaria, a cada ano, um dos ODM, de tal forma que o oitavo Objetivo será simulado em 2015, ano em que as Metas e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio deverão ser atingidos.
De acordo com o Projeto do Milênio, divulgado em Nova York em 2005, “líderes mundiais comprometeram-se com o objetivo global de prover o ensino básico universal para todas as crianças até 2015, e ratificaram o direito de toda criança à educação de qualidade.
Alcançar essas metas ambiciosas requer a busca por um número de soluções que se mostraram efetivas no aumento da taxa de matrícula – como abolir taxas escolares e de uniforme, criar ou melhorar a merenda escolar e programas de saúde, e fortalecer o papel de grupos de pressão e organizações não-governamentais em debates sobre sistemas educacionais – de acordo com um relatório da Força-tarefa sobre Educação e Igualdade de Gênero do Projeto do Milênio das Nações Unidas.
A Força-tarefa sobre Educação e Igualdade de Gênero passou dois anos analisando iniciativas de educação ao redor do mundo, concluindo que melhor educação é fundamental para a melhoraria das condições socioeconômicas em países pobres. A equipe foi liderada por Nancy Birdsall, presidente fundadora do Centro para Desenvolvimento Global; Anima J. Ibrahim, coordenador nacional para Educação para Todos no Ministério da Educação da Nigéria; and Geeta Rao Gupta, presidente do Centro Internacional de Pesquisa sobre a Mulher. O relatório – Alcançando o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio do Ensino Básico Universal – foi um dos dois lançados pela Força-tarefa como parte de um detalhado plano global de ação para combater a pobreza, doenças e degradação ambiental nos países em desenvolvimento.
Com base em uma série de estudos, a Força-tarefa relatou que o volume de doações destinadas a garantir que todas as crianças estejam matriculadas na escola de ensino primário de qualidade – de US$ 1.2 bilhão anual – está muito aquém do necessário: entre US$ 7 e US$ 17 bilhões anuais entre 2005-2015.
‘Com mais de 100 milhões de crianças fora das escolas atualmente, o objetivo de compensar o tempo perdido durante os próximos 12 anos é uma ambição heróica cuja realização requer fazer algo diferente do que vem sendo feito’, diz o relatório.
A Força-tarefa sobre Educação e Igualdade de Gênero do Projeto do Milênio das Nações Unidas ofereceu uma série de recomendações centradas nos países em desenvolvimento e nos países doadores para a melhoria da qualidade e do acesso à educação. Para países em desenvolvimento, estas incluem:
• Educar meninas e mulheres para quebrar o ciclo de baixa educação: apoiar programas de alfabetização destinados a mulheres e meninas.
• Encorajar a freqüência escolar de crianças ausentes da escola: dependendo das condições locais, introduzir e ampliar intervenções específicas como a remoção de taxas escolares, promoção de transferências condicionais de renda e programas de alimentação escolar, e ações para melhorar a segurança de meninas, como meio de atrair crianças de volta para a escola.
• Melhorar a educação pós-primária: identificar e implementar estratégias para aumentar o acesso à educação pós-primária, especialmente em casos de acesso desigual.
• Melhorar a transparência por meio de controle local: promover mecanismos para o controle local da educação, nos quais pais e outros cidadãos recebem papéis claros no acompanhamento dos resultados de escolas e professores.
• Melhorar a qualidade e disponibilidade da informação: concentrar esforços na melhoria da transparência no nível das escolas, e na disponibilização de dados e avaliação de programas no nível nacional.
• Definir critérios internacionais para avaliar a aquisição de habilidades e conhecimento: Estabelecer uma maneira clara de entender o que as crianças estão aprendendo e onde estão as deficiências.
• Fortalecer o papel das organizações da sociedade civil: Criar um ambiente no qual as organizações da sociedade civil são reconhecidas como participantes legítimas nos debates sobre o sistema educacional.
Para países doadores, as recomendações incluem
• Demonstrar audaciosa liderança política e fazer compromissos financeiros firmes: tornar possível a “Educação para Todos” e fazer funcionar a “Iniciativa da Via Rápida” rumo aos ODM.
• Reformar o sistema de doações direcionando novos fundos de maneira inovadora: implementar um vigoroso e coordenado esforço global que recompense e reforce progressos mensuráveis dos países.
• Relatar os compromissos e ações de doadores por meio de uma estrutura transparente e permanente de prestação de contas: da mesma maneira que países em desenvolvimento precisam relatar os seus gastos e resultados, agências doadoras devem similarmente relatar, de forma padronizada, os seus compromissos financeiros e desembolsos, assim como a aderência a acordos sobre a harmonização de auxílio ao desenvolvimento.
• Investir em avaliações genuínas das intervenções no setor educacional: avaliar quão efetivas são as intervenções e reformas específicas para melhorar índices de matrícula, retenção e aprendizado em diferentes contextos.
A criação de um plano de ação para alcançar o ensino básico universal é crucial para cumprir os compromissos da Cúpula do Milênio de 2000, na qual líderes mundiais concordaram em tornar a luta contra a pobreza – e todas suas facetas – sua prioridade em países em desenvolvimento. A cúpula inspirou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os quais são construídos reconhecendo que, da saúde ao meio-ambiente, da educação à igualdade entre sexos, uma crescente lista de temas em desenvolvimento não mais poderá ser administrada exclusivamente dentro das fronteiras de uma única nação.
A Força-tarefa sobre a Educação e Igualdade de Gênero é uma das 10 Forças-tarefa do Projeto do Milênio das Nações Unidas que ao todo englobam 256 especialistas de todo o mundo, incluindo parlamentares; pesquisadores e cientistas; formuladores de políticas; representantes da sociedade civil; agências da ONU; Banco Mundial; Fundo Monetário Internacional e o setor privado. As equipes das Forças-tarefas do Projeto do Milênio das Nações Unidas foram desafiadas a diagnosticar os principais empecilhos ao sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a apresentar recomendações sobre como superar esses obstáculos para que as nações estejam no caminho correto para atingir as metas até 2015”.
A interdisciplinaridade foi a característica marcante do evento, uma vez que os assuntos debatidos envolveram diversas áreas. Os estudantes exercitaram, além dos seus conhecimentos, o trabalho em equipe, a capacidade de negociação, a liderança, a cidadania, a ética e o respeito.
Para a simulação deste segundo Objetivo, os estudantes, atuando como delegados dos diferentes países, foram subdivididos em quatro grupos de trabalho (GT):
GT 1 – Trabalho e exploração infantil e evasão escolar
GT 2 – Capacitação de docentes para o ensino básico
GT 3 – Políticas públicas para inserção de jovens no ensino básico (e seu impacto na geração de renda)
GT 4 – Tecnologia aliada ao aprendizado
Os delegados, depois de passarem por uma revisão de regras dentro de seus respectivos grupos de trabalho na tarde da quinta-feira, debateram nos dois períodos da sexta-feira, dia 11, e votaram os documentos na primeira parte da manhã do sábado, dia 12. A seguir, antes da Plenária Final e da cerimônia de Encerramento, participaram de uma dinâmica de avaliação coordenada pelos diretores de cada grupo de trabalho.
Cerimônia de Abertura
A Cerimônia de Abertura da terceira edição do Fórum FAAP de Desenvolvimento foi conduzida pelo vice-diretor da Faculdade de Economia, professor Luiz Alberto Machado, que deu as boas vindas aos delegados inscritos, aos professores conselheiros das escolas participantes, aos membros do staff e aos demais presentes. A mesa diretora dos trabalhos foi composta pela gestora do campus da FAAP de Ribeirão Preto, professora Maria Isabel Franco Barretto, pelo coordenador do Curso de Economia da FAAP, professor José Maria Rodriguez Ramos, pela coordenadora de Atividades Extracurriculares e de Iniciação Científica da Faculdade de Economia, professora Raquel Rocha, e pelo professor Daniel Queiroga, da UNIR Educacional.
Em seus breves depoimentos, a professora Maria Isabel Franco Barretto salientou a satisfação da FAAP em receber no campus de Ribeirão Preto, voltado exclusivamente aos cursos de pós-graduação, professores e alunos de Ensino Médio, enquanto o professor José Maria Rodriguez Ramos, depois de saudar a todos, fez um agradecimento especial aos alunos de graduação em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas da FAAP que compuseram o staff do Fórum. Já a professora Raquel Rocha e o professor Daniel Queiroga falaram sobre o histórico e as características da metodologia dos modelos de simulação, cujo sucesso tem sido enaltecido em diversas partes do mundo e que, com esta terceira edição do Fórum FAAP se consolida também em Ribeirão Preto.
Ao final da cerimônia, o professor Luiz Alberto Machado fez questão de registrar a imensa importância de Ana Renata Medeiros, que coordenou por alguns anos um escritório da UN Volunteers em Ribeirão Preto e foi parceira da FAAP nas duas primeiras edições do Fórum. Mesmo à distância, já que está vivendo em João Pessoa, onde está fazendo mestrado em Filosofia, Ana Renata acompanhou atentamente toda a fase de preparação desta edição do Fórum, razão pela qual o sucesso do mesmo também se deve a seu incrível entusiasmo. Agradeceu também a colaboração de Luciane Del Grande de Castro e Paula Ceci, pelo incansável apoio na divulgação do Fórum entre as escolas locais. Em seguida, declarou oficialmente abertos os trabalhos do III Fórum FAAP de Desenvolvimento, convidando a todos para um coquetel que possibilitou, entre outras coisas, para que os participantes – delegados, professores conselheiros e integrantes do staff – pudessem conversar e se conhecer melhor.
Na edição deste ano participaram os seguintes colégios:
• Colégio Ateneu Barão de Mauá
• Escola Estadual Alberto Santos Dumont
• Escola Estadual Otoniel Mota
• Escola Municipal Mousinho
• Colégio Santa Úrsula
Professores conselheiros
Na tarde da sexta-feira, os professores conselheiros presentes ao Fórum reuniram-se com os professores Luiz Alberto Machado, José Maria Rodriguez Ramos, Daniel Queiroga e Raquel Rocha e definiram alguns pontos visando a realização das futuras edições do Fórum FAAP de Desenvolvimento.
Na sequência, todos assistiram à projeção do filme Entre os muros da escola, que, embora produzido na França e tendo por base o dia a dia de uma escola da periferia de Paris, apresenta situações muito semelhantes àquelas vivenciadas por professores brasileiros, em especial nas escolas públicas. Além dos professores das escolas que tiveram alunos participando desta terceira edição do Fórum FAAP de Desenvolvimento, estiveram presentes a essas atividades também as professoras do Colégio Dr. Tomás Alberto Whatelly, que já manifestaram interesse em inscrever seus alunos nos próximos anos.
Encerramento
A cerimônia de encerramento, na qual teve lugar a Plenária Final, foi conduzida pelo coordenador do Curso de Economia da FAAP, professor José Maria Rodriguez Ramos, contando com os depoimentos dos diretores dos quatro Grupos de Trabalho: Bruna Strufaldi, Larissa Augusto Temple, Bruna Borella Ulhani e Daniel Felipini Filho.
Dando continuidade à cerimônia os diretores dos Grupos de Trabalho submeteram as respectivas resoluções aos delegados de cada grupo, aprovando e sancionando as propostas apresentadas. O professor José Maria Rodriguez Ramos fez o discurso final, em que sublinhou a importância do tema “Atingir o ensino básico universal”, e comentou a relevância do terceiro Objetivo do Milênio, “Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres”, que será o tema do IV Fórum FAAP de Desenvolvimento, em 2010.
Em clima de intensa euforia, delegados, professores conselheiros e integrantes do staff posaram para uma foto reunindo todos os participantes do Fórum e despediram-se prometendo seguir com uma série de ações em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, até voltarem a se encontrar, na FAAP, na edição do ano que vem.
Fotos e legendas
Foto 1 – Logo que chegam à FAAP, os delegados passam, dentro de seus Grupos de Trabalho, por uma revisão de regras. Na foto, a revisão de regras do GT 2.
Foto 2 – Depoimento da gestora do campus da FAAP em Ribeirão Preto, professora Maria Isabel Franco Barretto, na cerimônia de abertura do III Fórum FAAP de Desenvolvimento. A seu lado, os professores José Maria Rodriguez Ramos, coordenador do curso de Economia, Daniel Queiroga, da UNIR Consultoria, e Raquel Rocha, coordenadora de Atividades Extracurriculares da Faculdade de Economia.
Foto 3 – O vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, Luiz Alberto Machado, abre oficialmente o III Fórum FAAP de Desenvolvimento.
Foto 4 – O staff do III Fórum FAAP de Desenvolvimento: (Atrás, da esquerda para a direita) Gabriel Sanches da Silva, Eduardo Baaklini, Larissa Augusto Temple, professor José Maria Rodriguez Ramos, professor Daniel Queiroga e Daniel Felipini Filho; (Na frente) Bruna Strufaldi, Marianna Rodrigues, professora Raquel Rocha, Isadora Morgado Janones, Jessica Baio Freire, Bruna Borella Ulhani e Gabriela Marinho Batisteti.
Foto 5 – Flagrante do andamento de uma das sessões do GT 3.
Foto 6 – Em todos os Grupos de Trabalho predominou o clima de seriedade e ativa participação dos delegados.
Foto 7 – No saguão de entrada do Campus da FAAP, delegados aguardam, ansiosamente, o momento de se dirigirem a seus Grupos de Trabalho.
Foto 8 – Aprovação de documento na Plenária Final.
Foto 9 – Depois de presidir a Plenária Final, o professor José Maria Rodriguez Ramos, sem esconder a alegria e o orgulho, dá por encerrados os trabalhos da terceira edição do Fórum FAAP de Desenvolvimento.
Foto 10 – Delegados, professores, diretores e organizadores, ao final do III Fórum FAAP de Desenvolvimento.